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A mitologia, a jornada do herói e o ritual da loucura

por: Roberto Lazaro Silveira

Este site tem recebido alguns comentários afirmando que o mesmo está “melhor do que muita sala de aula”. Agradeço muito por este tipo de comentário e fico motivado a escrever muito mais, apresentando-lhes leituras que realmente fogem da sala de aula cada vez mais Marxista e mais distante da psicologia. Dizem que o pior cego é o que não quer enxergar… mas, também dizem: Os cães ladram, mas a caravana não para.

Então textos como este copiado do livro A Tempestuosa Busca do Ser, escrito por Grof e Esposa, e colado abaixo, geralmente não serão apresentados na sala de aula por serem muito bons para o basicão acadêmico, o ciclo básico! Talvez seja por isto que este nosso espaço tornou-se interessante segundo algumas dezenas de comentários!

Quem são, resumidamente, os Grofs que escreveram o livro de onde foi copiado o texto abaixo? Quem é Stanislav Grof, M.D., Ph.D. que geralmente não aparece na vida acadêmica do estudante de psicologia apresentado pelos docentes? O mesmo desenvolveu um tipo de respiração que retira os filtros da mente e proporcionam um econtro com o interior de forma pura, de forma semelhante à ação do LSD, mas, sem os efeitos “químicos colaterais”.

Stanislav Grof, psiquiatra tcheco, nascido em 1 de Julho de 1931 na cidade de Praga, desenvolveu nos EUA pesquisas sobre os estados alterados de consciência (EAC), através de experiências com o ácido lisérgico, LSD, como meio de atingir esses estados.

Segundo o médico, quando pacientes atingiam outros estados de consciência, emergia-se o subconsciente de maneira intensa, importante para a recuperação da saúde mental, visto que experiências traumáticas e demais bagagens emocionais desfavoráveis poderiam ser trabalhadas de forma mais incisiva e direta. Ao término de sua experiência pessoal com o composto químico, o paciente era capaz de ter uma complexa cadeia de novas compreensões pessoais, “insights”, que ajudavam na sua recuperação.

Mais tarde desenvolveu uma técnica chamada Respiração Holotrópica, através da qual é possível atingir estados de consciência semelhantes através da hiperventilação, como altenativa ao uso clínico do LSD, tornado ilegal.

Alguns Livros do Grof publicados em português:
– Variedades das experiências transpessoais: observações da psicoterapia com LSD. in. WEILL, Pierre (org.) Experiência cósmica e psicose. vol 5 / IV Pequeno tratado de psicologia transpessoal. RJ, Vozes, 1978
– Além do Cérebro: Nascimento, Morte e Transcedência em Psicoterapia. SP, McGraw-Hill Brasil, 1987
– com GROF, Christina. Emergência Espiritual. São Paulo: Cultrix, 1989.
– com BENNETT, E. Hal Zina. A Mente Holotrópica: Novos Conhecimentos Sobre a Psicologia e Pesquisa da Consciência. (Coleção Arco do Tempo, Vol. 8). RJ, Rocco, 1994
– Psicologia do futuro. São Paulo: Heresis, 2000.
– Quando o impossível acontece. São Paulo: Heresis, 2007.
– com GROF, Christina. Respiração Holotrópica: uma nova abordagem de autoexploração e terapia. Rio de Janeiro: Numina, 2011. etc.

Site do Grof: http://www.stanislavgrof.com/

O texto abaixo exige uma certa leitura simbólica ao mesmo tempo em que apresenta este tipo de leitura à você que busca algo além do ciclo básico, boa leitura.

“Nada é superior a esses mistérios. Eles têm adocicado o nosso caráter e suavizado nossos costumes; fizeram-nos passar da condição de selvagens para a de verdadeiros seres humanos. Eles não apenas nos mostraram o modo de viver prazerosamente, mas nos ensinaram a morrer com esperança”.
Cícero, De Legibus

Os mistérios antigos da morte e do renascimento proporcionaram um outro contexto social importante para as experiências de transformação. Nelas os iniciandos se identificam com várias figuras mitológicas que morreram e foram trazidas de volta à vida.

A função da mitologia na psique e na sociedade

É comum pensar que os mitos são produtos do intelecto humano e da imaginação. Nossos conceitos são radicalmente diferentes; além das nossas experiências pessoais nessa área, fomos fortemente influenciados pelo trabalho de Carl Gustav Jung e, mais especificamente, por muitos anos de amizade íntima com o mitólogo Joseph Campbell. O trabalho desses dois pensadores seminais causou uma revolução conceitual para o conhecimento da Mitologia.

De acordo com Jung e Campbell, os mitos não são histórias fictícias sobre aventuras de personagens imaginários em países que não existem e, assim, produtos arbitrários da fantasia individual humana. Eles originam-se no inconsciente coletivo da humanidade e são manifestações dos princípios primordiais de organização da psique e do cosmos que Jung chamou de arquétipos.

Os arquétipos se expressam através da psique humana e de seus processos mais profundos, mas não nascem da mente humana e não são produtos dela. São, de certo modo, ordenados para ela e funcionam conforme seus princípios predominantes. De acordo com Jung, determinados arquétipos poderosos podem influenciar até mesmo eventos históricos e o comportamento de uma cultura específica.

O “inconsciente coletivo”, nome dado por Jung ao lugar onde eles residem, representam uma parte da herança cultural de toda a humanidade, ao longo dos anos. Na Mitologia, os temas arquetípicos básicos, em sua forma mais geral e abstrata, demonstram uma distribuição universal.

Em culturas diferentes e em vários períodos da história, uma pessoa pode encontrar variações específicas desses motivos mitológicos básicos. Um arquétipo universal dos mais representativos é, por exemplo, a Grande Mãe Divina; em várias culturas, essa figura toma a forma de uma mãe divina específica, como Ísis, a Virgem Maria, Kybele ou Káli. Da mesma forma, os conceitos de céu, paraíso e inferno podem ser encontrados em muitas culturas do mundo, mas a forma específica desses domínios arquetípicos varia de um caso para outro.

O Herói de Mil Faces

Em 1948, depois de muitos anos de estudo sistemático das mitologias de várias culturas do mundo, Joseph Campbell publicou seu livro pioneiro, The Hero with a Thousand Faces, obra-prima que nas décadas seguintes teve uma profunda influência sobre um grande número de pensadores de diferentes áreas. Analisando uma ampla gama de mitos de várias partes do mundo, Campbell percebeu que todos pareciam conter variações de uma fórmula arquetípica universal, que ele chamou de monomito.

Era a história do herói, masculino ou feminino, que deixa sua casa e, depois de aventuras fantásticas, retorna como um ser divino. Campbell descobriu que o arquétipo da jornada do herói tem, tipicamente, três fases, que são semelhantes àquelas que descrevemos anteriormente como seqüências características em ritos tradicionais de passagem: separação, iniciação e retorno.

O herói deixa o solo familiar ou é forçadamente separado dele por uma força exterior, é transformado através de uma série de provações e aventuras extraordinárias e, finalmente, é de novo incorporado em sua sociedade de origem com um novo papel.

Nas próprias palavras de Campbell, a fórmula básica para a jornada do herói pode ser resumida como segue: Um herói se arrisca para fora do mundo do dia comum indo a uma região de maravilha sobrenatural: forças fabulosas são aí encontradas e uma vitória decisiva se confirma: o herói volta dessa aventura misteriosa com poder para fazer o bem ao próximo.

O intelecto inquiridor e incisivo de Campbell não estava satisfeito com o reconhecimento da universalidade desse mito no tempo e no espaço. Sua curiosidade o levou a se perguntar o que faz esse mito universal. Por que o tema da jornada do herói apela para as culturas de todos os tempos e países, se até diferem em outros pormenores?

E sua resposta tem a simplicidade e a lógica inexorável de todas as descobertas brilhantes: o monomito da jornada do herói é uma metáfora para as experiências interiores durante uma crise de transformação, descrevendo seus territórios experimentais. Do mesmo modo que a crise de transformação é relevante, assim é o mito.

A emergência espiritual como uma jornada do herói
O próprio Campbell estava consciente do fato de que as aventuras dos xamãs durante as crises de iniciação e dos neófitos durante os ritos de passagem eram exemplos peculiares da jornada heróica. Em 1968 ele encontrou o analista junguiano John Perry, que através dos anos fizera um extenso trabalho psicoterapêutico com clientes jovens que seriam tradicionalmente rotulados de psicóticos. No decorrer do seu trabalho, Perry não usara nenhum medicamento supressivo.

Como resultado do contato com Perry e com seu material, Campbell reconheceu as profundas semelhanças entre o simbolismo da jornada do herói e o das imagens que aparecem em muitas ocorrências espontâneas de estados incomuns de consciência, e estendeu a aplicação do monomito para incluir certas formas de psicoses. Um mito típico da jornada do herói começa quando a vida comum do protagonista é repentinamente interrompida pela intromissão de elementos mágicos por natureza e que pertencem a uma outra ordem de realidade.

Campbell se refere a esse convite para a aventura como um chamado. Em termos psicológicos, podemos pensar nisso como a emergência de elementos do inconsciente profundo, particularmente dos seus níveis arquetípicos para a consciência cotidiana. Se o heroi responde ao convite e aceita o desafio, embarca numa aventura que envolve visitas a territórios estranhos, encontro com animais fantásticos e super seres humanos, além de várias provações.

Depois do término triunfal da jornada, o herói volta para casa e vive uma vida íntegra e recompensadora como um ser divinizado — líder mundial, curandeiro, vidente ou mestre espiritual. Como o herói do monomito, a pessoa em emergência espiritual recebe um chamado. A película sutil que separa nossa vida diária do mundo espantoso da nossa mente inconsciente torna-se transparente e, finalmente, se rompe.

Os conteúdos profundos da psique que passam comumente despercebidos são lançados para a consciência na forma de imagens, emoções fortes e estranhos sentimentos físicos. Inicia- se uma incrível odisséia imaginária rumo às profundezas da psique. Como as histórias heróicas que conhecemos da Mitologia, isso envolve forças obscuras e monstros aterradores, perigos de todos os tipos e encontros com seres sobrenaturais, como também intervenções mágicas.

Quando os desafios dessa jornada interior são aceitos e conseguimos triunfar sobre os acontecimentos, as experiências tornam-se cada vez mais compensadoras e chegam a uma solução positiva. Isso inclui, em geral, um reconhecimento da natureza divina da pessoa e descobertas na ordem universal. As experiências de um encontro com os arquétipos da Grande Mãe Divina e do Pai Divino podem ajudar a pessoa a conseguir maior equilíbrio entre os aspectos masculino e feminino (yang e yin) da sua personalidade.

A pessoa pode ver claramente a concepção incorreta e errônea do passado e perceber como uma vida mais completa e produtiva pode ser possível no futuro. Uma vez que se permite que a experiência alcance uma conclusão natural e que um apoio e uma validação adequados sejam acessíveis, essa pessoa pode voltar para a vida radicalmente transformada.

Muitas dificuldades emocionais e psicossomáticas têm sido superadas e eliminadas no processo de transformação; a auto-imagem e a auto- aceitação são notavelmente incrementadas e a habilidade de gozar a vida aumenta. Pode haver uma intensificação significativa da intuição e da capacidade de trabalhar com outras pessoas — como conselheiro ou guia — nos momentos de crise emocional.

Tudo isso pode resultar numa forte necessidade de incluir o elemento de serviço aos outros como um componente importante da sua vida. Embora os resultados possam não ser tão gloriosos como os da jornada mitológica do herói, são de um tipo semelhante e a metáfora é totalmente apropriada. No entanto, há muitos casos em que algo que começou como uma aventura visionária não chega a um final feliz. Em alguns casos, a pessoa pode recusar o chamado e decidir agarrar-se à realidade comum com seus velhos problemas e limitações.

Uma outra possibilidade é uma falha na complementação da jornada; nesse caso, a pessoa penetra no abismo do inconsciente e é incapaz de voltar a operar plenamente na realidade comum. Este, infelizmente, é o destino de muitas pessoas na nossa cultura que têm que enfrentar a emergência espiritual sem a compreensão e o apoio adequados.

A morte e o renascimento de deuses e heróis

Um tema particularmente forte e que reaparece com uma freqüência marcante na mitologia da jornada do herói é o encontro com a morte e o renascimento subseqüente. As mitologias de todos os tempos e países incluem histórias extraordinárias sobre heróis e heroínas que desceram ao reino da morte e, tendo vencido obstáculos jamais sonhados, voltaram à Terra dotados de poderes especiais.

Os xamãs legendários de várias culturas, os gêmeos do épico maia Popol Vuh e os heróis gregos Ulisses e Hércules são exemplos evidentes desses personagens míticos. São igualmente freqüentes os contos sobre deuses, semideuses e heróis que morreram ou foram mortos e depois voltaram à vida com uma nova função, exaltados e imortalizados pela experiência de morte e renascimento.

O tema central da religião judeu- cristã — a crucificação e a ressurreição de Jesus — é apenas um exemplo. De uma forma menos simbólica, o mesmo motivo às vezes é representado como a experiência de ser devorado por um monstro aterrador e ser, então, regurgitado ou realizar uma fuga milagrosa. Os exemplos aqui variam do herói grego Jasão e do herói bíblico Jonas a Santa Margarida, que foi presumivelmente engolida por um dragão e salva por um milagre.

Considerando quão universais e importantes são esses temas na mitologia mundial, é interessante perceber que seqüências de morte e renascimento também estão entre as experiências mais freqüentes observadas em estados incomuns de consciência, induzidos por vários meios ou ocorrendo espontaneamente. Elas desempenham um papel extremamente importante nos processos de transformação psicológica e de abertura espiritual. Muitas culturas antigas eram bem conscientes desse fato e desenvolveram procedimentos de iniciação intimamente ligados aos mitos de morte e renascimento.

Os mistérios da morte e do renascimento Em muitas partes do mundo, os mitos da morte e do renascimento serviram como base ideológica para os sagrados mistérios — impressionantes eventos ritualísticos em que os aprendizes vivenciavam a morte e o renascimento psicológico. Os meios para induzir esses estados alterados de consciência são semelhantes aos usados nos procedimentos xamânicos e ritos de passagem: batucadas, cantilenas e danças; alteração do ritmo da respiração; exposição ao desgaste físico e à dor e situações de risco de vida aparentes ou reais.

Entre os recursos mais potentes empregados para esse fim estão várias plantas com propriedades psicoativadoras. Em alguns casos, o processo de alteração da mente nesses rituais não é conhecido: ou foi mantido em segredo ou a informação se perdeu com o passar do tempo.

As experiências, freqüentemente aterradoras e confusas aplicadas aos iniciandos, eram vistas como oportunidades de fazer contato com divindades e com os reinos sagrados; eram vistas como necessárias, desejáveis e essencialmente curativas. Há até mesmo indicações de que a exposição voluntária a esses estados extremos da mente era considerada uma prevenção e uma proteção contra a verdadeira insanidade.

Isso pode ser explicado pelo mito grego de Dioniso, que convidou os cidadãos de Tebas a juntar-se a ele na Dança Menor, o êxtase do Bacanal — um ritual orgíaco que envolvia danças selvagens e o desencadeamento de várias emoções e energias instintivas. Prometeu-lhes que esse evento os levaria a lugares que nunca sonharam ser possível. Quando recusavam, forçava-os à Dança Maior de Dioniso, um período perigoso de loucura no qual confundiam seu príncipe com um animal selvagem e o matavam.

Como esse mito popular indica, os antigos gregos eram conscientes do fato de que o perigo nos força a nos refugiarmos na nossa psique, que precisa de uma oportunidade para se expressar no contexto apropriado. Os eventos psicológicos poderosos que os iniciandos encontraram nos mistérios de morte e renascimento tinham, indubitavelmente, um potencial marcante de cura e de transformação.

Então, podemos nos referir ao testemunho de dois gigantes da antiga filosofia grega, Platão e Aristóteles. (O fato de que esse testemunho vem da Grécia, o berço da civilização ocidental, não é de particular relevância aqui, já que é muito fácil para os ocidentais ignorar a evidência do xamanismo ou dos ritos de passagem, vindos como vêm de culturas estranhas à nossa tradição.)

Em seu diálogo intitulado Fedra, Platão distinguiu dois tipos de loucura, uma resultando das doenças humanas e outra da intervenção divina — como poderíamos reformular em termos de psicologia moderna —, influências arquetípicas originadas no inconsciente coletivo.

Na variação mais recente, ele adicionou mais quatro tipos diferenciados, atribuindo-lhes deuses específicos: a loucura do amante a Afrodite e Eros; a da ruptura profética a Apolo; a da inspiração artística às Musas; e a do êxtase ritualístico a Dioniso. Platão fez uma descrição nítida do potencial terapêutico da loucura ritualista, usando como exemplo uma variação menos conhecida dos mistérios gregos, os ritos coribânticos. De acordo com ele, a dança selvagem para flautas e tambores, culminando com uma liberação emocional explosiva, resultava num estado de profundo relaxamento e tranqüilidade.

O grande discípulo de Platão, Aristóteles, foi o autor da primeira afirmação explícita de que a experiência e a total liberação de emoções reprimidas que ele chamou de catharsis (significando literalmente “purificação” ou “purgação”), representava um tratamento efetivo de desordens mentais. Também expressou sua crença de que os mistérios gregos forneciam um forte contexto para esse processo.

De acordo com Aristóteles, pelo uso do vinho, de afrodisíacos e de música, os iniciandos vivenciavam um despertar extraordinário de paixões seguido por uma catarse de cura. De acordo com a tese básica dos membros do culto ao oráculo, uma das escolas místicas mais importantes da época, Aristóteles estava convencido de que o caos e a exaltação dos mistérios eram proveitosos para a ordem final.

