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Ciclo Motivacional: Reconhecendo as Micro-necessidades

por: Roberto Lazaro Silveira

A teoria das Relações Humanas concentrou os estudos sobre motivação, ou seja, foi a potencialização do reconhecimento do poder de controlar os motivos que fazem com que o rendimento da produção seja amplificado.

Estuda-se as necessidades de determinado grupo de pessoas para que seja possível em exame de seleção contratar trabalhadores com necessidades aproximadas. Desta forma torna-se possível alcançar meios motivacionais coletivos que motivem os indivíduos selecionados alcançarem os objetivos da empresa visando à satisfação de uma ou mais determinadas necessidades que podem ser sanadas através de recompensas oferecidas pela empresa quando suas metas são atingidas.

Para Kurt Lewin o organismo humano permanece em estado de equilíbrio psicológico até que um estímulo o rompa e crie uma necessidade dando início ao ciclo, pois:

  • Quando necessitado o indivíduo passa ao estado de tensão que substitui o anterior estado de equilíbrio.
  • Através da tensão o indivíduo é obrigado a comportar-se agindo em prol de sua satisfação.
  • Satisfeita a necessidade, o estado de equilíobrio é retomado, até que outro estímulo sobrevenha.
  • Consequentemente o indivíduo é motivado ao trabalho e quando funcionário de determinada empresa que fornece a satisfação da necessidade o ciclo motivacional sustentará a cadeia produtiva.

Quando o trabalhador encontra a satisfação de suas necessidades a tensão é liberada até que outra necessidade promova outro ciclo. Devemos lembrar nesse momento da pirâmide das macro-necessidades de Maslow, pois, as mesmas obedecem de modo geral certa hierarquia.

A hierarquia de necessidades de Maslow foi introduzida por Abraham Maslow e se refere a uma pirâmide que representa uma divisão hierárquica a respeito das necessidades humanas. Na base da pirâmide estão as necessidades de nível mais baixo, sendo que, apenas quando satisfeitas escala-se em direção às hierarquias mais altas para atingir a auto-realização que é o nível mais alto.

A subjetividade

Atingir a uniformidade nas gratificações não é uma tarefa fácil, nem mesmo conseguir uma gratificação unânime. Digo que as micro-necessidades do grupo somente são enxergadas quando nos aproximamos de cada membro através de uma análise individual nos moldes da clínica psicológica, ou seja, ir além do que é observado em processos de seleção, pois, até mesmo os mais confiáveis testes psicológicos em conjunto com entrevistas e dinâmicas não são capazes de gerar um vínculo terapêutico capaz de proporcionar o verdadeiro conhecimento sobre as micro-nessicidades individuais que são automaticamente grupais devido ao fato do grupo ser formado de indivíduos, no entanto, suas soluções são individuais, pois, o indivíduo torna-se consciente de sua real necessidade não o grupo. A psicoterapia deve ser utilizada como forma de proporcionar o auto-conhecimento do funcionário e quando o mesmo estiver com algum problema, não apenas no segundo caso.

O que você pedio para o papai noel este ano? Ganhou o que pediu no ano passado ou passou o ano inteiro frustrado? Nós iremos contratar o papai noel certo que trará o presente certo? Os papais noéis estarão motivados? Toda vez que se fala em papai noel o diretor falta dois dias, pois, fica deprimido por lembrar-se de seu pai que era o papai noel da família e com isto o grupo todo fica prejudicado…

Dentre os psicólogos empresariais responsáveis pelo famoso RH – marginalizado pelas empresas que geralmente enxergam errôneamente o mesmo com a função exclusiva à contratação e demissão de funcionários – existirá a necessidade da multifuncionalidade que pode ser prejudicada utilizando-se um único profissional da área especializado em gestão de pessoas, pois, será necessário gerir pessoa e não pessoas… Idealmente deverá tercerizar este serviço, pois, o funcionário não dirá o que precisa ser dito com medo da demissão. Geralmente quando é chamado pelo psicólogo do RH vai tremendo de medo da demissão que o mesmo representa.

Sendo assim ocorre a necessidade da clínica para aumento da produção na empresa, pois, a função da terapia e experiência está além da contratação e demissão: É necessário conhecer profundamente os funcionários, fazer da subjetividade um aliado, pois, a melhor meneira de vencer o inimigo sabemos que é tornardo-se seu amigo. Quando o funcionário, através da psicoterapia, torna-se consciente de seus inimigos íntimos a tendência é voltar ao padrão de normalidade desejado pelo grupo.

