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Catarse

por: Roberto Lazaro Silveira

catarse

terapia holistica

psicologia simbólica

Para Jung existem quatro momentos na psicoterapia. O primeiro deles corresponde à catarse, análogo á confissão, prática ancestral associada a rituais de iniciação. Este exercício deve propiciar à pessoa demolir suas defesas internas ao compartilhar com alguém o que está sobrecarregando seu self. Assim, ao concretizar este mecanismo catártico, ela ingressa em uma nova fase de amadurecimento, é como se enxergasse o inimigo e agora pudesse focar sua mira. A catarse é um arquétipo, pois, desencadeia um complexo reconhecível independentemente do período histórico.

De acordo com Aristóteles, na “Poética”, catarse é o sentimento de terror e piedade que a tragédia – gênero poético – deve provocar nos expectadores, quando o herói, ou seja, o herói trágico, passa da ventura para a desventura por ter cometido algum “ato falho”. A catarse, então, seria a purificação dessas emoções.

A catarse é um símbolo, logo, possue uma amplitude que abrange variados âmbitos e acepções mas que sempre traduz a idéia de purificação, limpeza, libertação, superação feliz, consciente, no ato, de alguma forma de opressão, estranha à essência do ser, que influindo na expressão da sua verdade interior, corrompe e faz sofrer. Reconhecido o sofrimento ele terá começo meio e fim – “O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo” (Salmos. 30: 5b).

Sigmund Freud utilizou-se deste conceito como um fundamento para sua teoria. Enquanto a poesia dramática inspira-se em moldes religiosos ancestrais, o modelo seguido pela psicanálise é o da simbolização poética. Freud descreve como estados catárticos o que Breuer induzia nos pacientes através da hipnose. Um meio de contornar as censuras estabelecidas pelo superego, e propiciar aos enfermos da mente a possibilidade de reviver seus traumas e, assim, superá-los. Com o tempo, porém, Freud substituiu este método pelo da associação livre de idéias, a ‘cura pela palavra’.

 

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