Essa compreensão do relacionamento entre estados emocionais intensos e cura está muito próxima do conceito de emergência espiritual e das estratégias de tratamento correspondentes. Os sintomas extraordinários não são necessariamente indicativos de patologia; em determinados contextos, são recebidos como manifestações de vários conteúdos e forças perturbadoras que preexistiam no inconsciente. Desse ponto de vista, trazendo-os para a consciência e confrontando-os, são considerados agradáveis e com poder de cura.

A popularidade e a ampla distribuição dos mistérios no mundo antigo indicam que os participantes consideravam-nos psicologicamente relevantes e benéficos. Os famosos mistérios de Elêusis, perto de Atenas, foram realizados a cada cinco anos sem interrupção por um período de quase dois mil anos. Gostaríamos de mencionar brevemente os mistérios mais importantes de morte e de renascimento que eram dramatizados nos tempos antigos em várias partes do mundo.

Os temas arquetípicos, representados nesses rituais, geralmente emergem nas experiências de ocidentais modernos que estão passando por uma profunda terapia experiencial ou por emergências espirituais. Para essas pessoas e para aqueles que as estão assistindo em seu processo, o conhecimento da Mitologia encontrado durante a jornada interior pode fornecer diretrizes importantes. Entre os mistérios mais antigos de morte e de renascimento estão os ritos babilônicos e assírios de Ishtar e de Tamuz.

São baseados no mito da Deusa-Mãe Ishtar, e sua descida aos infernos, o reino da morte, governado pela terrível deusa Ereshkigal, em busca de um elixir que poderia restituir a vida a seu filho morto e seu marido, Tamuz. De acordo com a interpretação esotérica, o mito da jornada de Ishtar ao inferno e seu retorno com êxito simbolizam o aprisionamento da consciência na matéria e a sua libertação, através do efeito libertador de ensinamentos e de processos espirituais secretos. Optando por passar por uma provação semelhante à de Ishtar, os iniciandos podem alcançar uma liberação espiritual.

Nos templos de Ísis e de Osíris, no antigo Egito, iniciandos se sujeitavam a provações complexas sob a liderança de venerandos sacerdotes a fim de superar o medo da morte e obter acesso ao conhecimento esotérico sobre o universo e a natureza humana. Durante esse ritual de iniciação, os aprendizes passavam por uma identificação com o deus Osíris, que de acordo com o mito subjacente a esse mistério fora morto e esquartejado pelo seu maldoso irmão, Set, para depois ser trazido de volta à vida por suas irmãs, Ísis e Néftis.

Na Grécia antiga e nos países vizinhos, as religiões de mistérios e os ritos sagrados eram abundantes. Os mistérios eleusianos foram baseados numa interpretação esotérica do mito sobre a deusa Deméter e sua irmã Perséfone. Perséfone foi raptada por Plutão, o deus do inferno, mas foi libertada pela intervenção de Zeus sob a condição de que ela voltasse ao reino de Plutão por um trimestre a cada ano.

Esse mito, comumente considerado uma alegoria sobre o crescimento cíclico das plantas durante as estações do ano, tornou-se, pelos iniciandos eleusianos, um símbolo para as batalhas espirituais da alma, periodicamente aprisionada na matéria e libertada. Outros exemplos de mistérios gregos incluem o culto órfico, que gira em torno da lenda do poeta endeusado Orfeu, o incomparável músico e cantor que visitou o inferno para libertar sua amada Eurídice do cativeiro e da morte.

Os ritos dionisíacos ou a bacanália foram baseados na história mitológica do jovem Dioniso, que foi desmembrado pelos Titãs e, depois, ressuscitado quando Palas Atena resgatou o seu coração. Nos ritos dionisíacos, os iniciandos passam por uma identificação com o deus assassinado e renascido, através de danças orgíacas, de corridas por regiões silvestres e da ingestão de bebidas tóxicas e da carne crua de animais. Outro mito famoso sobre um deus agonizante era a história de Adônis.

Sua mãe, Smirna, havia sido transformada pelos deuses numa árvore de mirra. Depois um javali selvagem facilitou seu nascimento da árvore, Adônis foi destinado passar um terço de cada ano com Perséfone e o resto do ano com Afrodite. Os mistérios inspirados por esse mito eram comemorados todos os anos em muitas partes do Egito, da Fenícia e de Biblos. Os mistérios frígios, intimamente ligados aos relatados acima, eram celebrados em nome de Átis, divindade que castrou si mesma e que foi ressuscitada pela Grande Deusa-Mãe Cibele.

Esses exemplos não são, de modo algum, uma narração exaustiva de mistérios antigos e de religiões de mistérios. Procedimentos semelhantes que giram ao redor da morte e do renascimento podem ser encontrados na religião mitraica, na tradição nórdica e na cultura maia pré-colombiana; também estão presentes como elementos de iniciação a várias ordens e sociedades secretas e em muitos outros contextos.

A realeza sagrada e a notável representação real da morte e do renascimento Antes de deixar o campo do mito e dos rituais, gostaríamos de fazer uma breve referência a uma fase do desenvolvimento cultural que o trabalho de John Perry tornou particularmente relevante para o estudo da emergência espiritual. Na evolução das grandes culturas do mundo, mesmo aquelas que para o nosso melhor conhecimento não tiveram nenhum contato entre si, há um período que pode ser citado como a era da realeza sagrada ou, na terminologia de Perry, a “era arcaica do mito encarnado”.

Durante esse tempo, que coincide mais ou menos com o aparecimento das cidades, o rei era visto pela cultura como sendo literalmente a encarnação de um deus. Esse tipo de sociedade pode ser encontrada na história do Egito, da Mesopotâmia, de Israel, de Roma, da Grécia, das ilhas nórdicas, do Irã, da Índia e da América Central (os toltecas e os astecas).

Completamente independentes umas das outras, essas culturas celebravam primorosos festivais de Ano Novo, durante os quais um teatro ritualístico era representado, girando em torno da pessoa do rei e com certos temas-padrão. Depois que o local do ritual era estabelecido como o centro do mundo, seqüências dramáticas retratavam a morte do rei e a sua volta ao início dos tempos e « criação.

Isso era seguido pelo seu novo nascimento, por um casamento sagrado e pela sua apoteose como um herói messiânico. Tudo isso acontecia no contexto de um conflito cósmico que envolvia um dramático choque de oposições — luta entre as forças da luz e as das trevas e o confronto entre o bem e o mal.

Uma parte importante do teatro real era a inversão das polaridades sexuais, expressas pela participação de travestis. A representação simbólica terminava com a representação de um mundo renovado e de uma sociedade revitalizada. Esses rituais eram considerados de importância crucial para a existência e a estabilidade contínua do cosmos e da natureza e para a prosperidade da sociedade.

Durante o trabalho psicoterapêutico sistemático com clientes que estavam passando por episódios espontâneos de estados incomuns de consciência, Perry chegou a uma conclusão espantosa: muitos desses estados giravam em torno dos mesmos temas, como os festivais de Ano Novo descritos acima.

É um desafio crucial a visão desses estados como indícios de doença mental. Seus temas arquetípicos estão significativamente relacionados com a evolução do consciente numa escala coletiva e, se possível, também numa escala individual; isto é muito diferente do fato de que o seu conteúdo rico e complexo possa ser o produto da distorção dos processos mentais devido a uma debilitação patológica do cérebro.

Seqüências mitológicas extraordinárias retratando a morte, o renascimento e outros temas são extremamente freqüentes na psicoterapia experimental, assim como em episódios de emergência espiritual. Em estados incomuns de consciência, esse material mitológico emerge espontaneamente das profundezas da psique, sem nenhuma programação e, em geral, para surpresa de todos os envolvidos.

Imagens arquetípicas e cenas inteiras da mitologia de várias culturas ocorrem freqüentemente nas experiências de pessoas que não têm nenhum conhecimento intelectual das figuras míticas e dos temas que estão encontrando. Dioniso, Osíris e Odin, assim como Jesus Cristo, parecem residir na psique dos ocidentais modernos e estarem vivos nos estados incomuns de consciência.

Os legados espirituais das grandes religiões

Os demônios atacam, alguns atirando ao topo das montanhas a cor das chamas; alguns arrancando mastros de cobre e ferro e árvores pelas raízes; alguns jogando ao chão camelos e elefantes com olhos assustadores, cobras e répteis horríveis com olhares venenosos e outros demônios com cabeças de boi.

Confronto de Buda com Kama Mara,
The Lalitavistara Sutra

O estudo da história das grandes religiões do mundo e das suas escrituras sagradas é altamente relevante para o entendimento das emergências espirituais. Mesmo uma olhada superficial nesses materiais revela que todos os movimentos religiosos que delineiam a história humana foram inspirados e repetidamente revigorados por experiências imaginárias de realidades transpessoais.

As tradições místicas e as ordens monásticas de muitas religiões nos legaram cartografias dos estados mentais encontrados durante momentos críticos importantes da prática espiritual, incluindo várias armadilhas e vicissitudes.

As pessoas em emergência espiritual encontram muitas dessas mesmas dificuldades, e seu processo segue os mesmos estágios. Por esta razão, esses mapas representam guias importantes para as pessoas em crise de transformação e para aquelas e as assistem.

Em muitos casos, as experiências realmente envolvem as formas arquetípicas específicas de um determinado sistema religioso, como o hinduísmo, o budismo ou o misticismo cristão. Nas páginas seguintes, veremos algumas das cartografias que podem ser úteis, em especial para as pessoas que estão passando por uma emergência espiritual. (…)

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O Sagrado e o Profano Tocam no Mesmo Piano

por: Roberto Lazaro Silveira

Quando o assunto é sagrado ou profano? Para politicamente corretos, não se discute o que é sagrado, mas, também não discute-se sobre política! Sendo assim vou recomendar para vocês meus amigos internautas, a leitura de um texto de Mircea Elíade que foi extraído na íntegra da página 15 (quinze) de seu livo: o Sagrado e o Profano, boa leitura!

“Pode se medir o precipício que separa as duas modalidades de experiência – sagrada e profana – lendo se as descrições concernentes ao espaço sagrado e à construção ritual da morada humana, ou às diversas experiências religiosas do Tempo, ou às relações do homem religioso com a Natureza e o mundo dos utensílios, ou à consagração da própria vida humana, à sacralidade de que podem ser carregadas suas funções vitais (alimentação, sexualidade, trabalho etc).

Bastará lembrar no que se tornaram, para o homem moderno e a religioso, a cidade ou a casa, a Natureza, os utensílios ou o trabalho, para perceber claramente tudo o que o distingue de uni homem pertencente às sociedades arcaicas ou mesmo de uni camponês da Europa cristã. Para a consciência moderna, um ato fisiológico – a alimentação, a sexualidade etc. – não é, em suma, mais do que uni fenômeno orgânico, qualquer que seja o número de tabus que ainda o envolva (que impõe, por exemplo, certas regras para “comer convenientemente” ou que interdiz um comportamento sexual que a moral social reprova).

Mas para o “primitivo” um tal ato nunca é simplesmente fisiológico; é, ou pode tornar-se, uni “sacramento”, quer dizer, uma comunhão com o sagrado. O leitor não tardará a dar-se conta de que o sagrado e o profano constituem duas modalidades de ser no Mundo, duas situações existenciais assumidas pelo homem ao longo da sua história. Esses modos de ser no Mundo não interessam unicamente à história das religiões ou à sociologia, não constituem apenas o objeto de estudos históricos, sociológicos, etnológicos.

Em última instância, os modos de ser sagrado e profano dependem das diferentes posições que o homem conquistou no Cosmos e, conseqüentemente, interessam não só ao filósofo mas também a todo investigador desejoso de conhecer as dimensões possíveis da existência humana. Por essa razão, o autor deste pequeno livro, embora um historiador das religiões, propõe se não escrever unicamente da perspectiva da ciência que cultiva.

O homem das sociedades tradicionais é, por assim dizer, um homo religiosus, mas seu comportamento enquadra-se no comportamento geral do homem e, por conseguinte, interessa à antropologia filosófica, à fenomenologia, à psicologia. A fim de sublinhar melhor as notas específicas da existência num mundo suscetível de tornar-se sagrado, não hesitaremos em citar exemplos escolhidos entre um grande número de religiões, pertencentes a idades e culturas diferentes.

Nada pode substituir o exemplo, o fato concreto. Seria vão discorrer acerca da estrutura do espaço sagrado sem mostrar, com exemplos precisos, como se constrói um tal espaço e por que é que tal espaço se torna qualitativamente diferente do espaço profano que o cerca. Tomaremos esses exemplos entre mesopotâmicos, indianos, chineses, kwakiutls e outras populações primitivas.

Da perspectiva histórico cultural, uma tal justaposição de fatos religiosos, pertencentes a povos tão distantes no tempo e no espaço, não deixa de ser um tanto perigosa, pois há sempre o risco de se recair nos erros do século XIX e, principalmente, de se acreditar, como Tvlor ou Frazer, numa reação uniforme do espírito humano diante dos fenômenos naturais. Ora, os progressos da etnologia cultural e da história das religiões mostraram que nem sempre isso ocorre, que as “reações do homem diante da Natureza” são condicionadas muitas vezes pela cultura – portanto, em última instância, pela história.

Mas, para o nosso propósito, é mais importante salientar as notas específicas cia experiência religiosa do que mostrar suas múltiplas variações e as diferenças ocasionadas pela história. É um pouco como se, a fim de captarmos melhor o fenômeno poético, apelássemos para uma massa de exemplos heterogêneos, citando, ao lado de Homero, Virgílio ou Dante, poemas hindus, chineses ou mexicanos – ou seja, tomando em conta não só poéticas historicamente solidárias (Homero, Virgílio, Dante) mas também algumas criações baseadas em outras estéticas. Do ponto de vista da história da literatura, tais justaposições são duvidosas – mas são válidas se temos em vista a descrição do fenômeno poético como tal, se nos propomos mostrar a diferença essencial entre a linguagem poética e a linguagem utilitária cotidiana.”

Fonte: O Sagrado e o Profano de Mircea Eliade.

 

Vigorexia – Entrevista ao Câmera 11 da Record

por: Roberto Lazaro Silveira

A entrevista acima foi realizada pela TV Candelária, a Rede Record de Rondônia. Os entrevistadores foram os apresentadores Emerson Lopes e Everton Leoni.

O Câmera 11 é a revista eletrônica de maior sucesso na televisão de Rondônia. Apresentado por Emerson Lopes, Léo Ladeia e Luana Najara o programa leva notícias, opiniões, entrevistas e reportagens, tudo isso recheado de muita irreverência e bom humor. No ar de segunda a sexta , animando o horário do almoço do telespectador, o Câmera 11 inovou o jeito de se fazer televisão no Estado, unindo muita informação com alto astral e os comentários inteligentes de Léo Ladeia.

 

Introversão x Extroversão – Significado e Teste do Quati

por: Roberto Lazaro Silveira

Somos interativos por natureza e isto é comum á todos. A forma como interagimos é particular de cada um de nós, sendo assim, podemos observar características individuais em relação à maneira utilizada em nossos relacionamentos.

Os mais genéricos atributos para delimitar nosso mecanismo de lidar com os outros são a introversão e extroversão e isto faz com que grupos de pessoas tenham ações e pensamentos de forma comum, ou seja, mesmo que em intensidade e requinte diferenciados podemos ser descritos como introvertidos ou extrovertidos,  veja,

Na introversão, o indivíduo direciona a atenção para o seu mundo interno de impressões, emoções e pensamentos. Assim, observa-se uma ação voltada do exterior para o interior, hesitabilidade, o pensar antes de agir; postura reservada, retraimento social, retenção das emoções, discrição e facilidade de expressão no campo da escrita. O introvertido ocupa-se dos seus processos internos suscitados pelos fatos externos. Dessa forma o tipo introvertido diferencia-se do extrovertido por sua orientação por fatores subjetivos (pessoais) e não pelo aspecto objetivamente dado.

Na extroversão, a energia da pessoa flui de maneira natural para o mundo externo de objetos, fatos e pessoas, em que se observa: atenção para a ação, impulsividade (ação antes de pensar), comunicabilidade, sociabilidade e facilidade de expressão oral. Extroversão significa “o fluir da libido de dentro para fora.”. O indivíduo extrovertido vai confiante ao encontro do objeto. Esse aspecto favorece a sua adaptação às condições externas, normalmente de forma mais fácil do que para o indivíduo introvertido.

Uma pessoa introvertida poderá agir de forma extrovertida e vice-versa, no entanto, predominantemente irá demonstrar pertencer basicamente a um dos grupos.

Jung utilizou abrangentemente estas classificações e organizou de  forma detalhada as particularidades dentro de cada uma das atitudes – introvertida ou extrovertida – desenvolvendo uma teoria de tipificação onde cada indivíduo foi caracterizado de acordo com sua orientação: para o seu interior ou para o seu exterior. Jung confirmou que o indivíduo não é totalmente introvertido (orientado para o seu interior) ou extrovertido (orientado para o exterior).

Algumas vezes a introversão prevalece, em outras  a extroversão é mais apropriada. Ambas, no entanto, se excluem mutuamente, de forma que não se pode manter as duas prevalecendo ao mesmo tempo. Notou que nenhuma das atitudes é superior, melhor ou mais elegante em relação à outra. Jung percebeu que a ambos atuam de forma complementar na sociedade.

Cada indivíduo prevalentemente de atitude  introvertido ou extrovertido possue em comum determinadas funções psiquicas, são elas:

A Sensação

Jung classifica a sensação, como uma maneira de obter informações, diferentemente da forma de chegar a uma decisão. A Sensação se volta para a experiência direta, com detalhes, de fatos racionais, materiais. A Sensação se refere ao que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar, ouvir, e sentir materialmente. É a experiência racional e se sobrepõe sobre a dúvida ou a análise do que se experimenta.