Deste modo as recompensas generalistas nem sempre alcançam a satisfação das necessidades movendo o ciclo motivacional. Pode existir alguma barreira ou obstáculo subjetivo ao alcance da satisfação de alguma necessidade. Interrompido o efeito da satisfação por alguma barreira subjetiva ocorrerá a frustração. “eu sei vc sabe o que é frustação… máquina de fazer vilão…” (Racionais).

Havendo frustração a tensão existente poderá não ser sublimada. Surgirá então maneiras desastrosas de compensação e consequentemente uma engrenagem que tenderá a girar no sentido oposto ao desejado e todo o mecanismo ficará comprometido. Os nazistas obrigavam seus prisioneiros à fabricar armas, mas, os parafusos ficavam fouxos.

Outro fato a ser notado é não sabr do que necessita, ou seja, um desejo reprimido no inconsciente que poderia ser reconhecido através da psicoterapia para os funcionário da empresa poderá gerar uma necessidade impossível de ser satisfeita, tenta-se a satisfação de outra necessidade complementar ou substitutiva, mas, o inconsciente não aceitará a troca gerando instabilidade no grupo.

Muitas vezes os recrutadores estão procurando justamente isto! pessoas com grande material reprimido procurando uma possível sublimação, pessoas que se alimentam do estresse: Os grandes executivos descartáveis de vida encurtada pela hipertenção arterial e suas consequências.

Podemos fazer uma analogia aos cães farejadores: Os melhores cães farejadores de cocaína são os que foram viciados por seus adestradores, no entanto, sua vida geralmente resume-se há 2 (dois) anos de trabalho que valem por 8 (oito) dos animais farejadores não viciados.

A agressividade pode ser uma forma de compensar a frustração. A Tensão retida pela insatisfação tem o potencial de provocar reações como ansiedade, aflição, estados de intenso nervosismo ou ainda outras formas psicossomáticas de compensação: úlceras estomacais, hipertenção, etc.

A psicologia quando centrada nas diferenças recebe o nome de Psicologia Diferencial – nome divulgado por Stern em 1990 (mil novecentos e noventa) – cujo objeto de estudo são as diferenças. Esse tipo de estudo contrasta-se com o objetivo da Psicologia Experimental que visa generalizações para formular leis gerais.

A Psicologia Diferencial tem o foco nas diferenças entre indivíduos e grupos em prol de três objetivos: O estudo da qualidade das diferenças; O motivo das diferenaças; O terceiro objetivo situa-se ao nível da medida psicológica – psicometria.

Obras Consultadas:
ANASTASI, A. Psicologia Diferencial Aguilar, Spain: 1979.
BENNIS, W. A formação do líder. Atlas, São Paulo: 1996.
BERGAMINI, C. Motivação no trabalho. Atlas, São Paulo: 1996.
FAYOL, H. Administração industrial. Atlas, São Paulo: 1994.
FROMM, E. A análise do homem. Zahar, Rio de Janeiro: 1978.

 

Teoria de Campo de Lewin e Topologia

por: Roberto Lazaro Silveira

Kurt Lewin referia-se na década de trinta ao peso da motivação para o comportamento social. Como forma de demonstração de tal importância da motivação para o desencadeamento de certos tipos de comportamentos, Lewin criou a teoria de campo fundamentada em 2 (duas) suposições.

1) O ser humano comporta-se em resposta à totalidade de fatos coexistentes;

2) Os fatos coexistentes resultam no campo dinâmico onde cada um de seus componentes são interdependentes. Geralmente exemplifico este fator através de uma analogia com as engrenagens de uma máquina, pense nisto:

A perfeita sincronia do mecanismo de um relógio resulta na precisão da mensuração do espaço tempo, no entanto, caso uma de suas partes sofra alguma deformação, mesmo tendo funcionado corretamente no passado, o relógio estará impreciso, pois, estas partes são interdependentes e o relógico depende das engrenagens, sua fonte de energia e ponteiros para funcionar corretamente assim como do espaço onde está inserido: a engrenagem defeituosa resultou de uma queda que o relógio sofreu e alterou o funcionamento de todo o mecanismo, mas, futuramente poderá ser consertado e voltar a funcionar corretamente. No momento do diagnóstico da engrenagem defeituosa, a queda foi uma variável interveniente no passado e o conserto será no futuro: ambos imprevisívelmente presentes no campo que por isto é dinâmico.

