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Anima e Animus

por: Roberto Lazaro Silveira

Para auxiliar na compreenssão destes arquétipos explorados pela psicologia arquetípica vale a pena uma leitura no seguinte trecho do evangélio apócrifo de Tomé, veja,

“Quando você fizer de dois um, quando você fizer o interior como o exterior, quando você fizer um do alto e do baixo, quando você fizer do masculino e do feminino um único, a fim de que o masculino não seja apenas um macho e o feminino apenas uma fêmea, então você terá olhos nos seus olhos, você terá mãos nas suas mãos, você terá pés nos seus pés e você entrará no reino do espírito.”

A chave para entrar no reino do espírito, então, está na integração do masculino com o feminino. Após esta introdução vale a pena observar uma pequena fração do conceito de anima e animus para Jung:

“O arquétipo da anima (termo em latim para alma),constitui o lado feminino no homem, e o arquétipo do animus(termo em latim para mente ou espírito), constitui o lado masculino na psique da mulher. Ambos os sexos possuem aspectos do sexo oposto, não só biologicamente, através dos hormônios e genes, como também, psicologicamente através de sentimentos e atitudes.”

Sendo a persona a face externa da psique, a face interna, a formar o equilíbrio são os arquétipos da anima e animus. O homem traz consigo, como herança, a imagem de mulher. Não a imagem de uma ou de outra mulher especificamente, mas sim uma imagem arquetípica, ou seja, formada ao longo da existência humana e sedimentada através das experiências masculinas com o sexo oposto.

Cada mulher, por sua vez, desenvolveu seu complexo de animus através das experiências com o homem durante toda a evolução da humanidade.

Quando observamos algum distúrbio de comportamento promovidos pela anima quando em estado inconsciente pode fazer com que o homem, numa possessão extrema, tenha comportamento tipicamente feminino, como alterações repentinas de humor, falta de controle emocional e até conversões e ataques do tipo histérico, sim é possível.

Em seu aspecto positivo a anima, quando reconhecida e integrada à consciência, servirá como guia e despertará, no homem o desejo de união e de vínculo com o feminino e com a vida. A anima será a “mensageira do inconsciente” tal como o deus Hermes da mitologia Grega.

A valorização social do comportamento viril no homem, desde criança, e o desencorajamento do comportamento mais agressivo nas mulheres, poderá provocar uma anima ou animus subdesenvolvidos e potencialmente carregados de energia, atuando no inconsciente como fonte de energia psiquica podendo ser sublimada como no caso das artes por exemplo ou então tornar-se destrutiva.

Um animus atuando totalmente inconsciente poderá se manifestar de maneira também negativa, provocando alterações no comportamento e sentimentos da mulher. Segundo Jung: “em sua primeira forma inconsciente o animus é uma instância que engendra opiniões espontâneas, não premeditadas; exerce influência dominante sobre a vida emocional da mulher.”

O animus e a anima devidamente reconhecidos e integrados ao ego, contribuirão para a maturidade do psiquismo através da individuação. Jung salienta que o trabalho de integração da anima é tarefa difícil. Diz ele: “Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a anima é obra-prima.”

A relação com a anima é outro teste de coragem, uma prova de fogo para as forças espirituais e morais do homem. Jamais devemos esquecer que, em se tratando da anima, estamos lidando com realidades psíquicas, as quais até então nunca foram apropriadas pelo homem, uma vez que se mantinham foram de seu âmbito psíquico, sob a forma de projeções.”

Anima e animus são responsáveis pelas qualidades das relações com pessoas do sexo oposto. Enquanto inconscientes, o contato com estes arquétipos são feitos em forma de projeções.

O homem, quando se apaixona por uma mulher, está projetando a imagem da mulher que ele tem internalizada. É fato que a pessoa que recebe a projeção é portadora, como dizia Jung, de um “recipiente” que a aceita perfeitamente, como a união entre antígeno e anticorpo ou chave e fechadura – ocupam o mesmo arquétipo por sinal.

O ato de apaixonar-se e decepcionar-se, nada mais é do que projeção e retirada da projeção do objeto externo. Geralmente o que se ouve é que a pessoa amada deixou de ser aquela por quem ele se apaixonou, quando na verdade ela nunca foi, só serviu como suporte da projeção de seus próprios conteúdos internos.

Para o homem a figura materna, geralmente a mãe biológica, é o primeiro objeto a receber a projeção da anima, ainda quando menino, o que se dá inconscientemente.

Depois, com o crescimento e sua saída do ninho, o filho vai, aos poucos, retirando esta projeção e lançando-a a outras mulheres que continua sendo um processo inconsciente.

A qualidade, do relacionamento mãe-filho, será essencial e determinará a qualidade dos próximos relacionamentos, com outras mulheres quando inconscientemente sombria e projetada.

Ressalta Jung: “Para o filho, a anima oculta-se no poder dominador da mãe e a ligação sentimental com ela dura às vezes a vida inteira, prejudicando gravemente o destino do homem ou, inversamente, animando a sua coragem para os atos mais arrojados.”

Projeção para Jung é um processo inconsciente automático, através do qual um conteúdo inconsciente para o sujeito é transferido para um objeto, fazendo com que este conteúdo pareça pertencer ao objeto.

A projeção cessa no momento em que se torna consciente, isto é, ao ser constatado que o conteúdo pertence ao sujeito.

Miniaturas disponíveis para montagem do cenário.

Projeta-se o que está na sombra, ou seja, é a sombra projetada, quando entramos em contato com o complexo constelado no núcleo do arquétipo chamado sombra nosso eixo ego-self caminha rumo a individuação.

Observe abaixo o cenário de um Jogo de Areia que demonstra aspectos da anima:

“Observamos acima um homem se deparando com os diversos aspectos de sua anima. Da esquerda para a direita temos na imagem da sereia a simbolização da anima sensual, mas que não pode se relacionar pois é metade peixe, na figura de Iemanjá vemos a anima espiritual, em Cinderela a representação da anima pura e, na dançarina temos a possibilidade da integração dos três aspectos anteriores” (fonte: http://jogodeareia.com.br/psicologia-analitica/anima-e-animus/).

Compare com o seguinte cenário abaixo revelando aspectos de possessão pelo animus:

“No cenário acima a paciente demonstra ter como único valor em sua vida o trabalho e apresenta grande dificuldade em se relacionar afetivamente. No quadrante inferior esquerdo vemos figuras caricatas de mulheres executivas com características masculinizadas, no quadrante inferior direito um guerreiro, no superior direito um homem primitivo, no centro vemos simbolizadas a possibilidade de transformação e cura do animus, representada pelas figuras do xamã, padre, cozinheiro e do médico. E por fim sinalizando um bom prognóstico, no quadrante superior esquerdo surge a figura feminina elaborada com um bebê de colo” (fonte: http://jogodeareia.com.br/psicologia-analitica/anima-e-animus/).

Para melhor entendimento do texto acima leia sobre: Persona, Sombra, complexos e arquétipos, eixo ego-self, individuação, jogo de areia, deus Hermes e Mitologia Grega em breve disponíveis neste site.