Os indivíduos sensitivos tendem a ser imediatistas com resultados visíveis no momento, e sabem lidar, tranquilamente, com aspectos negativos. Em geral estão sempre prontos para o aqui e agora.

O Pensamento

O pensamento é uma maneira opcional de elaborar julgamentos e tomar decisões. O Pensamento, está relacionado à verdade, com julgamentos derivados de aspectos não pessoais, lógicos e não subjetivos. As pessoas que se encaixam na função do Pensamento, são reflexivas. Esses tipos  gostam de planejar e se prendem a suas idéias, planos e teorias, mesmo que por isso, sejam confrontados com idéias contrárias.

O Sentimento

As Pessoas do tipo sentimento são orientados para o aspecto emocional. Preferem emoções e experiências fortes e intensas, mesmo que negativas, a experiências que não tragam emoção. Os princípios não materiais são mais aceitos e valorizados pela pessoa sentimental. Para este tipo de indivíduo, tomar decisões deve ser de acordo com as idéias e julgamentos próprios, como por exemplo, o sim e o não, o bem e o mal, do certo ou do errado, do que agrada ou não, ao invés de julgar em termos de lógica ou racionalidade, como faria uma pessoa com a função Pensamento mais desenvolvida.

A Intuição

A pessoa intuitiva processa o conhecimento e os sinais em termos de experiências já vividas e objetivos a serem alcançados através de processos inconscientes. Os resultados das experiências são  mais importantes para os intuitivos do que a própria experiência em si. Os intuitivos obtém  e decodificam os sinais e as informações rapidamente e relacionam, automaticamente, a experiência já vivida com o que pode ser usado na experiência atual.

Então uma pessoa poderá ser predominantemente de atitude extrovertida, função psiquica avaliativa pensamento e função perceptiva intuição. Para auxiliar a descobrir como são as pessoas de acordo com os  tipos psicológicos existem testes psicológicos como o Quati por exemplo que apresenta um  questionário relativo à vários  eventos presentes em nosso  cotidiano e de acordo com as responstas às questõs fechadas trazidas pelo questionário  nosso tipo psicológico é revelado. Observe abaixo alguns dados sobreo teste do Quati – Questionário de Avaliação Tipológica.

Autor do Quati: José Jorge de Morais Zacharias
Editora: Vetor

Objetivo: O objetivo deste teste é avaliar a personalidade através das escolhas situacionais que o indivíduo faz. Apresenta, de forma geral, estilos cognitivos e estilos de comportamento. Baseado na teoria de Jung, utiliza atitudes (foco de atenção), funções perceptivas (recebimento de informações) e funções avaliativas (tomada decisões) para construção de 16 tipos psicológicos.

– Atitudes: Extroversão e Introversão;
– Funções Perceptivas: Intuição e Sensação
– Funções Avaliativas: Pensamento e Sentimento.

Finalidade e Indicação: Este instrumento foi desenvolvido para aplicação em uma população a partir da 8ª série do 1º grau. Pode ser utilizado em Seleção de Pessoal, Avaliação de Potencial, Orientação Vocacional, Psicodiagnóstico e etc.

Descrição: 93 questões

Tempo de aplicação: sem limite de tempo (em média 45 minutos).

Kit Completo:
1 Manual, 1 Caderno de Exercícios, 1 Bloco de respostas com 25 folhas e 1 Conjunto de Crivos de Correção

Parecer do CFP em 23 de maio de 2011: Favorável.

Obs: Testes Psicológicos são de uso e venda restritos ao psicólogo pela justiça. Denuncie ao Conselho de Psicologia caso saiba de aplicações e vendas ilegais.

Tipologia Junguiana Adaptada para facilitar a seleção de funcionários

Já na década de 50, após a segunda guerra mundial, Katherine Briggs Myers e sua filha Isabel Briggs Myers, que eram diretoras de uma pequena fábrica nos Estados Unidos, entraram em contato com a obra de Jung ( que estava meio esquecida ) e resolveram aplicar as suas teorias para poder contratar uma melhor mão de obra para a sua fabrica. O que de inicio era mais uma brincadeira, foi se tornando sério e elas começaram a observar seriamente as pessoas que iam contratar.

A partir desta observação prática, conversando com dezenas de candidatos ao emprego, notaram que apesar de ser muito bem escrita a obra de Jung deixava algumas lacunas, haviam mais fatores em jogo para determinar os tipos de personalidade. Então adicionaram a quarta classificação: o modo com que preferimos viver, se preferimos agir de forma expontânea ou se preferimos pensar bem antes de agir. Relativo a este critérios podemos ser julgadores ou perceptivos, veja,

Julgadores: Quem tem o tipo de personalidade julgador fica satisfeito depois que as decisões foram
tomadas, toma decisões rapidamente, fica angustiado de deixar os problemas se acumularem. Em geral não
pensa muito antes de agir, prefere se arrepender.

Perceptivos: Ficam mais satisfeitos em tomar decisões bem pensadas e mais acertadas, demoaram para
agir. Os perceptivos ficam angustiados se tem que tomar uma decisão rapidamente. Em geral pensam
bastante antes de agir, pois tem medo de se arrepender.

As empresárias criaram um indicador, o indicador Myers Briggs Type Indicator (Indicador Myers Brigs dos Tipos de Personalidade ) muito utilizado atualmente para seleção de funcionários.

 

Identifique o Gyodai

por: Roberto Lazaro Silveira

Gyodai era um personagem inimigo dos Changemans, seriado apresentado em 1988 pela rede Manchete. Os Changemans era composto por cinco integrantes do exército dos Defensores da Terra banhados pela Força Terrestre (Earth Force) e adquirem cada um os poderes de um densetsu-ju (animal lendário): Dragão (Change Dragon), Grifo (Change Griphon), Pégaso (Change Pegasus), Sereia (Change Mermaid) e Fênix (Change Phoenix).

Suas missões era lutar contra monstros espaciais. Então quando venciam o mostro, entrava em cena o famoso Gyodai que tornava gigantes os monstros vencidos.

Este personagem foi escolhido para ilustrar alguns casos clínicos que tenho tratado e estão relacionados aos conflitos que temos com outros no dia a dia e depois levamos a pessoa para casa em nossa mente e ficamos imaginando algumas possíveis respostas ou até mesmos agressões físicas e premeditando um possível reencontro para vingança.

Talvez nem veremos mais a pessoa com quem tivemos o contratempo que durou apenas minutos e ampliamos para dias meses… Então inclua este conhecimento tornando-o capaz de gerar um autoconhecimento sobre ti mesmo. Procure identificar o Gyodai dentro de você e conhecer as razões que o fazem aparecer, desta maneira será possível vencê-lo. Ja ouviu falar em fazer tempestade em copo d’agua ou tornar um probleminha um problemão? ….. são complexos identificáveis ao redor do mesmo núcleo arquetípico. Ajuda muito à derrotar o Gyodai quando assumimos a seguinte linha de pensamento: “Eu tenho valor, sou único no mundo….” Ninguém é inferior ou superior em tudo ou nada. Pense nisto!

 

Mandalas

por: Roberto Lazaro Silveira

Partindo da origem na palavra tibetana dkyil-‘khor que significa “aquilo que circunda um centro.” Um “centro” é, aqui, um significado e “aquilo que o circunda” – mandala – é um símbolo redondo que representa o significado. No entanto, nem todas as mandalas são desenvolvidas circularmente.

As Mandalas fazem parte de rituais mágicos de diversas culturas ao redor do mundo: dos induistas, dos islamicos, dos budistas, dos cristãos (nas rosetas das catedrais), e das práticas xamânicas de diversas culturas ancestrais.

São imagens ao mesmo tempo sintéticas e dinâmicas, que tendem a superar as oposições do múltiplo e do uno, do espaço-temporal ao intemporal e extra-espacial. As mandalas têm o poder de reorganizar naturalmente as energias astrais que estão ao seu redor pelo padrão simétrico e harmônico de suas formas e cores (geometria sagrada).

Estes poderosos instrumentos mágicos são utilizados na harmonização e cura de energias confusas em ambientes e também para meditação. Mandalas são também representações da psique, cuja essência nos é desconhecida.

São símbolos do nosso processo de individuação e do Self. As Mandalas inspiram serenidade e ao sentimento de que a vida reencontrou seu sentido e sua ordem.

Há muitos tipos de mandalas, usadas para várias finalidades nas práticas budistas do sutra e do tantra. Como exemplo podemos citar mandalas oferecidas em oferendas para guias espirituais equivalentes às oferendas das religiões Africanas, ou seja, com mesmo objetivo. Existem mandalas de empoderamento etc…

Os empoderamentos são crenças características de peculiares à algumas seitas ou correntes filosóficas. Ex: Três empoderamentos encontrados apenas no tantra anuttarayoga.

O empoderamento secreto é oriundo de uma mandala simbólica redonda de bodhichitta relativa (kun-rdzob byang-sems-kyi dkyil-‘khor): Está relacionado às gotas, geralmente de yogurte e chá, que servem como a base para rotular as gotas de energia sutis de bodhichitta branca e vermelha e que são dadas a saborear.

O empoderamento da consciência discriminadora profunda é proveniente de uma mandala simbólica redonda de um ventre ou útero (bha-ga’i dkyil-‘khor)

O empoderamento da palavra, é proporcionado por uma mandala simbólica redonda de bodhichitta mais profunda (don-dam byang-sems-kyi dkyil-‘khor): Esta mandala diz respeito à compreensão mais profunda da vacuidade.

O empoderamento da consciência discriminadora profunda (Kalachakra): é promovido por uma mandala simbólica redonda de bodhichitta relativa – as gotas de energia sutis que descem dentro do corpo – no lugar da mandala de um ventre ou útero como em outros sistemas anuttarayoga.

O quarto, ou o empoderamento da palavra: é conferido pela mandala simbólica redonda de bodhichitta mais profunda, como em outros sistemas anuttarayoga.

Para os leitores dotados de conhecimentos sobre arquétipos é interessante notar como estes complexos arquetípos são nutridos pelo mesmo núcleo que nutre alguns Dons do Espírito Santo, crença do Cristianismo: Discernimento de espírito – consciência discriminadora profunda, etc. No Cristianismo estes “empoderamentos” são dados de forma gratuíta conforme a graça e propósito de Deus na vida de cada indivíduo; no espiritismo é um tipo de mediunidade e assim repete-se desde os primórdios…

 

Anjos

por: Roberto Lazaro Silveira

O Senhor dotou os anjos de conhecimento, poder e mobilidade mais elevados do que aos homens. Por esses elementos descobrimos algumas características especiais capazes de fazer-nos compreender alguns aspectos da revelação bíblica e das relações pessoais com os homens. Santidade.

Os anjos são santos segundo o livro bíblico Apocalipse: Isto implica em que eles foram colocados em estados eterno de santidade (Ap. 14.10). Outros textos das Escrituras os identificam como “santos” (Mt 25.31; Mc 8.38; Lc 9.26; At 10.22) para os distinguir dos anjos caídos Jo 8.44 e 1 Jo 3.8-10.

Reverência a Deus: Uma das características principais das atividades angelicais é o louvor e a adoração (Sl 29.1,2; 89.7; 103.30; 148.2). Jesus declarou que os anjos de Deus sempre estão na presença do Pai e vêm a sua face (Mt 18.10).

De modo geral, todos os anjos de Deus o louvam e o adoram, mas há uma classe específica das hostes angelicais cuja função principal é louvar e adorar a Deus; são os serafins. Essa classe de anjos permanece ao redor do trono como servos do Todo-Poderoso, para executarem a sua vontade (Is 6.3).

Reverência: respeito e veneração marcado pelo temor. Esse temor não é o reconhecimento do poder Divino supremo.

Serviço: No livro bíblico de Hebreus os anjos são denominados “espíritos ministradores” (Hb 1.14), indicando que eles exercem serviços especiais aos interesses do Reino de Deus.

As primeiras descrições sobre anjos apareceram no Antigo Testamento. A menção mais antiga de um anjo aparece em Ur, cidade do Oriente Médio, há mais de 4.000 a.C.

Na arte cristã eles apareceram em 312 d.C., introduzidos pelo Imperador romano Constantino, que sendo pagão, converteu-se ao cristianismo quando viu uma cruz no céu, antes de uma batalha importante.

São relatados no novo testamento anjos que apareceram nos momentos marcantes da vida de Jesus: nascimento, pregações, martírio e ressurreição.

Existem muitos anjos? João em seu livro Apocalipse relata: “E olhei, e vi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos seres viventes e dos anciãos; e o número deles era miríades de miríades e milhares de milhares” (Apocalipse 5:11).

Jesus Cristo é o lider dos anjos: “Cristo está à destra de Deus, tendo subido ao céu; havendo-se-lhe sujeitado os anjos, e as autoridades, e as potestades” (1 Pedro 3:22).

Anjos oferecem proteção: “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que O temem, e os livra” (Salmo 34.7).

Existem anjos do mau: Eles lutam contra os justos.“Pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes” (Efésios 6:12).

Satanás e os seus anjos maus estão condenados: “Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Mateus 25:41).

Um erro muito comum na religião protestante que aparece também em letras de “músicas evangélicas” é relacionar as potestades e principados somente aos anjos maus, pois, exitem também potestades e principados do bem, ou seja, o diabo imita a organização celestial, pois, no passado foi um deles, ou melhor, o mais iluminado de todos e quando ficou revoltado contra Deus caiu na terra com um terço dos anjos que habitavam o céu.

O anjo do Senhor é letal: O livro de 2 Reis 19.35 recapitula como o Anjo do Senhor destruiu em uma Noite 185.000 soldados assírios, quando este exército sitiou Jerusalém.

Os anjos de acordo com a bíblia podem ser mensageiros, protetores, assassinos… São justiceiros divinos:

Os anjos executam a vontade de Deus:O próprio sentido da palavra “anjo” é mensageiro. Portanto, é função precípua dos anjos servir aos interesses de Deus, obedecendo-lhe em toda a sua soberana vontade. Mais uma vez o autor de Hebreus indica essa função angelical de serviço quando diz: “Ainda quanto aos anjos, diz: Aquele que a seus anjos faz ventos e a seus ministros labaredas de fogo”(Hb 1.7). Os escritor sagrado os destaca como “ministros” para identificar o serviço que prestam a Deus em favor dos santos em Cristo.

Os anjos cuidam e protegem os fiéis:Há um texto nos Salmos que declara que “o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra”(Sl 34.7). Elias, ameaçado de morte pela rainha Jesabel, mulher de Acabe, precisou fugir da cidade para escapar com vida. Elias fugiu para o deserto e assentou-se debaixo de uma pequena árvore chamada zimbro. Estava triste e decepcionado, por isso, pediu a morte. Deitado debaixo daquele zimbro, veio um anjo da parte de Deus e o tocou e lhe disse: “Levanta-te e come. E olhou, e eis que à cabeceira estava um pão cozido sobre brasas, e uma botija de água; e comeu, e bebeu e tornou a deitar-se. E o anjo do Senhor tornou segunda vez, e tocou-o, e disse: Levanta-te e come, porque mui comprido te será o caminho” (1 Rs 19.5-7)

Os anjos punem os inimigos de Deus: s inimigos de Deus agem de muitas maneiras, mas nada passa despercebido pelo Senhor. Houve um rei da Assíria, chamado Senaqueribe, que desafiou ao Deus de Ezequias, rei de Judá. Imediatamente Deus enviou um anjo poderoso o qual destruiu o exército assírio de 185 mil soldados. Para preservar o seu povo e o seu nome, Deus puniu aqueles inimigos (2 Rs 19.35). No período dos juízos finais da história da humanidade, os anjos serão os emissários de Deus para executarem o seu juízo contra aqueles que rejeitam a Jesus como Salvador do mundo e se constituem em inimigos declarados do soberano Senhor (Mt 13.50).

UMA POSSÍVEL HIERARQUIA ANGELICAL

Primeira Hierarquia: É formada pelos Santos Anjos que estão em íntimo contato com o CRIADOR. Dedicam-se a Amar, Adorar e Glorificar a DEUS numa constante e permanente frequência, em grau bem mais elevado que os outros Coros: Serafins, Querubins e Tronos.

SERAFINS:
O nome “seraph” deriva do hebreu e significa “queimar completamente”. Segundo o conceito hebraico, o Serafim não é apenas um ser que “queima”, mas “que se consome” no amor ao Sumo Bem, que é o nosso DEUS Altíssimo.

Na Sagrada Escritura os Santos Anjos Serafins aparecem somente uma única vez, na visão de Isaias: (Is 6,1-2)

QUERUBINS:
São considerados guardas e mensageiros dos Mistérios Divinos, com a missão especial de transmitir Sabedoria. No início da criação, foram colocados pelo CRIADOR para guardar o caminho da Árvore da Vida.(Gn 3,24) Na Sagrada Escritura o nome dos Santos Anjos Querubins é o mais citado, aparecendo cerca de 80 vezes nos diversos livros. São também os Querubins os seres misteriosos que Ezequiel descreve na visão que teve, no momento de sua vocação: (Ez 10,12) Quando Moisés recebeu as prescrições para a construção da Arca da Aliança, onde o SENHOR habitou, o trono Divino foi colocado entre dois Querubins: (Ex 25,8-9.18-19) Estas considerações atestam que os Querubins são conhecedores dos Mistérios Divinos.

TRONOS:
Acolhem em si a Grandeza do CRIADOR e a transmitem aos Santos Anjos de graus inferiores. São chamados “Sedes Dei” (Sede de DEUS).
Em síntese, os Tronos são aqueles Santos Anjos que apresentam aos Coros inferiores, o esplendor da Divina Onipotência.

Segunda Hierarquia: São os Santos Anjos que dirigem os Planos da Eterna Sabedoria, comunicando aqueles projetos aos Anjos da Terceira Hierarquia, que vigiam o comportamento da humanidade. Eles são responsáveis pelos acontecimentos no Universo. Esta Hierarquia é formada pelos seguintes Coros de Anjos: Dominações, Potestades e Virtudes.