Da mesma forma, o comportamento humano não resulta somente do passado ou do futuro assim como é dinâmico e instável no presente! Dinâmico devido à influência de variáveis intervenientes. Não é possível que você tome banho no mesmo rio duas vezes: As águas mudam e você também. O ambiente psicológico muda, você muda, seu espaço vital muda… Nosso Brasil muda? Se você mudar sim… Para mudar o mundo bastar mudar a sí próprio. Lembra: “aquele garoto que queria mudar o mundo e agora assiste a tudo de cima do muro” (Cazuza)? Acabou conseguindo mudar o mundo que agora contém o mesmo em cima do muro onde não estava antes em um mundo que era diferente sem ele em cima do muro.

Esse campo dinâmico é “o espaço de vida dinâmico que contém a pessoa dinâmica e o seu ambiente psicológico dinâmico”. Lewin propõe a seguinte equação, para tentar explicar o comportamento humano:

C = f (P,M) onde,

(C)= comportamento presente
(f)= função ou resultado da interação entre,
(P)= pessoa e,
(M)= meio ambiente onde a pessoa está presente.

Voltando ao relógio: [O comportamento do mesmo (C)] é igual ao perfeito [inter-relacionamento (f)] entre [ele que contém suas engrenagens(P)] e o [ambiente (M)] onde está contido e contém as fonte de variáveis intervenientes.

Percebemos o ambiente como fonte de atuais necessidades assim como de frustrações e gratificações, pois, depende de nossa interpretação do que é bom, ruim, gratificante ou punitivo etc… A percepção não é uma cópia fiel da realidade. Por isso o ambiente está relacionado com as atuais necessidades do indivíduo.

Objetos, pessoas e situações possuem ressonância no ambiente psicológico, proporcinando um campo dinâmico de mobilização de forças psicológicas. Os objetos, pessoas ou situações adquirem para o indivíduo uma valência positiva quando simbolizam gratificação ou valência negativa quando representam ou ameaçam causar frustrações.

OBS: O mesmo objeto pode ser gratificante para um e punitivo para outro, pois, depende da interpretação subjetiva presente no campo psicológico. (na verdade despertam sentimentos que estão contidos na alma humana). Pense nisto: Alguns homens da zona rual foram até a cidade e encontraram uma miniatura de locomotivas em uma esposição, enquanto alguns ficavam emocionados ao lembrar de seus brinquedos que arremetiam ao avô etc… logo, o português começou a chutar e pisar em cima da mini locomotiva…

Ao ser indagado ele disse que seria melhor exterminar esta praga enquanto filhote, pois, certa vez estava laçando seu gado em sua fazenda e por um erro de calculo laçou a locomotiva mãe que o arrastou por kilômetros. (é piada gente!, riam pra descontrair um pouco). Então o objeto para o português simbolizou algo frustrante que causou uma reação de luta e não de repulsa.

Os objetos, pessoas ou situações de valência positiva atraem o indivíduo e os de valência negativa o repelem: na verdade podemos fazer uma comparação com a teoria de Pichón Rivière e não concordar com repelir apenas: poderá causar uma reação de luta-fuga o que inverterá no caso da luta o sentido da força vetorial diante de um estímulo interpretado como nocivo, ou seja, não causará repulsa.

Para Lewin, a atração é a força ou vetor dirigido para o objeto, pessoa ou situação; a repulsa é a força ou vetor que o leva a se afastar dos mesmos elementos. Um vetor indicará a direção do movimento. No caso de forças opostas, os vetores serão equacionados resultando em luta ou fuga. Quando dois ou mais vetores atuam sobre uma pessoa ao mesmo tempo, a direção da locomoção é um resultante da equação vetorial. No caso da paralização diante de um forte estímulo, ou seja, a pessoa fica estática sem reação alguma, então ocorreu que as forças vetoriais se anularam e o resultado da equação vetorial foi zero.

O mapa do espaço vital é resultado de uma análise topológica; as medidas de força motivacional para o comportamento é resultado de uma análise vetorial. Lewin desenvolveu uma série de experimentos sobre motivação influênciada pelos efeitos de lideranças democráticas e autocráticas em grupos de trabalho dentre outros. Lewin inspirou alguns autores da Escola das Relações Humanas assim como getou desenvolvimentistas de suas teorias.

Obras consultadas:
BENNIS, W. A formação do líder. Atlas, São Paulo: 1996.
BERGAMINI, C. Motivação no trabalho. Atlas, São Paulo: 1996.
FAYOL, H. Administração industrial. Atlas, São Paulo: 1994.
FROMM, E. A análise do homem. Zahar, Rio de Janeiro: 1978.