DOMINAÇÕES:
São aqueles da alta nobreza celeste. Para caracteriza-los com ênfase, São Gregório escreveu:

“Algumas fileiras do exército angélico chamam-se Dominações, porque os restantes lhe são submissos, ou seja, lhe são obedientes”. São enviados por DEUS a missões mais relevantes e também, são incluídos entre os Santos Anjos que exercem a “função de Ministro de DEUS”.

POTESTADES:
É o Coro Angélico formado pelos Santos Anjos que transmitem aquilo que deve ser feito, cuidando de modo especial da “forma” ou “maneira” como devem ser feitas as coisas. Também são os Condutores da ordem sagrada. Pelo fato de transmitirem o poder que recebem de DEUS, são espíritos de alta concentração, alcançando um grau elevado de contemplação ao CRIADOR.

VIRTUDES:
As atribuições dos Santos Anjos deste Coro, são semelhantes aquelas dos Santos Anjos do Coro Potestades, porque também eles transmitem aquilo que deve ser feito pelos outros Anjos, mas sobretudo, auxiliam no sentido de que as coisas sejam realizadas de modo perfeito. Assim, eles também têm a missão de remover os obstáculos que querem interferir no perfeito cumprimento das ordens do CRIADOR. São considerados Anjos fortes e viris. Quem sofre de fraquezas físicas ou espirituais, deve invocar por meio de orações, o auxílio e a proteção de um Santo Anjo do Coro das Virtudes.

Terceira hierarquia: É formada pelos Santos Anjos que executam as ordens do Altíssimo. Eles estão mais próximos de nós e conhecem a fundo a natureza de cada pessoa que devem assistir, a fim de poderem cumprir com exatidão a Vontade Divina: insinuando, avisando ou castigando, conforme o caso. Esta Hierarquia é formada pelos: Principados, Arcanjos e Anjos.

PRINCIPADOS:
Os Santos Anjos deste Coro são guias dos mensageiros Divinos. Não são enviados a missões modestas, ao contrário, são enviados a príncipes, reis, províncias, Dioceses, de conformidade com o honroso título de seu Coro.

No livro de Daniel são também apresentados como protetores de povos: (Dn 10,13) Significa dizer, que são aqueles Anjos que levam as instruções e os avisos Divinos, ao conhecimento dos povos que lhe são confiados.

Porém, quando esses mesmos povos recusam aceitar as mensagens do SENHOR, os Principados transformam-se em Anjos Vingadores, e derramam as taças da ira Divina sobre eles, de forma a reconduzi-los através do castigo e da dor, de volta ao DEUS de Amor e Misericórdia que eles abandonaram propositalmente.

ARCANJOS:
A ordem tradicional dos Coros Angélicos coloca os “Arcanjos” entre os “Principados” e os “Anjos”. Pelas funções que desempenha, acreditamos que ele deve estar colocado no mais alto Coro dos Santos Anjos. Gabriel também é chamado de Arcanjo, e da mesma maneira que Miguel, através das páginas da Sagrada Escritura, vê-se que é conhecedor dos mais profundos Mistérios de DEUS, inclusive foi Gabriel quem Anunciou a MARIA que Ela estava cheia de graças e tinha sido escolhida pelo CRIADOR, para MÃE DE DEUS. Por outro lado, também Rafael é denominado pela Igreja como um Arcanjo. A respeito de Rafael, no Livro de Tobias, ele mesmo confirma que está diante de DEUS:

“Eu sou Rafael, um dos sete Anjos que estão sempre presentes e tem acesso junto à Glória do SENHOR”. (Tb 12,15)

ANJOS:
Os Santos Anjos recebem as ordens dos Coros superiores e as executam. Outro aspecto que não pode ser esquecido, é o fato de que os Santos Anjos, guardadas as devidas proporções, estão mais perto da humanidade e por assim dizer, convivendo conosco e prestando um serviço silencioso mas de valor incomensurável à cada pessoa.

DEUS inspirou o escritor sagrado do Livro Êxodo, da Bíblia Sagrada, sobre anjos:

“Eis que envio um Anjo diante de ti, para que te guarde pelo caminho e te conduza ao lugar que tenho preparado para ti. Respeita a sua presença e observa a sua voz, e não lhe sejas rebelde, porque não perdoará a vossa transgressão, pois nele está o Meu Nome. Mas se escutares fielmente a sua voz e fizeres o que te disser, então serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários” (Ex 23,20-22).

 

COMO LIVRAR-SE DAS DÍVIDAS – O ETERNO RETORNO

por: Roberto Lazaro Silveira

Eclesiastes: O nome vem da tradução grega do título – Qohelet – e quer dizer “aquele que reúne”. Ecclesia, a reunião, o grupo, é a palavra grega que vai originar a nossa “igreja”. Uma boa tradução menos literal para Qohelet é professor.

No início do livro, o professor se apresenta como filho de Davi e rei de Jerusalém. Apenas Salomão corresponde a esta descrição. Uma das interpretações é de que o Professor é um descendente de Davi; outra, que ele simplesmente atribui o texto a Salomão para ganhar credibilidade.

Ele conta que teve muitas mulheres, mas aí percebeu que isto não traz nada; conta que teve muito dinheiro, mas sobrou apenas o vazio; que trabalhou duro e também isto pouco significou. Que estudou e fez-se sábio, mas que continuava o mesmo. Tudo o que possamos fazer já foi feito, “Não há nada de novo sob o Sol”.

Ouroboros, oroboro ou ainda uróboro: Dentre as várias tentativas de explicar o símbolo existe uma complementar às percepções contidas no livro Eclesiastes e que reforça a condição arquetípica do tema, veja: Segundo o “Dictionnaire des symboles” o ouroboros simboliza o ciclo da evolução voltando-se sobre si mesmo. O símbolo contém as idéias de movimento, continuidade, auto fecundação e, em consequência, eterno retorno.

Eterno retorno: é um conceito filosófico formulado por Friedrich Nietzsche. Em alemão o termo é Ewige Wiederkunft. Uma síntese dessa teoria é encontrada em A Gaia Ciência, leia abaixo:

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio.

A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e arquétipo?”

Como utilizar estes conceitos para solucionar os nossos problemas sem medo do retorno? Destruindo os ciclos de repetição: encontrar e destruir o anel – representação do ciclo fechado. O encontro com o anel torna possível sua destruição e desta forma adentrar em um novo ciclo menos prejudicial à nossa vontade uma vez sabido que somente podemos romper com uma realidade encarando outra!

Vejamos o caso de Rock: Queixando-se de insônia por causa de dívidas.

Durante algumas sessões pude notar que quando Rock  recebia seu salário, antes mesmo de pagar as contas, já havia gasto toda a grana com coisas supérfluas e no mês seguinte o ciclo repetia-se agravando a situação.

Antes de decidir resolver o problema de forma efetiva procurou um psiquiatra que receitou alguns remédios para a insônia, logo, tratando apenas dos sintomas o resultado foi a criação de um novo ciclo: A dependência de psicotrópicos. Reforçando também o primeiro ciclo que agora conta com o preço dos remédios – que recheiam os cofres da indústria farmacêutica sem nunca ter proporcionado uma unica cura. Clique aqui para receber de graça em sua residência o vídeo “Psiquiatria uma indústria de morte“.

Agora buscando o auto-conhecimento através das sessões psicoterapêuticas, Rock conseguiu encontrar o anel, ou seja, identificou como gerava novas contas sem ter pago as anteriores e agora detinha o anel e podia quebrá-lo – fruto do auto-conhecimento obtido nas sessões em parceria com o psicólogo psicoterapêuta.

Para obter este auto-conhecimento Rock encarou momentos difíceis durante a terapia que teve como objetivo demonstrar sua oralidade (condição de compensação para as frustrações ocorridas na construção de seu caráter) que estará presente durante toda sua vida, pois, é uma estrutura de personalidade predisposta aos excessos como defesa.

Rock estabeleceu uma meta: pagar as contas antigas sem gerar novas contas: logo que percebia o pagamento em seu notebook acessando o site do banco, Rock recolhia os boletos mais antigos de sua gaveta e pagava todos eles até 80% do salário e notava que com os outros 20% restantes dava para passar o mês, pois, era parte de suas metas não dar entrada em algo supérfluo novo que fortaleceria o ciclo anterior impedindo de quebrá-lo.

Quanto ao ciclo gerado em sua primeira tentativa de livrar-se das dívidas: o uso de psicotrópicos, Rock foi orientado a trabalhar a respiração através de exercícios de bioenergética ou Terapia Bioenergética Corporal. Antes de dormir ao invés de tomar os psicotrópicos deveria respirar profundamente: inspirar o ar utilizando-se do músculo diafragma e toda extensão do tórax e expirá-lo vagarosamente durante algumas repetições.

Ao final de alguns meses Rock havia terminado de pagar todas as dívidas e agora além de “dormir como uma pedra” encarava novos ciclos de vida menos prejudiciais à sua saúde. Livrou-se do ciclo das dívidas e dos psicotrópicos; Encontra-se no ciclo de compras somente à vista e também no ciclo da vigília, pois, agora sabe que sua estrutura de personalidade tende à traí-lo a qualquer momento.

Você é capaz de lembrar-se da história do “Senhor dos Anéis”?: “Mas aquele não é um anel comum, pois pode restaurar o poder de Sauron, o Sombrio Senhor de Mordor, e conseqüentemente lançar a Terra Média em escravidão. Para evitar isso, Frodo deve devolver o anel ao lugar onde foi forjado e assim destruí-lo.”

Mitanálises… Devolver o anel ao lugar onde foi forjado: No caso de Rock o anel foi forjado… F I M!

 

Afrodite

por: Roberto Lazaro Silveira

Na mitologia grega Afrodite – Αφροδίτη – era a deusa do amor, da beleza corporal e do sexo. Para os gregos, ela tinha uma forte influência no desenvolvimento e prazer sexual das pessoas. Era considerada também a deusa protetora das prostitutas na Grécia Antiga. Foi cultuada nas cidades de Esparta, Atenas e Corinto.

Nascimento e relacionamentos

De acordo com a mitologia, Afrodite nasceu na ilha de Chipre. Filha de Zeus (deus dos deuses) e Dione (deusa das ninfas), casou-se com Hefesto (deus do fogo). Porém, em função de suas vontades e desejos, possuiu vários amantes (homens mortais e outros deuses). Chegou a ter um filho, Enéias (importante herói da Guerra de Tróia) com o amante Anquises.

Principais filhos de Afrodite:

– Com Hermes (deus mensageiro) teve o filho Hermafrodito.
– Com Ares (deus da guerra) teve os filhos Eros (deus da paixão e do amor) e Anteros (deus da ordem).
– Com Apolo (deus da luz, da cura e das doenças) teve o filho Himeneu (deus do casamento).
– Com Dionísio (deus do prazer, das festas e do vinho) teve o filho Príapo (deus da fertilidade).

Na mitologia romana, Afrodite era chamada de Vênus.

Esta deusa inspirou vários artistas (pintores e escultores), principalmente, na época do Renascimento Cultural. Uma das obras mais conhecidas é “O nascimento de Vênus” do pintor renascentista italiano Sandro Botticelli (figura no topo do artigo).

Acima uma manifestação de Afrodite. Observe que “transmite o recado”, pois, como não há nada de novo abaixo do sol, então a condição arquetípica manifesta-se de forma complexa – não observamos arquétipos e sim complexos com núcleos arquetípicos – e este complexo veste-se com as roupas fornecidas pelo momento sócio-histórioco-cultural, observe “Afrodite” no paradigma Afro – Afro-Afrodite!

 

Mitología Nórdica

por: Roberto Lazaro Silveira

 

Seres Mitológicos

por: Roberto Lazaro Silveira

 

Sonho com

por: Roberto Lazaro Silveira

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ÉBANO- Madeira escura quase negra e que possui um vínculo entre este símbolo e o Inferno, Plutão e Hades. EDIFÍCIO- Simboliza a estruturação de uma forma no inconsciente. A imagem de dois grandes edifícios unidos por uma ala em comum simbolizam o arquétipo do Si-mesmo. EIXO- O Eixo do Mundo (Áxis Mundi) costuma ser simbolizado pela árvore, pela montanha, pelas colunas, pela lança ou ainda pelo mastro. Para os germânicos, o Freixo Universal Yggdrasil é o Eixo do mundo. ELEFANTE- A rainha Maya, mãe de Buda, da mesma forma que Maria recebeu a visita do Espírito Santo quando da concepção de Cristo, sonhou que um elefante branco entrou em seu ventre na noite em que concebeu o Salvador. Um mito antigo conta que houve época em que os elefantes podiam voar e mudar de forma como nuvens. As trombas ameaçadoras de um elefante em sonhos, podem ter um caráter sexual pelo aspecto fálico e podem ainda estar exprimindo um conflito erótico. Freqüentemente, os elefantes são considerados como sendo símbolo da castidade. ELFO- Símbolo das forças ctônicas e noturnas que assustam os homens. EMBRIAGUEZ- Simboliza o contato com o outro mundo, posto que esse estado é considerado uma via de acesso ao inconsciente. EMBRIÃO- É uma imagem que significa todas as potencialidades e possibilidades do vir-a-ser. ENCRUZILHADA- Símbolo do local de passagem de uma vida a outra e de contato com o destino. É o local apropriado para que as pessoas se libertem das cargas que lhe são nocivas. Essa imagem em sonhos, simboliza que o ego vígil está passando por um momento difícil e que é preciso que tome uma decisão que corresponda à uma direção. ENGUIA- Simboliza tudo aquilo que é escorregadio. ENXOFRE- Nos tratados alquímicos, ele simboliza o princípio gerador cuja base ou princípio é similar ao do fogo. EREMITA- Essa imagem simboliza o arquétipo do Velho Sábio, o centro ordenador da psique, qual seja, o SELF. ESCADA- É um símbolo de ascensão, de elevação gradual ou evolução, de valorização e de razão. Por vezes ela simboliza o “Eixo Cósmico”, a escada em ascensão aos níveis celestes. Subir uma escadaria em sonhos poderia estar simbolizando que o ego vígil está procurando encarar seus problemas e conflitos de uma perspectiva mais ampla e mais abrangente do que a meramente pessoal, procurando olhá-los através da dimensão da eternidade. Nos ritos de iniciação encontramos a escada planetária de 7 degraus, sendo que o último é considerado como sendo o degrau da iluminação, que indica o processo de transformação anímica. A escada pode estar simbolizando também o erotismo; a ascensão do desejo até o orgasmo. ESCAMA- É considerado um símbolo sexual, similar à vulva. ESCARAVELHO- Besouro egípcio, que simboliza o ciclo do sol e a ressurreição. ESCUDO- É um símbolo de proteção passiva. ESFOLAMENTO- As imagens de esfolamento em sonhos, podem corresponder simbolicamente a transformação do ser humano, tal como a mudança de pele ou o corte de cabelo; elas se referem a metamorfose porque poderá estar passando o ego vígil. É o desnudar do homem interior através da extração de sua pele. O significado principal de tais imagens é de transformação espiritual, pelo que podem ser associadas aos ritos de iniciação. ESMERALDA- Na tradição alquímica era considerada um símbolo de Hermes e representativa do conhecimento secreto. Simboliza uma fonte de força e vida nova, além de possuir um caráter de imortalidade que a associa ao SELF. Diz-se que o Graal havia sido talhado à partir de uma esmeralda que caíra da fronte de Lúcifer, na região que corresponderia ao seu terceiro olho. ESPAÇO- O espaço fechado e muitas vezes cercado, no qual acontece algo misterioso, simboliza o recipiente alquímico onde processa-se a transformação da psique, é um espaço sacro, similar ao temenos onde podemos reverenciar nossos deuses interiores. ESPADA- É um símbolo da força solar, do falo, da criação e do Logos. Na cerimônia da missa a espada simboliza o Logos, e no Apocalipse, ela é o próprio Logos. A espada flamejante diante do Jardim do Éden é explicada na alquimia como a Cólera de Deus, e no sistema gnóstico, ela representa a Paixão que separa a terra do paraíso. Para o cavaleiro medieval, a espada era considerada sagrada, um instrumento de deus e era através dela que ele operava. No Budismo, o Samurai japonês também considerava a espada sagrada pois na sua visão é através dela que o DHARMA se cumpre. ESPELHO- É um símbolo do saber, do auto-conhecimento e da consciência tendo como resultados, a verdade, a clareza e a reflexão. Em sonhos pode simbolizar a aspiração do auto-conhecimento. É considerado como sendo um símbolo lunar e feminino que simboliza o conhecimento sem mácula de si mesmo. O espelho intacto funciona como símbolo de união, enquanto que o espelho partido, é um símbolo de separação. ESPERNEAR- O ato de espernear possui uma simbologia de caráter eminentemente sexual e pode estar simbolizando a reentrada no ventre materno. ESPIGA- É considerada como um símbolo do crescimento e da fertilidade, que é ligada ao culto de Deméter. ESPINGARDA- Em sonhos, possui uma simbólica que à liga a questões de natureza sexual e que simboliza um conflito erótico. O seu símbolismo é fálico. ESPINHO- Simboliza a defesa exterior do ser humano. ESPIRAL- É um símbolo feminino, de fecundidade, que evoca o caráter cíclico de evolução, qual seja, a viagem da alma depois da morte. ESPÍRITO- A mudança psíquica repentina que afeta a personalidade simboliza que um complexo autônomo irrompeu do inconsciente, quando costuma ser diagnosticado como um “espírito invasor”. ESQUARTEJAMENTO- Essa imagem pode simbolizar um renascimento, uma vez que através da fragmentação a vida tem oportunidade de recompor-se. ESQUELETO- É considerado um símbolo da operação alquímica da putrefactio. ESTÁBULO- Essa imagem evoca a idéia de nascimento. ESTÁTUA- A palavra grega para estátua é “ANDRIAS”, que é sinônima de “ANER”, homem. A palavra Andrias designa a estátua de pedra em forma humana. Pode-se ler em textos maniqueístas: “No derradeiro dia ressurgirá o Andrias, e na hora em que ressurgir, o Mal bradará. A primeira rocha no mundo é esse Andrias de glória, o homem perfeito que foi chamado à glória. Ele carregou o mundo inteiro e foi aquele que arcou com todo o peso”. Quando surgem em sonhos imagens de pessoas petrificadas podem estar simbolizando complexos ou partes de nossa própria personalidade que se cristalizaram. Os sonhos com estátuas podem estar nos falando ainda de um encontro com a divindade. Entre os mandenos, a figura do Antropos é ainda hoje chamada de estátua e esses sonhos podem estar simbolizando então, o encontro com a totalidade da psique quando são considerados como sendo uma imagem divina. ESTATUETA- Simboliza uma das etapas do ritual de iniciação. ESTERCO- Na alquimia é considerado um símbolo da prima-matéria, análogo às fezes humanas. ESTRELA- No Egito, a alma Ba, a parte imortal que sobrevive depois da morte era representada por uma estrela. Cristo era por vezes cognominado de Estrela da Manhã, enquanto os imperadores romanos, acreditava-se que ao morrerem, transformavam-se em estrelas. É sempre um indício de destino individual escolhido, o que há de único num homem, é um sinal típico do herói, principalmente quando na testa que representa o núcleo eterno da psique, o homem eterno em nós. As constelações das estrelas eram utilizadas para definir a essência de uma personalidade, e o exato momento em que um ser humano vem ao mundo é considerado o símbolo da sua essência. O aparecimento de uma estrela em sonhos pode estar indicando a proximidade de um nascimento. EUCARISTIA- Na liturgia da missa é um símbolo do processo de individuação, sendo uma reminiscência da antiga festa da lua nova que era dedicada à deusa, e onde bolos em forma de lua e libações em sangue eram servidos para permitir o fortalecimento da vida. FACA- É considerada um instrumento de sacrifício, além de poder ser considerada como sendo um símbolo da mente que repele qualquer convicção tida como tradicional É o emblema da lua cheia na China. FAISÃO- É um símbolo do despertar masculino, além de ser considerado um pássaro mensageiro. Ele simboliza a luz, donde é uma imagem ígnea. FALCÃO- Era considerado como sendo a própria encarnação de Hórus no Egito e é um símbolo masculino, solar que sobrepujou o feminino, lunar na passagem do matriarcado para o patriarcado. FERA- Quando em sonhos vemos a imagem em que o ego onírico aparece acariciando uma fera, o simbolismo é de que algo deixou de ser preso de uma emoção negativa por parte do ego vígil, e pode agir de uma forma redentora. FERIDAS, pústulas – Essa imagem em sonhos simboliza os complexos acirrados , negligenciados, que estão a romper na consciência. FERRADURA- É considerada um símbolo da sorte e da proteção contra o mal. FERREIRO- A imagem do ferreiro simboliza aquele que é capaz de fazer o fogo, aquele que cria, o gerador. É um símbolo que evoca transformação e através dela a criação. Ele é o próprio demiurgo, capaz de forjar o cosmos, um símbolo do pai do divino, uma vez que embora podendo por si mesmo não ser divino, é capaz de criar o divino, a obra-prima. FERRO- É considerado o símbolo do deus Marte e da guerra, além de ser o material tradicional para se prender demônios posto que tem a capacidade mágica de afugentar demônios e bruxas, assim como é considerado portador de um poder curador mágico em todos os países agrícolas da Europa. O ferro assim como o chumbo são símbolos da operação alquímica da nigredo, que numa outra etapa transforma-se na prata, na albedo, no reino do princípio feminino e numa fase posterior, transforma-se na rubedo, a fase vermelha, de onde surge o ouro. Simboliza dureza e obstinação. FEZES, EXCREMENTOS e MAUS ODORES- são símbolos da putrefactio. Em sonhos imagens com vasos sanitários sujos ou que deixam escapar excrementos são comuns em pessoas de mentalidade puritana e podem estar se referindo aos aspectos que o ego vígil consideraria vis em sua personalidade. Contudo, as fezes também são consideradas um símbolo da COAGULATIO pois elas se constituem na primeira manifestação concreta do poder criativo individual, portanto elas são por vezes consideradas como sendo a prima-matéria da alquimia, aquela que acaba por transformar-se no Ouro Alquímico. A Coagulatio é o estágio alquímico que produz o ouro e por isso, as fezes por vezes na alquimia são análogas ao ouro. FIAR, TECER, TRICOTAR, etc…- A fiandeira no Oriente é denominada de “tecedeira” ou maya e é ela que gera as ilusões. Na antigüidade, tinha-se que o destino de cada pessoa era tecido como uma roupa, destino esse que confinava a pessoa estabelecendo limites determinados à priori. A atividade de fiar representa os devaneios e desejos e tanto a roca como o ato de fiar são considerados símbolos de Wotan, de Erda, das Moiras, das Nornas e das Parcas. FICUS- É considerada a árvore mais sagrada na Índia. Segundo a tradição védica, diz-se que Brahma, Vishnu e Maheswar vivem nela, sendo ela portanto considerada como sendo um símbolo da trindade. FIGUEIRA- É uma árvore que simboliza a abundância, e também a imortalidade. Era considerada como sendo um símbolo sagrado de Rômulo, na Roma antiga. FILHO- É através da imagem do filho que o pai encontra a promessa da imortalidade e a possibilidade de concretizar os sonhos que não chegou a realizar. A imagem do filho-amante, simboliza o anseio pelo renascimento por meio de um retorno ao ventre materno, para que à partir daí então, possa vir a conquistar a imortalidade, tornando-se o próprio princípio solar. De qualquer forma, essa imagem nos remete à simbólica da eternidade, da continuidade e do potencial de realização através da existência do filho. FLAMINGO – É um pássaro rosado de grande porte que é um símbolo da alma em ascensão para o encontro com a luz. FLECHAS- A flecha é um símbolo da libido, a energia psíquica disponível de forma que o ferimento com a própria flecha simboliza um estado de introversão; enquanto que o ato de cravar a flecha em si mesmo é um ato de união consigo mesmo, é como um abandonar o mundo exterior. O ato de ser flechado é um símbolo da luta pela independência pessoal. A imagem de flechas pode estar simbolizando tanto o ato de gerar filhos como os próprios filhos. Em árabe, fazer flechas afiadas significa gerar filhos valentes e os chineses, quando querem anunciar o nascimento de filhos, penduram um arco e uma flecha na frente de sua casa. Mitra faz a água brotar da rocha com sua flecha. Pode simbolizar ainda a comunicação entre o céu e a terra, além da morte súbita. É análoga ao raio solar, fálica e fecundante podendo referir-se à realizações afetivas. Eros usava suas flechas para que os homens se apaixonassem, e a emoção do sentir-se apaixonado de forma súbita, nos deixa com a impressão de que fomos flechados. As flechas costumam ainda simbolizar o fenômeno da ProjeçãO pois no momento em que somos atingidos por uma ProjeçãO, temos a nítida sensação de que fomos atingidos por um estado de espírito semelhante à um raio, ou à uma flechada. No Velho Testamento, a Paixão sexual é descrita como uma flecha que traspassa o fígado do homem. Elas são portanto, em todas as ocasiões, um símbolo da energia psíquica projetada. FLOR- A flor é o símbolo usual da virgindade, tanto que a perda da virgindade é chamada de defloração. Em sonhos, a imagem de um crescimento miraculoso de flores ou de vegetação, é uma evidência da proximidade da conjunctio. A flor por vezes, é considerada como sendo um símbolo da alma. FLORESTA- É sempre considerado um símbolo do inconsciente, é o local onde vivem os animais selvagens que correspondem aos nossos instintos e onde podemos nos deparar com o desconhecido, o ignoto. FOCA- Simboliza a virgindade como decorrência da esterilidade afetiva da pessoa. FOGO- Costuma simbolizar tanto a purificação como a transformação, pois ele é o grande agente das transformações pelo seu caráter de simbolizar as emoções, tanto que aquilo que resiste ao fogo tem o caráter da imortalidade. Sem o fogo da emoção nenhum desenvolvimento ocorre e nenhuma conscientização maior pode ser alcançada, ele é considerado um símbolo da consciência e no Êxodo, as tribos comandadas por Moisés foram guiadas por uma coluna de fogo durante a noite que foi denominada de TOCHA ARDENTE, é um tipo de libido, consciente e criativa. Existe uma tendência geral de se estabelecer um paralelo entre a produção de fogo e a sexualidade, tanto que ele pode estar representando o inferno resultante da vivência da Paixão. O pramantha como instrumento do Manthana (o sacrifício de fogo) entre os hindus, tem um significado sexual; o pramantha representa o falo ou o homem e o pau furado colocado embaixo é a vulva ou a mulher, sendo que o fogo gerado é a criança, o filho divino AGNI. No culto, os dois paus chamam-se pururûvas e urçavi e são símbolos do homem e da mulher; do órgão genital da mulher nasce o fogo da sexualidade que é um dos conteúdos psíquicos de maior carga afetiva. Na alquimia, o fogo da calcinatio é um fogo purgador, embranquecedor que atua sobre a matéria negra, símbolo da nigredo, tornando-a branca., a albedo. Dentro do simbolismo alquímico, ele também era uma imagem da participação do indivíduo no trabalho pois para que a transformação se processasse era preciso atenção ao fogo que deveria sempre manter- se aceso. O que é purificado pelo fogo, torna-se de forma bastante literal, sagrado, e quando uma criatura “espiritual” é queimada a cremação lhe confere o corpo, posto que esse elemento era considerado o veículo conector entre os reinos divino e humano, a própria inspiração através do espírito. Existe também em relação ao fogo a imagem que simboliza o grande destruidor, como pode inclusive ser visto em vários mitos posto que ele tanto pode nos queimar como nos iluminar. Nos tempos primitivos era o principal método de sacrifício aos deuses. Os sonhos em que cidades são queimadas ou ainda, que nossa própria casa é queimada, costumam indicar que um afeto nos possuiu e tornou-se completamente fora de controle. Ele mostra a intensidade da tonalidade afetiva e por isso é uma expressão da energia psíquica que se manifesta como libido. FOGUEIRA- É um símbolo da própria vida que pode ser vista como uma fogueira, a arder eternamente. FOICE- Simboliza a morte, e no arcano número treze do Taro, vemos a imagem de uma caveira com uma foice na mão, e o nome dessa lâmina é “A Morte”. Só que a morte contudo, nem sempre pode ser entendida em seu sentido literal, pois muitas vezes é imagem de um renascimento, quer através de uma transformação provocada por situações profanas quer através de uma iniciação. A mudança de cunho psicológico num indivíduo pressupões sempre a morte em sentido figurado para o conseqüente renascimento. FONTE- Simboliza o acesso ao inconsciente que pode ser simbolizado através da imagem do mundo subterrâneo, cujo portal de entrada é a fonte, um símbolo materno. Existe ainda uma conexão entre a fonte, a juventude e a imortalidade sendo que sua é equiparada ao elixir da vida dos alquimistas. O Paraíso terrestre costuma ser simbolizado por um jardim quadrado, murado, contendo uma fonte no centro. Portanto, podemos também entender a fonte como uma imagem do SELF. A fonte é um símbolo feminino, materno, de origem da vida. É uma imagem da alma, da gnose, do centro, da individuação. FORMIGAS- são consideradas símbolos dos instintos e encontram-se relacionadas ao sistema neuro-vegetativo e por vezes são associadas à vulva. Simbolizam ainda a atividade permanente. FORNALHA- É considerada um símbolo da mãe, assim como o forno. FORNO – É considerado um símbolo do seio materno, ao mesmo tempo que da metamorfose, pois é nele que algo oriundo da natureza deve ser transformado e servir de alimento ao homem. O forno de fundição dos alquimistas significa o ventre, e o alambique ou recipiente, o útero. FORTALEZA- Simboliza o refúgio interior do homem. FUNCHO- É considerado um símbolo de rejuvenescimento espiritual. FUSO- É considerado um símbolo da morte. FUTURO- Em sonhos, as imagens de um outro mundo, de uma outra dimensão ou de um lugar exótico, costumam simbolizar fatos relativos ao futuro do sonhador. GAFANHOTO- Por sua característica de causador de destruição das plantações, a sua imagem simboliza os aspectos destruidores da personalidade do indivíduo. GALHO-(ver vara, bastão) GALO- É considerado um símbolo do tempo, além de possuir um princípio solar, masculino, que aparenta altivez. Os sonhos em que o ego onírico aparece representado na imagem do galo, certamente deverão estar se referindo aos aspectos de soberba da personalidade do ego vígil. GANSO- Na Grécia antiga representava um aspecto especial da Mãe-Natureza ou a deusa da natureza, Nêmesis. Era ainda considerado como sendo um mensageiro do mundo espiritual. GARÇA- É considerada como sendo um dos símbolos de Cristo e no Egito era tida como pássaro sagrado. GARRAFA- É considerada como sendo um símbolo da sabedoria e do conhecimento não generalizado de algum conteúdo. GATO- É considerado um animal feminino pois representa tanto o espírito da natureza capaz de criar canções folclóricas e contos de fadas, como o negro feminino, aquele aspecto que nos é bastante familiar através das bruxas. É dessa forma associado à natureza instintiva da mulher, ao prazer e refinamento. É um símbolo da clarividência e dos poderes mediúnicos. GAVIÃO- Símbolo da rapina, do roubo e da caça. GAZELA- Tem a característica de simbolizar a alma humana quando a procura de Deus e é considerada como sendo uma imagem do ideal espiritual. Na Índia, é vista como sendo um símbolo de Prana, o Senhor dos Ventos. GÊMEOS- Simbolizam a dualidade e se constituem por vezes numa imagem análoga a encruzilhada, normalmente na mitologia eles encontram-se como uma representação do arquétipo da sombra, onde um sempre possui as características que faltam ao outro. Essa imagem quando aparece em sonhos, está simbolizando que o ego vígil ainda não atravessou o momento que tende a se apresentar como uma encruzilhada em sua vida. GÊNIO- Nas tradições antigas o gênio simbolizava o duplo de cada homem, cumprindo a função de Anjo da Guarda ou conselheiro. É o ser espiritual que habita dentro de cada indivíduo. GNOMOS- são poderes invisíveis mas que são capazes de materializar qualquer coisa que seja invisível, além de serem considerados como sendo um símbolo dos lampejos de consciência e das revelações que ocorrem usualmente aos seres humanos. Esses seres que habitavam o subsolo eram donos de grandes tesouros em pedras e metais preciosos, num simbolismo do potencial que jaz escondido em nosso inconsciente. GOLFINHO- Essa imagem costuma aparecer em sonhos evocando os poderes de transfiguração. GRALHA- Simboliza o princípio feminino. GRILO- Esse inseto simboliza a vida, a morte e a ressurreição, e costuma-se dizer que a aparição do grilo simboliza a perspectiva da felicidade. GRUTA- Nas diferentes partes do mundo, as grutas e cavernas costumavam ser usadas para a execução de ritos iniciáticos. É uma imagem do feminino, ligada as deusas da terra, à concepção e ao inconsciente. GUARDA-CHUVA- Quando em sonhos aparece uma imagem em que o ego onírico se encontra sob a proteção do guarda-chuva, simboliza que o ego vígil está tentando proteger-se das possibilidades e das responsabilidades. HIDRANTE- Essa imagem em sonhos aparece simbolizando temas sexuais resultantes dos conflitos eróticos do ego vígil. HIEROS GAMOS- Simboliza o casamento sagrado, a união da deusa com o deus, a conjunctio superior, sendo que é uma imagem arquetípica cuja necessidade psicológica que se encontra simbolizada neste rito é o movimento da psique em direção à totalidade, cujo equivalente mais próximo nos tempos atuais é o sacramento do matrimônio. Dentro do contexto da prostituição sagrada nos templos das deusas da lua, era a reconstituição do casamento da deusa do amor e da fertilidade com o seu jovem amante, o viril deus da vegetação. A prostituta sagrada neste ritual simbolizaria então o útero fértil da deusa, sua paixão e sua natureza erótica. HOMEM NEGRO- Essa imagem em sonhos costuma ser uma representação da sombra do ego vígil, no caso de um homem. limites que o destino fixou para a pessoa. Ela pode ser considerada o grande dom humano que faz com que os homens ultrapassem os limites que o destino fixou para a pessoa humana, mas por outro lado, pode ser o grande castigo pois pode ser um fator gerador de inflação. IGREJA- É um dos símbolos do SELF, um símbolo feminino ligado ao arquétipo da Grande-Mãe e cujo significado básico é o de ventre materno. ILHA- É um símbolo feminino que representa uma área insulada da psique sobre a qual o indivíduo possui um conhecimento limitado pois não consegue ligação com o resto da personalidade consciente uma vez que está contida pelo mar, num simbolismo que se refere a parte inconsciente da psique. É portanto um símbolo de isolamento. Na mitologia a imagem da ilha nos remete simbolicamente ao Paraíso Perdido. INCÊNDIO- A imagem em sonhos em que o ego onírico aparece como incendiário podem ter um simbolismo que nos remete a masturbação. INCESTO- Quando em sonhos, a imagem do incesto pode estar simbolizando o processo de imdividuação e é considerada como um símbolo em que o ego vígil está procurando estabelecer um relacionamento entre a sua psique consciente e a inconsciente, o que faz ele poder ser considerado como sendo um símbolo da conjunctio uma vez que o ego vígil esta num processo de aprofundar-se em si mesmo, para fins de renascimento. INUNDAÇÃO- Os sonhos com inundação costumam referir-se à operação alquímica da Solutio e podem representar uma ativação do inconsciente que ameaça dissolver a estrutura estabelecida do ego e reduzi-lo à prima-materia. são os instintos, as imagens e os anseios caóticos que surgem do inconsciente e que na proporçào de uma inundação quebram as amarras individuais. As grandes transições da vida costumam ser simbolizadas por experiências de Solutio pois uma ameaça de inundação vinda do inconsciente pode ter um efeito saudável sobre o ego, trazendo a consciência da necessidade de relacionamento com o transpessoal. A imagem da inundação, assim como a do dilúvio e a do batismo sempre traz implícita uma simbologia de renovação e renascimento. INVASÃO- As imagens em sonhos em que homens entram no quarto ou na casa do ego onírico ou ainda que homens agressivos o perseguem, podem estar simbolizando o sentimento de vulnerabilidade e desproteção por parte do ego vígil. JANELA- Simboliza a receptividade e a abertura para as influências vindas de fora. A janela pode ainda ser considerada como sendo um símbolo da consciência. JARDIM- O jardim em forma de mandala é uma imagem do Si-Mesmo e representa nesse caso, a unicidade original entre o ego, a natureza e a divindade, tanto que a imagem do jardim nos reporta normalmente ao tema do Paraíso. O jardim da frente da casa é tido contudo, como sendo um símbolo da consciência. JARDINEIRO- Essa imagem simboliza aquele que conhece as exigências da natureza. No mito Cristão, Maria Madalena viu Cristo ressuscitado, mas pensou tratar-se do jardineiro. JAVALI- Na mitologia germânica é um dos símbolos de Wotan; na mitologia hindu é um dos símbolos de Vishnu. Na mitologia grega, quando do episódio da morte de Adônis, aparece como sendo um símbolo de um dos aspectos da natureza de Afrodite, a mãe-amante em seu aspecto animal, violento e destruidor, que tanto é capaz de criar como de tomar a vida; no mito de Ártemis, corresponde à natureza agressiva, feroz e destruidora da deusa quando contrariada em seus afetos. No mundo cristão, pode ser visto como um símbolo do demônio. JOGAR- Em sonhos a imagem em que o ego onírico joga alguma coisa contra outra pessoa, pode simbolizar que o ego vígil sente um afeto destrutivo pela pessoa em questão. JUMENTA- É considerada como sendo um símbolo da paz, da paciência e da humildade. LABIRINTO- Em todas as culturas, o labirinto tem o simbolismo de representação confusa da consciência matriarcal, do inconsciente e este universo só pode ser transposto por aqueles que encontram-se preparados para fazer uma jornada ao universo do inconsciente coletivo. Seu acesso portanto, só é viável ao iniciado que conhece de forma antecipada os planos, uma vez que o seu centro é reservado à ele. O labirinto conduz o homem ao seu próprio centro interior. LADRÃO- Essa imagem costuma aparecer em sonhos simbolizando algo que está entrando no âmbito de nossa psique consciente, algo destrutivo que invade nosso sistema psíquico. LAGARTO- É considerado como sendo um dos símbolos transcendentes de profundidade posto que combina uma atividade sub-aquática com a vida terrestre. que assustam as crianças. LÂMPADA- Costuma aparecer para simbolizar a iluminação interior sendo que no Oriente, simboliza a Iluminação advinda da Sabedoria de Alá. LANÇA- É um símbolo solar, masculino, fálico. LANTERNA- Simboliza a iluminação e a clareza de espírito. LAREIRA- A terra assim como a lareira são consideradas como sendo símbolos do lar. Na mitologia grega, a lareira é considerada como o altar da deusa-virgem Héstia onde tanto a lareira como a dona dela sÔo consideradas como uma única coisa. O nome Héstia significa lareira e é derivado da raiz sânscrita VAS, que significa “brilhante”. Como o fogo é considerado um elemento puro e divino, ele confere santidade a imagem da lareira. LEÃO- No cristianismo simbolizava São Marcos; na mitologia egípcia era um antigo símbolo da ressurreição nos rituais fúnebres; no simbolismo medieval era considerado um agente da ressurreição; na simbologia alquímica é a divindade que encerra em si o mistério da morte e renascimento, além de que representava o rei em sua forma pós-mortal. Ele era o guardião do mundo subterrâneo. Quando aparece uma imagem do herói lutando com o leão é comum que se encontre desarmado posto que esse é um símbolo de sua luta consigo mesmo. Em sonhos quando ele aparece, sabe-se que a personalidade acha-se confrontada com fortes e apaixonados desejos, paixões e afetos que tornam-se mais forte que o próprio ego. O leão é o sol inferior, uma representação teriomórfica do princípio masculino que representa a natureza ctônica, o aspecto terreno do símbolo do rei. Encontra-se ainda associado à concuspicência e ao orgulho além de ser um animal combativo mas que pode sugerir impulsos agressivos saudáveis. Quando aparece nas imagens das deusas da lua, é uma representação da natureza voraz da deusa. LEITE- Na Grécia e em Roma tinha o simbolismo de apaziguador dos deuses subterrâneos, aos quais se dava leite nas cerimônias de sacrifícios. Aos deuses de cima, dava-se vinho. O leite nos dá uma idéia ainda de nutrição, e possui essa simbólica para os iniciados, aqueles que “nascem novamente”, é um sinal de renascimento divino no homem. Nas orgias de Dioniso na montanha, os mánadas bebiam leite e mel que também se constituíam na comida para os renascidos nos primeiros batismos cristãos. LOBO- Na mitologia germânica era considerado como sendo um dos animais de Wotan; na mitologia grega pertencia à Apolo o deus do sol, o princípio da consciência. Era ainda considerado como sendo um animal de todos os deuses da guerra. Quando em sonhos de mulheres, a figura do lobo pode representar o animus ou a atitude devoradora que as mesmas podem ter ao serem possuídas por ele, pois em seu aspecto negativo ele é um animal bastante destrutivo, que simboliza o princípio do mal e do demônio.. O lobo é tido como um elemento feminino que vive ansioso pelo peito e que quer constantemente que lhe retirem a sensação de fome, e podendo então aparecer a sua imagem simbolizando uma paixão regressiva. LUZ- É um dos símbolos da consciência e mostra também a intensidade da tonalidade afetiva, sendo uma expressão da energia psíquica que se manifesta como libido. Os povos essênios viam a luz como uma fôrça espiritual e o sêmem e o sangue menstrual como a substância dessa fôrça; ela sempre foi associada a divindade, ao espírito ou a vida santificada. Sendo a luz associada à força criadora podemos entender também por luz, o sêmem, que é a substância que contém o princípio criador. MACACO- Simboliza uma caricatura animalesca, uma imagem desprezível do homem. MADASTRA- Essa imagem pode estar simbolizando o papel destrutivo do inconsciente. MADRUGADA- Em sonhos pode simbolizar um aumento da consciência do indivíduo. MAGIA- Os sonhos com magia podem estar simbolizando o desejo de proteção do ego contra algum conflito que se aproxima. MÁGICO- Essa imagem pode simbolizar o mais primitivo grau de desenvolvimento da consciência quando o seu portador tem as características de um sombrio deus pagão, ou o aspecto sombrio de Deus. É um símbolo que diz respeito as forças animais ou as demais forças do inconsciente; correspondendo ainda a figura paterna negativa, o princípio masculino da mãe, ou seu animus. MAL- Os sonhos com o mal parecem estar de alguma forma associados ao arquétipo da sombra. MALFEITOR- Essa imagem em sonhos de uma maneira geral aparece como uma personificação de características nossas inconscientes que pertencem ao arquétipo da sombra e que uma vez não reconhecidas são passíveis de projeção. MANTO- Os sonhos em que o ego onírico aparece envolto num manto, podem estar simbolizando a insegurança do ego vígil frente à vida. MAR- Simboliza de um modo geral o inconsciente coletivo pelas suas profundezas insondáveis e por imediatamente ser associado à água mas pode ainda estar representando, quando essa imagem aparece em sonhos, a eminência do ego vígil vir a vivenciar um período de transformação caracterizado por experiências ligadas à operação alquímica da Solutio. MARFIM- Simboliza tanto o poder como a pureza. MARIPOSA- É um símbolo da força destruidora da paixão, uma vez que ela voa em torno do fogo até ser queimada. Através da simbologia da mariposa, podemos ver o oposto da paixão (fogo) enquanto criatividade. MATRICÍDIO- Quando essa imagem aparece em sonhos, pode estar se referindo a que as imagens parentais sofreram alterações. MEL- Os antigos consideravam-no como sendo um remédio que propiciava a imortalidade, uma vez que uma de suas características é a de preservação, além de ser considerado como um dos símbolos do Si-mesmo. Na Grécia antiga era costume a oferenda de mel aos deuses para que chovesse pois acreditavam que se a oferenda fosse feita em vinho, os deuses não permaneceriam sóbrios e não teriam condições de lhes atender. O mel é um dos agentes da operação alquimica da Coagulatio, podendo sua imagem quando aparece retratada em sonhos, estar se referindo à uma autêntica necessidade de coagulatio. Em sonhos modernos pode ainda estar se referindo à uma tendência regressiva infantil de busca de prazeres, o que gera a necessidade de que o ego vígil vivencie a experiência da operação alquímica da mortificatio. MELANCIA- A sua imagem como decorrência da profusão de caroços, é considerada como sendo um símbolo da fecundidade. MELANCOLIA- Imagens em que estados melancólicos são retratados em sonhos, podem estar apontando para a eminência da experiência de se vivenciar fatos que conduzam aos processos da operação alquímica da nigredo. Por vezes, os sonhos em que aparecem de estados de depressão e melancolia, também podem estar disfarçando uma enorme cobiça por parte do ego vígil. MENDIGO- Essa imagem em sonhos, costuma simbolizar o arquétipo da sombra, o nosso mendigo interior que quer ter seu lugar na consciência. Quando o animus aparece na imagem de um mendigo, pode estar simbolizando a pobreza da vida consciente da sonhadora, o seu ceticismo e a sua dura auto-crítica, num simbolismo de que a mulher já não crê mais em si mesma. MENINO- A inocência simboliza o estado de indiferenciação da prima matéria portanto, ela pode aparecer simbolizada em sonhos na imagem de um menino; contudo, essa também possa se constituir numa das imagens através da qual se expressa o Si-mesmo. A imagem de um menino nos sonhos de uma mulher, em geral quer simbolizar um novo empreendimento e no dizer de Jung, um empreendimento honesto que concorre para a realização do SELF. MESA- A mesa pode aparecer em sonhos como representação de um símbolo espiritual, tal como a Távola redonda que foi construída de acôrdo com o traçado de Merlin e que era um símbolo do centro espiritual preservador da tradição. Os cavaleiros da Távola Redonda foram aqueles que saíram em busca do Santo Graal, isto é, em busca da experiência da totalidade, do SELF. MOEDA- A imagem de moedas de ouro encontradas em sonhos pelo ego onírico podem estar simbolizando a prima-matéria. MONTANHA- O símbolo da montanha também pode ser considerado como sendo uma das representacões do SELF posto que possui uma simbólica de centro, de omphalos, tanto que em todas as tradições aparece como sendo uma imagem da imortalidade. Ela é um local onde se processam as revelacões ou a meta de uma longa busca para a eternidade. Costuma ser um local de iniciacão e que corresponde simbolicamente ao “Eixo do Mundo”. Alguns ritos funerários descrevem as almas dos mortos subindo montanhas e no idioma assírio, o verbo morrer possui o significado de “apegar-se à montanha”. MONSTROS- Essa imagem em sonhos costuma aparecer simbolizando nossos próprios temores e incapacidades personificadas. MORTE- Essa imagem simboliza uma situação arquetípica da mais alta numinosidade. É quando o inconsciente invade a vida e nos arrasta de tal maneira que nós não conseguimos nos subtrair ao seu poder. As imagens da morte em sonho costumam simbolizar uma transformação na imagem do ego e quando é o ego onírico quem mata, percebe-se que o ego vígil encontra-se bastante atuante nesse processo. Contudo, quando o ego vígil perde o contato emocional com os que o cercam, pode acontecer de sonhar que esses estão mortos além de que constitui-se num típico sintoma pré-psicótico sonhar-se que todos a quem se ama morreram. Normalmente, as imagens de morte em sonhos, fazem alusão à morte iniciática que nada mais é do que morrer para um estilo de vida profano, acompanhado de um renascimento espiritual. MORTO- Quando o indivíduo sente-se magoado é comum que lhe ocorram imagens em sonhos de que alguém foi morto, o que pode estar simbolizando os rituais de iniciacão. No Egito haviam tradiç!ões que consideravam o iniciado como legitimamente morto, apto portanto a vivenciar o renascer espiritual. MULHER- Uma mulher desconhecida do ego vígil quando aparece como imagem de sonhos, costuma ser uma representação da sua anima. Contudo, o aparecimento de mulheres desconhecidas em sonhos de mulheres podem estar se referindo à uma representação do arquétipo da sombra, principalmente se a imagem é de uma mulher negra. NARIZ- Por sua capacidade olfativa é considerado como sendo um símbolo do discernimento, mas sua imagem contudo evoca o falo. NASCENTE- É um dos símbolos da energia psico-espiritual, que é retrata nessa imagem como sendo inesgotável. NASCIMENTO- Esta imagem pode estar simbolizando dois tipos distintos de nascimento. O primeiro, o nascimento físico; o segundo, aquele que é característico dos ritos de iniciação e que simboliza o nascimento espiritual ou o renascimento. NATAÇÃO- Pode simbolizar um batismo purificador, um encontro com as águas do inconsciente, quando a pessoa adquiriu a capacidade de navegar à salvo por suas águas, o que nos remete à operação alquímica da SOLUTIO. NEGRO- O negro é uma personificação de certos conteúdos do inconsciente e que funcionam como projeção do nosso lado sombrio. A imagem do negrume quando aparece em sonhos pode estar simbolizando a necessidade de que haja uma transformacão no ego consciente através da operação alquímica da mortificatio visto que o mesmo encontra-se por demais identificado com a luz, um fator gerador de inflação. A figura da mulher negra geralmente simboliza o feminino ctônico, escuro, terreno e misterioso, tanto que as imagens da deusa negra, assim como as de Maria, pertencem ao mundo de baixo, e não ao domínio celeste. A Nossa Senhora Negra é associada tanto à terra quanto à fertilidade e é uma imagem do feminino divino que reflete uma ligação antiga entre a natureza da mulher e as deusas pagãs ligadas ao amor e a fertilidade. Os sonhos femininos em que aparece a imagem da mulher negra, geralmente possuem um significado de que a mulher vai passar por uma transformação em sua sexualidade, entrando numa fase mais madura, de respeito aos seus instintos e mais próxima da deusa. NOME – O aparecimento de pessoas das quais se sabe os nomes em sonhos, tem singular importância de penetração na identidade do indivíduo em questão. Desde tempos remotos atribui-se um poder mágico ao nome, e o ato de saber o nome secreto de uma pessoa corresponde a obter poder sobre a mesma. Colocar nome em alguém é o mesmo que lhe dar uma personalidade ou alma, e isto corresponde a dar poder. Na mitologia egípcia, quando Ísis obriga Ré a lhe dizer seu verdadeiro nome, ela usurpa-lhe o poder. NÚPCIAS – Existe um ritual do sistema matriarcal e que se constitui num dos arquétipos centrais dos mistérios femininos, tal como o casamento, que é chamado de núpcias de morte. Esse ritual precedia as lamentações por Adônis. ÓLEO, AZEITE – É um dos símbolos de força espiritual, luz e sabedoria além de ser dotado de poderes especiais. É a base da luz que inflama e queima. OLHO – Simboliza o pavor da tomada de consciência, que em decorrência da culpa, pode nos levar a situações aterradoras. Os olhos de peixes simbolizam o Olho Múltiplo de Deus que possuem como efeito à consciência de que não se está sozinho na psique. O Olho de Deus é uma imagem do Julgamento Final que costuma aparecer em sonhos nos momentos de crise da vida , pois quando a imagem do Olho é constelada, normalmente se está passando por uma grande provação. O deus solar Mitra costuma ser retratado como possuindo inúmeros olhos espalhados por seu corpo. A imagem do olho pode ainda aparecer simbolizando o colo materno, o protetor da criança que tem pavor da consciência. Na imagem do olho encontra-se a pupila, a criança. Por vezes essa imagem aparece simbolizando a vulva. PAI – É considerado um símbolo do mundo da ordem e das proibições morais, é um representante do espírito que se opõe a impulsividade, impedindo-a. O deus criador masculino é um derivativo da imago paterna. PALÁCIO – Possui a simbólica de ligação com o centro, com o SELF, o centro ordenador da psique. É possível que esta simbólica relacione-se ao fato de que o palácio era o ponto central do reino, para o qual os interesses deveriam convergir. PAIXÃO- É símbolo de uma qualidade de energia ou libido que acarreta o destino. O estado de ser apaixonado deriva de um acordo entre a anima do homem e o animus da mulher. PÂNTANO – É uma imagem relacionada à matéria indiferenciada, um símbolo, portanto do nosso inconsciente. PAPAGAIO- É considerado como sendo um dos símbolos de Maomé, além de simbolizar a petrificação em função do caráter repetitivo de sua fala desvinculado de qualquer raciocínio. É , portanto, uma personificação específica de conteúdos que são repetidos sem questionamento e sem que se pare para fazer avaliação. Costuma levar ainda a projeção de ser um símbolo do inconsciente. Em algumas histórias árabes, ele simboliza o psicopompo, uma espécie de Hermes, que fala sempre a verdade, embora de forma um tanto dúbio. PAPOULA – Apresenta uma forte ligação com o Hades, com o sono e a morte. PARAÍSO – Nos mitos primordiais era considerado o Centro do Mundo. PÁSSARO – Simboliza de modo geral as entidades psíquicas de caráter intuitivo e mental, pois é considerado como uma entidade sem corpo e alada. É um apropriado símbolo da transcendência. Pode ainda estar representando o SELF que surge como um princípio único, uma intuição da totalidade oriunda das profundezas do inconsciente. Por vezes é associado aos pensamentos autônomos que nos surgem para depois desaparecerem com relativa autonomia. É uma intuição profunda, a verdade invisível que se auto-realiza. Na alquimia, o pássaro encontra-se vinculado ao medo da morte, à separação da alma do corpo, que é a Sublimatio definitiva; sendo que existem representações medievais em que a alma deixa o corpo do morto em forma de pássaro. Nos tratados alquímicos, aparece como um guia em direção à experiência interior e os alquimistas os consideravam como formas gasosas de matéria sublimada, de forma que os espíritos, os vapores e as substâncias evaporadas eram simbolizados por eles, usando representações distintas de suas espécies. O pássaro SIMORG é um pássaro mitológico de imensas proporções e de cor preta que representa a alma coletiva de todas as aves. Na mitologia germânica, os pássaros pertencem a Wotan e na mitologia greco-romana a Apolo sendo que uma de suas características seria a capacidade de profetizar. Possui ainda o simbolismo de que seja um anjo. PATO – Pode ser considerado um dos símbolos do SELF por sua capacidade de adaptação e estilo de vida distintos. É um animal da terra, água e ar. É pois considerado como sendo uma função transcendental, qual seja, a capacidade que tem a psique inconsciente de se transformar e de nos levar a uma nova situação que anteriormente nos parecia bloqueada. O pato está em casa, em todos os domínios da natureza. No Ocidente, tal qual os gansos, está ligado à figura dos demônios e bruxas que com frequência possuem pés de patos ou de gansos. PAVÃO – É um símbolo da ressurreição e do Cristo, tal qual a Fênix que também é considerada como sendo um símbolo solar. Na mitologia grega é considerado como sendo um dos animais atribuídos a deusa Hera. É ainda considerado como sendo um símbolo da imortalidade e da totalidade, muito embora sua imagem esteja associada à vaidade. PÉ- Essa imagem pode aparecer simbolizando o falo. O pe’ encontra no sapato o seu apoio, e o sapato representaria o órgão sexual feminino tendo-se em vista que serve de revestimento para o pé. O primeiro homem criado segundo os textos persas, chamou-se Gayomardo e era o homem cósmico que ao morrer, de seu corpo brotaram todos os metais e de seus pés, plantas de ruibarbo, de onde vieram o primeiro homem e a primeira mulher. Os sonhos com plantas que nascem dos pés do ego onírico, podem estar simbolizando tanto um aspecto criativo do ego vígil como a aproximação da conjunctio. Gayomardo era a prima matéria, o material básico que propiciou a totalidade da criação, e o conhecimento desse Adão oculto coincide com o tornar-se consciente. Na mitologia, parece-nos que as anomalias no pé conferiam numinosidade donde a deformidade nos pés era uma característica dentre outros de Hefesto, Wieland e Mâni sendo que todos os três embora aleijados, eram possuidores de dons artísticos e criativos. PEDRA- É uma matéria-prima considerada feminina, representativa das coisas sólidas e terrenas. A Pedra na simbologia alquímica como representação da Pedra Filosofal, é um símbolo do centro e da totalidade da psique, que surge como prima-matéria, o início, para posteriormente transformar-se no Lápis, o fim da Obra que tal como o Cristo é tanto o Alfa como o Þmega. Uma vez concluída a Opus, a Pedra Filosofal é uma representação da conjunctio ou do intercurso sexual entre o sol e a lua, o rei e a rainha. Ela era considerada o mediador entre os opostos e representa a realização do Eu, a consciência da completude. A Pedra por vezes costuma ser denominada de Árvore da Vida, apresentando uma forte relação com o simbolismo da Árvore do Mundo ou da Árvore Cósmica. As pedras preciosas de um modo geral, simbolizavam os valores psicológicos duráveis. PEDRAS (preciosas)- De um modo geral, simbolizam os valores psicológicos duráveis. PEIXES- É considerado um símbolo de Cristo, além de um dos símbolos do SELF. São vistos como símbolos transcendentais de profundidade e podem simbolizar um conteúdo emergindo espontaneamente do inconsciente. O peixe tem um duplo aspecto, tanto de redentor como daquilo que deve ser redimido. Leviatã também era um mostro que possuía por símbolo o Peixe, e, no próprio sígno zodiacal de Peixes, encontramos dois peixes que nadam em direções antagônicas, como uma representação do bem e do mal, do Cristo e do Anti-Cristo. O peixe pode ainda simbolizar a lascividade e os instintos mais baixos. Em diversos mitos, simboliza a revelação da Profunda Sabedoria. Nos sonhos, por vezes, o peixe é um símbolo da criança não nascida, pois antes de nascer, vivemos na água como um peixe.Ele traz em si o simbolismo de renovação e renascimento, além de simbolizar os conteúdos autônomos do inconsciente. PELE- O ato de queimar a pele de um animal pode estar simbolizando um ritual de transformação pelo fogo. Livrar-se da própria pele, simboliza uma transformação espiritual. Lançar uma pele sobre alguém, é uma maneira de amaldiçoar. No processo de individuação, o indivíduo entrega sua pele para que a partir daí possa servir de vaso à conteúdos de caráter numinoso. Existem muitos sonhos referentes aos momentos de transformação, aos ritos de passagem, em que o sonhador aparece “trocando” de pele. Os sonhos em que a troca de pele se deve aos excessos solares, não possui a mesma conotação, pois se refere mais ao mau relacionamento com o próprio animus. PENA- Na Idade Média, funcionava como uma espécie de oráculo. Quando alguém se encontrava perdido numa encruzilhada não sabendo para onde ir, costumava-se soprar uma pena para ver qual era a direção indicada de acordo com a posição como ela caísse. De um modo geral, as penas simbolizam pensamentos e fantasias. Embora,para os povos primitivos elas sejam consideradas um símbolo de poder. O cocar de penas de águia possuía uma simbologia mágica, e a coroa de penas é considerada pelos índios como a coroa radiada dos monarcas; é como se adquirissem através de seu uso, a qualidade solar da ave. PENDURAR- Em sonhos, quando é o ego onírico que está pendurado, tal imagem simboliza o afligir-se em dores por parte do ego vígil, como decorrência de seus anseios não realizados. PENTE- A imagem do pente em sonhos simboliza que o ego vígil possui a capacidade de ordenar seus conteúdos inconscientes e de torná-los conscientes. PERDA- A imagem da perda de um companheiro simboliza a solidão típica do caminho que nos leva a um maior contato com o inconsciente. PEREGRINAÇÃO- Os heróis costumam ser peregrinos e a peregrinação costuma ser um símbolo da nostalgia. PÉROLA- É considerado um símbolo do feminino. Em Alquimia, essa palavra é usada para designar a substância semelhante a prata que é contraposta à substância masculina, o ouro. As pérolas maceradas eram usadas como elixir da longa vida ou da imortalidade. PESCADOR- Simboliza o salvador, o Sábio, uma vez que ele é quem tira as coisas das profundezas da água. PICA-PAU- É considerado um símbolo do princípio paterno. Em Roma, era tido como um “Pater Familias” e no mito de Rômulo e Remo, foi ele quem colocou o alimento em suas bocas por intermédio de seu bico. PIOLHO- A imagem de catar piolhos em sonhos, simboliza que a confusão no inconsciente da sonhadora urge ser ordenada e seus conteúdos trazidos à consciência. PISAR- O ato de pisar tem um significado ligado aos ritos de fertilidade, tem um significado gerador, de reentrada no ventre materno.No mito do devoramento do sol, os heróis batem os pés no monstro .Na sua luta contra o monstro, Thor fura o fundo do navio, e seu pé vai até o fundo do mar, simbolizando sua penetração no inconsciente. POÇO- É considerado um símbolo feminino. Representa um dos locais de acesso ao inconsciente.O Poço de Mimir é uma clara simbólica da imago materna. POMBA- Na tradição cristã, a pomba simboliza o Espírito Santo e em contos de fadas, uma mulher-amante do tipo Vênus. Na alquimia, a pomba simboliza a operação alquímica da albedo. PORTA- A porta que não, se abre em sonhos, pode simbolizar uma descida ao inferno. Na alquimia, a porta fechada é uma imagem do recipiente alquímico, do temenos (ver alquimia, recipiente). A imagem em sonhos de espiar pela fresta da porta simboliza a falta de entendimento do sonhador quanto ao seu valor , além da sua inferioridade. PORCO- Pode simbolizar a baixa sensualidade. Circe, transformava em porcos os homens que a desejavam. PRATA- Na alquimia representa o feminino, o incorruptível, o perenemente mutável, a lua que está constantemente à obscurecer e volta novamente à brilhar no céu. É o princípio branco, o metal macio, a albedo (ver alquimia, albedo). A prata é um atributo da lua e por vezes de Vênus. Ela é atribuída ao feminino em geral. PRESSÃO- Em sonhos, se o ego onírico estiver com pressão alta, tal imagem pode estar simbolizando que o ego vígil está vivenciando uma intensidade maior de afetos primitivos do que o ego seria capaz de suportar. PRETA- Tornar-se preta significa ser coberta com o véu da inconsciência. A cor preta na mitologia comparada significa geralmente o noturno, o que não é do mundo, pertencendo aquilo que não pode ser conhecido conscientemente, a fertilidade, etc… PRETO E BRANCO- Os sonhos em preto e branco denotam por parte do sonhador um tipo de sentimento bem primitivo. Ele é típico do sentimento indiferenciado. PRISÃO- Na simbologia alquímica é uma imagem do recipiente, do alambique ou retorta alquímica.(ver alquimia , recipiente) É considerada um símbolo familiar ao terapeuta , como uma recusa ao processo de individuação. O SELF só pode aparecer em sonhos simbolizado pela prisão, enquanto o ego vígil tiver medo do SELF. Ela pode também aparecer como uma imagem negativa do complexo materno. PUER AETERNUS- É uma antecipação, um símbolo do vir a ser, pois ele só é uma antecipação de algo desejável que tem que passar por um ritual de transformação, posto que é uma força emanente da mãe renovada. Essa sua característica de vir a ser é típica nos mitos dos heróis que morrem cedo para que possam renascer simbolicamente na mãe: Tammuz, Átis, Adônis e Cristo são alguns desses exemplos representativos (ver em Jung, herói e em Mitologia, heróis: Tammuz, Átis, Adônis, Bálder). PUNHAL- Exprime aspectos sexuais e pode estar simbolizando conflitos eróticos. QUADRADO- É um símbolo da matéria, do corpo e da realidade terrena. QUADRIGA- É considerada um símbolo do tempo. QUATRO- É considerado um símbolo da totalidade. Na alquimia, o quatro desempenha importante papel.Ele era considerado o princípio ordenador básico da matéria. O padrão estrutural do quatro pode emergir numa variedade de contextos para trazer ordem e diferenciação à experiência. QUEDA- Os sonhos com queda costumam ocorrer para chamar a atenção do ego vígil para alguma coisa. O mais comum é que se acorde tão logo ocorra a queda. Sonhos ou imagens de aviões em queda, de quedas de lugares altos, de fobia das alturas, etc… podem apontar para um estado de inflação do ego vígil. (ver vião) RÃ- As rãs de um modo geral, são associadas à Mãe-Terra, além de representarem o útero. Hécate,a deusa com cabeça de rã é uma deusa da terra, que tem poderes sobre a vida e a morte. Ela tanto é capaz de envenenar como de dar vida à alguém. As rãs e os sapos tem sido associados ainda a bruxarias, pois é comum que os encontremos como ingredientes indispensáveis nas pocões mágicas. O ato de sonhar com a rã, simboliza que um determinado conteúdo inconsciente está pronto para tornar-se consciente, bastando para isso que se queira. RAIO- é uma imagem-símbolo da arma divina, símbolo fálico e gerador, além do arrebatamento repentino por uma paixão. ( ver Sêmele em Mitologia – deusas, ou ainda, Zeus em Mitologia, heróis) RAMO- Esta imagem costuma aparecer como símbolo da vitória. RAPOSA- Na China e no Japão, a raposa é tida como um animal feiticeiro e feminino. Em decorrência disso,costuma-se associa-la a natureza feminina instintiva e primitiva da mulher. Nesses países acredita-se que as bruxas, assim como as mulheres histéricas, costumam tomar a forma da raposa. Ela pode ainda aparecer simbolizando as almas penadas ou como o duplo da consciência humana. RAPTO- O ato de ser raptada nos remete ao rapto de Perséfone, Djanira, Europa e Sabinas dentre outras personagens da mitologia. Podemos encarar o rapto como símbolo de uma cerimônia ritual, um rito de iniciação, a que podemos assistir ainda hoje de forma simbólica,nas festas de casamento em diversas partes do mundo, em cerimônias que nos lembram o antigo rapto mítico. RATOS- Costumam simbolizar a parte inconsciente do ser humano, assim como as preocupações noturnas e as fantasias autônomas. São considerados animais- espírito que algumas vezes aparecem simbolizando conteúdos eróticos. Podem ainda aparecer simbolizando a apropriação indébita dos objetos ou dos afetos. REBANHO- Simboliza o instinto gregário e a tendência a submissão. REBIS- Na alquimia, simboliza o andrógino, mercúrio. RECIFE- É um símbolo de petrificação, com consequente regressão. RECINTO- Simboliza o ser interior, a intimidade. RECIPIENTE- Na alquimia, é um símbolo feminino associado ao útero enquanto receptáculo de transformasses.. O alambique para os alquimistas era o recipiente no qual se fazia o trabalho alquímico de transformação .Podia ser ainda chamado de vaso ou retorta. Usualmente, tratava-se de vasilhames de vidro cujo fundo era arredondado para que pudesse caber num suporte de metal. Era submetido ao calor e grande pressão, mas o selo não poderia ser rompido. Ele é uma imagem da contenção, do manter os afetos e conflitos para que subam à superfície, mas sem derramar, espalhando-se. Essa imagem traz subentendida a idéia de que quem está empenhado no trabalho interior, não pode romper o selo e fugir das situações. Os conflitos devem ser contidos sem se projetarem para que possam ser transformados. Como o recipiente é algo fabricado pelo homem para conter o material a ser transformado, ele reflete a consciência. Em sonhos, se o recipiente aparece com furos ou buraco, pode estar indicando a dificuldade do ego vígil em manter as coisas em segredo. Na cabala, uma sephirah é considerada como um recipiente. REDOMOINHO- É uma imagem que simboliza numa evolução. REGRESSÃO – É uma imagem que simboliza o retorno do indivíduo à infância e aos pais. REI – Pode ser considerado um símbolo do SELF. Na alquimia, o rei é tanto a prima-matéria como o objetivo da OPUS ALQUµMICA, na qualidade de rei transformado. Nas sociedades primitivas, ao rei ou ao chefe da tribo, eram atribuídas qualidades mágicas ou mana. Eles incorporavam um principio divino do qual dependiam o bem- estar físico e psíquico de toda a nação. Era o poder vital místico da nação. Na Coréia, aos reis era atribuída a responsabilidade inclusive pelas condições atmosféricas e caso chovesse em excesso ou mesmo, que houvesse uma seca prolongada, o povo ou destronava ou matava o rei. Os suecos sempre atribuíram ao rei o fracasso ou o sucesso de suas colheitas, tanto que o rei Olaf foi oferecido em sacrifício a Odin, em consequência da escassez que houve durante seu reinado. Em todas as culturas, o rei era visto como sendo o sucessor do mágico, dai a dignidade atribuída ao processo sucessório real. A imagem do rei simboliza uma postura masculina coletiva, que por vezes aprisiona o feminino, e seu princípio erótico. A morte do rei simboliza um período de crise e transição, é a morte do princípio que rege a consciência de onde deve surgir uma nova consciência que aponte para a evolução do ser. A imagem do futuro rei traz implícita em seu simbolismo uma idéia de renovação. Um elemento ainda inconsciente tende à penetrar na consciência e permitir uma maior compreensão do SELF. RELÂMPAGO – É uma imagem que simboliza estados de consciência que não são contínuos.Pode ainda se constituir numa imagem símbolo da fecundação, o relâmpago é um símbolo fálico, oriundo da tempestade, que fecunda a terra. REPRESSÃO – Simboliza a inconsciência pois é um ato de não tornar consciente um conflito, internalizando-o e projetando-o. A repressão gera a ilusão de ter-se libertado do mesmo , posto que esse torna-se inconsciente. RESSURREIÇÃO – A imagem da morte e do renascimento encontra um paralelismo na imagem da perda e do reencontro.Tanto Cristo como Moisés abandonaram a casa paterna, afastaram-se para depois retornar. As imagens de morte e renascimento fazem parte da jornada do herói e apontam para o seu processo de individuação; sua volta ao inconsciente para que através da escuridão, possa atingir a luz da consciência, a totalidade. É um símbolo ligado aos ritos iniciáticos posto que para que se ressuscite, é necessário que se tenha atravessado as trevas, triunfado sobre os terrores do inferno e passado pela morte iniciática, conquistando dessa forma entÔo, a possibilidade de “elevar-se aos céus”. RETORTA – (ver recipiente) REVÓLVER- Apresenta um aspecto sexual ou exprime um conflito erótico. RINS- Simbolizam a força e a resistência. RIO- É um símbolo de fertilidade, de morte e de renovação. RÍTMO- Pode aparecer simbolizando a sexualidade. ROCA- SimboliZa o desenrolar-se do tempo, dentro das tramas do destino. ROCHA- É um símbolo da imutabilidade e da imobilidade. Costuma ser considerada um símbolo do ventre materno. Mitra por vezes aparece retratado à meio corpo dentro de uma rocha, assim como Aschanes, o primeiro rei saxão; querendo demonstrar o nascimento de ambos como à partir de uma rocha. RODA- É um símbolo da ação autônoma do inconsciente (SELF). As rodas sÔo círculos fechados e os círculos fecham-se em torno de nós delimitando espaços. Íxion, teve por castigo ser posto sobre a roda e isso se traduz em ter sido posto num lugar arquetípico, sujeito à sua própria sorte e em eterna repetição, levando-o sempre ao ponto de origem. (ver círculo, anel, em dicionário de símbolos e Íxion em Mitologia heróis, Íxion) RODA DE FOGO- Simboliza o movimento espontâneo da psique que costuma manifestar-se como uma paixão ou impulso emocional, que brota do inconsciente e nos inflama. ROLA- Esse pássaro é considerado como sendo um símbolo da fidelidade conjugal. ROMÃ- É considerada um símbolo da fecundidade pela quantidade excessiva de sementes. A abertura da romã é associada a defloração. Ela é um símbolo do amor, da vida e da morte. Na Roma Antiga, jovens recém-casados usavam coroas de ramos de romãzeira. Na mitologia, Perséfone, após seu rapto, recusa qualquer alimento enquanto no reino dos mortos, mas ao saber de sua libertação, acaba comendo três sementes de romã que asseguram o seu retorno ao inferno e ao amante, por três meses a cada ano. Essa descida ao mundo subterrâneo possui uma conexão com o aspecto transformador do feminino. A opção de Perséfone, simboliza o reconhecimento de que não é mais a mesma donzela guardada até então, ciosamente, por sua mãe. (ver Perséfone em Mitlogia, deusas, Kore e Perséfone, e em dicionário de símbolos, mundo e rapto) ROSA- É considerada símbolo da mulher amada e do amor puro. ROSÁRIO- É considerada como sendo um símbolo do eterno retorno. ROUPAS- Em sonhos podem estar simbolizando aspectos da persona do ego vígil. Em vários cultos, a mudança de personalidade é expressada através da mudança de vestes. Quando se está próximo da morte, é comum que se sonhe com roupas; estas estariam simbolizando a coagulatio final. (ver alquimia, coagulatio e carne) Existe uma espécie de simpatia mágica entre o homem e suas vestes; tanto que um feiticeiro de posse de uma peca de roupa da vítima, pode exercer um certo poder sobre ela. RUIVO- Simboliza a paixão e o desejo. RUTURA- Simboliza em seu movimento ascendente, evolução. SAL- É considerado um símbolo do conhecimento. Na alquimia, ele é um princípio de Eros, pois é através da experiência dos sentimentos que advém a sabedoria; e a forma “SAL DA SABEDORIA” deriva do fato de fornecer ao indivíduo um profundo poder espiritual. Para alguns alquimistas, era o único elemento capaz de combater o demônio. O seu princípio é feminino, representa a ANIMA MUNDI. Elemento de sacrifício, purificação, transformação e mistérios, o sal é uma parte do mar e contém em si o amargor do mar. Existe uma associação entre lágrimas, tristeza, desapontamento, perda e sal. Em Latim significa “espírito ou gracejo”. SALAMANDRA – É um símbolo da transformação psíquica. SALGUEIRO – É uma árvore que é considerada um símbolo da morte. SALIVA – É considerada um símbolo da libido, de criatividade. SALMÃO – É um símbolo de sabedoria e de conhecimento do futuro, além da vitalidade saudável. SANGUE – É símbolo da parte emocional da alma humana, simboliza também o pacto entre o indivíduo e os poderes divinos ou demoníacos. Nos ritos dos essênios, o sangue menstrual era equiparado ao sangue de Cristo, enquanto que o sêmem era o seu corpo. O sangue de Cristo representa o poder primitivo da vida com profundo potencial no plano psíquico, para o bem e para o mal, que contém em si, a reconciliação dos opostos. Elemento extremamente precioso e potente, corresponde a própria vida da alma, assim como a poção da imortalidade. O sangue possui um vínculo bastante estreito com o afeto; e pois um símbolo da essência da vida com conotação de vida afetiva e que pode ser traduzida por paixão, desejo e violência. O derramamento de sangue simboliza a intensidade da vida psíquica disponível para ser vivenciada e que não se pode lhe negar a realização pois pressuporia a compensação noutro setor. Nessas imagens, quando surgidas em sonhos, há sempre uma mensagem de que não é admissívil a repressão, pois esta seria a morte interna que traria reflexos externos. A substância do sangue tanto pode simbolizar o tormento como a salvação e isso vai depender exclusivamente do ego que vai vivenciar a experiência. Na alquimia, o sangue simboliza duas diferentes operações, quais sejam : a solutio e a calcinatio. Enquanto substância fluida, está ligado a experiência da solutio; e sua associação ao fogo, vincula-o a operação da calcinatio. Equiparado ao fogo, podemos associar o batismo de sangue com a mesma simbologia do batismo de fogo. SANTUÁRIO- Quando essa imagem aparece em sonhos, pode estar se referindo a algum segredo de propriedade do ego vígil. SAPATO- É um dos símbolos vinculados ao complexo de poder, daí a expressão: “vou pisá-lo com meus sapatos”; simboliza portanto, um ponto de vista da afirmação do ego. Pode simbolizar ainda, o órgão sexual feminino por revestir o pé, que é um conhecido símbolo fálico. O calçado que usamos é a parte de nosso vestiário mais próximo ao chão, o que pode nos levar a fazer uma associação entre sapato e a nossa relação com a realidade. SAPO- É considerado em todas as mitologias como um elemento masculino. Na alquimia, traz o simbolismo da prima-matéria que sofre transformação uma vez que exprime a cobiça desenfreada que costuma afogar a pessoa em seu próprio excesso. O sapo quando morre, fica negro e entra em estado de putrefacão, enchendo-se de seu próprio veneno. O alquimista submetia entÔo essa carcaça ao fogo do processo alquímico até transformá-lo num elixir capaz de matar ou salvar o indivíduo. SARÇA- O aparecimento dessa imagem pode estar simbolizando a presença divina. SATANÁS- É um símbolo daquele que é considerado como sendo um adversário, posto que é banido de nossa aceitação consciente. Enquanto opositor de Deus, é considerado como sendo a própria encarnação do mal. É uma imagem de sombra. SHEKINÁ- É um símbolo cabalístico, que representa o elemento feminino em Deus. SEGRÊDO- É considerado como sendo um símbolo do poder, uma vez que estar de posse de um segredo, significa obter poder sobre as pessoas que se encontram envolvidas com ele. SEIO- É símbolo da maternidade, da proteção e da suavidade. SELO- Simboliza a posse sobre algo ou sobra alguém. SELF- É uma representação do divino em nós, um símbolo da totalidade da psique, quando os opostos já estão unidos; uma meta individual que contém a possibilidade do casamento interior, da psique consciente com a inconsciente, do masculino com o feminino em nós, sendo que os demais arquétipos subordinam-se a ele. O SELF simboliza a imagem psicológica de Deus na psique, a totalidade perdida no Éden. SÊMEN- Nos rituais dos essênios, o Sêmem era considerado como símbolo do corpo de Cristo, num simbolismo ritual, tanto que entre os dessa cultura, o sêmen do eleito era usado em rituais de iniciação ou de batismo além de ser considerado com poderes nos processos de cura, através da unção. É um símbolo da fôrça da vida. SEPARATIO- Através da operação alquímica da separatio, a ordem surge à partir do caos, tal qual nos mitos da criação. O seu objetivo é alcançar através da separação, o indivisível, isto é, o indivíduo. Ela traz a consciência dos contrários. SEREIA- São entidades mitológicas, filhas do deus marinho Fórcis ou de Aqueloos e que eram divindades que se pareciam com ninfas que atraíam com seus cantos os navegadores, levando-os ao naufrágio para que fossem devorados por elas. Habitavam os rochedos escarpados e eram metade mulheres e metade peixes. Na mitologia germânica, eram chamadas de loreley. É um símbolo que encontra-se associado às tendências autodestrutivas e opressivas, o resultado de uma vida guiada pelos instintos; são as armadilhas criadas pelos desejos e as paixões que obstam qualquer desenvolvimento humano, pois não são fundamentadas no amor, mas no desejo de obter poder. SERPENTES – Costumam simbolizar o sistema nervoso autônomo, a energia instintiva e sÔo símbolos transcendentes de profundidade que costuma também estar associado à sabedoria, à cura e ao auto- conhecimento . O mito da tentação da serpente no jardim do Éden, refere-se a necessidade de autorealização do homem, o princípio da individuação., e é comum que seja apresentada por alguns como a representação simbólica do princípio sedutor da mulher. A serpente pertence ao reino da mãe e ela pode ser uma representação simbólica em sonhos, do medo do incesto como regressão e a imagem em que o ego onírico é envolvido por uma delas é um símbolo de penetração no ventre materno, e que corresponde a mesma simbologia da imagem de devorar uma serpente. Na Antiguidade, era considerada como sendo o símbolo da terra, que sempre foi concebida como feminina. Quando o ego onírico é mordido por uma delas, seu simbolismo é o mesmo de sucumbir a sua tentação, o que nos diz que o ego vígil vai viver uma transição de considerável importância. A picada se refere a exigência do inconsciente do ego vígil que à princípio age de forma paralisante sobre a sua energia e sua iniciativa. Os sonhos frequentes com essa imagem, podem estar apontando para uma dissociação por parte do ego vígil entre a sua vida consciente e a instintiva. Elas podem ser vistas também como uma representação do falo mas só poderá ser interpretada como falo, se a encararmos como o simbolismo gerador e criativo da libido. Para os gnósticos, é um símbolo do tronco e da medula cerebral. SETA – É um símbolo que indica direção da onda de energia psíquica. Cupido ao lançar suas flechas, dá origem à uma torrente de energia psíquica que se direciona como um projétil à um outro que se transforma à partir daí, no receptáculo de nosso acometimento de paixão repentina. SETE – O número sete indica mobilização para levar adiante uma missão. Ele é mágico e sagrado em mitos, contos de fadas e crença popular. É um número que significa perfeição, além de um ciclo completo de tempo. Ele une simbolicamente o céu e a terra, o masculino e o feminino, as trevas e a luz. SETENTA- Esse número é um símbolo da totalidade. SEXO- As imagens sexuais em sonhos em geral simbolizam a conjunctio, principalmente quando são imagens incestuosas ou que o parceiro é um desconhecido do ego vígil. SILÊNCIO- Quando em sonhos o ego onírico vê-se rodeado por um ambiente em que é ressaltado o silêncio, o inconsciente pode estar simbolizando que o ego vígil encontra-se receptivo à uma revelação. SÍMBOLO- É uma imagem oriunda do inconsciente, que se torna a expressão de uma experiência interior. SIMORG- É um pássaro mítico que é um símbolo da busca do SELF. SINO – É o símbolo de uma anunciação de um momento decisivo. Os sinos costumam também ser utilizados para afastar espíritos malignos. SOL- O deus, o pai, o fogo e o sol, sÔo sinônimos mitológicos posto que são símbolo de criação; o sol é o pai visível do mundo, o criador, fecundador. Ele simboliza o sêmem enquanto imagem do progenitor, símbolo do princípio da paternidade, do aspecto positivo e fecundador da força vital. A forca vital psíquica, a libido, simboliza- se pelo sol ou personifica-se em figuras de heróis com atributos solares, assim como se expressa através de imagens do falo. O disco solar com seu calor fecundante é análogo ao calor fecundante do amor e a comparação da libido com o sol e fogo é um raciocínio análogo. Os gentios consideravam o sol como o deus dos cristãos e para os maniqueus, era a própria representação do deus, está sempre associado tanto à divindade como ao governante. Nas catacumbas era comum encontrar-se símbolos solares daí que a cruz gamada, que corresponde a roda solar, é encontrada sobre o hábito do Fossor Diógenes, no cemitério de Pedro e Marcelino. O nascer do sol no mar, o se por, e o seu inevitável retorno nascendo outra vez, simbolizam o próprio destino humano, o filho que se afasta da me para “vencer” na vida e voltar transformado em sua maturidade. No Japão, o micado ou dairi era considerado uma encarnação da deusa do sol, ele era o Imperador Espiritual da Pátria e se arrogava uma autoridade sobre todos os outros deuses locais. Na astrologia, constitui-se na mais alta expressão da individualidade, um instrumento para que se alcance o SELF. SOLIDÃO- Simboliza o desenvolvimento individual e particular da personalidade do ego vígil. SOLUTIO- A água é um símbolo do útero e a operação alquímica da Solutio, um retorno ao útero para fins de renascimento. Ela representa o retorno da prima-matéria indiferenciada ao seu estado original, um confronto entre o ego e o inconsciente; uma experiência de rompimento dos limites, uma rendição, quando nosso sentido de limites começa a dissolver-se. O amor e a luxúria muitas vezes são os agentes da Solutio. Há uma rendição e uma submissão com a consequente perda da identidade na do objeto amado, fundindo-nos com o outro. É comum durante a solutio, que se experimente sentimentos de passividade e fatalismo. Uma das imagens alquímicas mais usadas para simbolizar a operação da Solutio é a do afogamento. A prima-matéria é afogada e posteriormente regenerada para que possa renascer. A banheira é representativa do alambique ou útero, o recipiente onde se processa a solutio; nela se está à mercê da água, o elemento primordial, o inconsciente coletivo. Nessa operação está implícita a perda de controle, daí o medo que em sonhos o ego onírico por vezes demonstra pela água. SOMBRA- Arquétipo do inconsciente, símbolo dos aspectos obscuros, reprimidos e negligenciados da personalidade que não encontram acolhimento em nossa vida consciente. É uma parte da nossa personalidade que por não considerarmos adaptáveis ao papel social que desejamos representar no mundo, negligenciamos e não a considerando como uma parte nossa, vamos perdendo nossa espontaneidade. Esses aspetos reprimidos posto que não são encarados por nossa consciência, regridem à um estado primitivo e quando irrompem em nosso cotidiano, atuam de forma hostil e desintegrada. SONHO- Quando o ego vígil sonha que “está sonhando”, isso simboliza que mudanças mais complexas que as habituais estão se processando na estrutura do ego, assim como os sonhos recorrentes, que se repetem por inteiro, simbolizam a necessidade de penetração de seus conteúdos na consciência. SOPHIA- É a primordial esposa de Deus, que corresponde a sabedoria divina. Deus posteriormente, contraiu núpcias com Israel. Shekhinah, o lado feminino de Deus, é associado à Sophia. SOPRO- O ato de soprar na boca aberta de uma outra pessoa, tem o simbolismo de consumação do ato sexual. SUBLIMATIO- A operação alquímica da sublimatio transmuta a experiência em imaginação, o que se constitui num pré-requisito de qualquer obra criativa. Após essa experiência é necessário que se vivencie a operação da coagulatio para que se possa dar forma ao conteúdo que foi vivenciado através da sublimatio. As representações da sublimatio muitas vezes envolvem a imagem de pássaros ou de figuras aladas que se constituem num símbolo da psique assim retratada. TABU- Simboliza tudo aquilo que de uma certa forma se torna intocável. TÁBUA- Seu simbolismo é idêntico ao do cálice. TANQUE- Os sonhos em que o ego onírico vê-se numa viatura cujo tanque de gasolina encontra-se vazando, pode estar simbolizando alguma ferida interna ou externa do ego vígil que sangra ou entÔo, que o ego vígil está numa situação em que suas energias estão sendo gastas inutilmente, por força de algum complexo constelado em seu inconsciente. TAO- Simboliza a totalidade e a ordem do universo. TAPETE- É um símbolo de um modo de vida particular de um indivíduo, ele está revestindo o chão daquele que é seu proprietário, é onde ele pisa, o seu território. Para as tribos nômades que não possuiam um território fixo ele era visto como um símbolo de sua pátria, o vínculo com a mãe, e era considerado como um temenos que oferecia proteção contra qualquer influência maligna que lhes adviesse de solo estranho. TARÉ – Pai de AbraÔo, que era marceneiro. TARTARUGA- É considerada um símbolo da totalidade, do SELF. TATUAGEM- É um símbolo de criação de um vínculo mágico entre o seu possuidor e a imagem que foi gravada em seu corpo. TEAR- É um símbolo da estrutura e do movimento do universo. TELHADO- É a parte mais alta de da estrutura de uma casa, simboliza portanto na estrutura do corpo humano, a cabeça e a imagem em sonhos de um telhado em chamas pode simbolizar que o conflito localiza-se na cabeça do ego vígil. TEMPERATURA- É um símbolo da intensidade emocional que resulta da constelação de determinados complexos. O frescor está relacionado com o apaziguamento e pode simbolizar o arrefecimento de um entusiasmo, além de poder estar associado a razão. TESOURO- A imagem do tesouro simboliza o renascimento, a busca do indivíduo por sua totalidade , seu SELF, seu tesouro interior. O tesouro que o herói busca é ele mesmo renascido, depois de sua viagem ao mar do inconsciente, da luta contra o dragão ou a baleia, sua mãe, de onde sai liberto de seus conflitos interiores, encontrado o seu eu interior e pronto para viver sua totalidade. TIGRE- É um símbolo das emoções negativas destrutivas. TONSURA- Na Antiguidade era comum o ritual de oferecimento dos cabelos às deusas da lua, num gesto simbólico de oferecimento de sua feminilidade e fertilidade. Esse hábito era uma evolução da prática de ofertar a virgindade à deusa. Em vários ritos iniciáticos existia a prática da tonsura como ato ritual, num gesto que tinha a intenção de simbolizar o despojamento do aspirante e , o gesto de entrega dos cabelos como abandono da vaidade mundana pode ser observado até bem pouco tempo entre as freiras católicas. TORRE- É considerada como um símbolo da cultura humana, além de ser também considerada como um símbolo fálico ; posto que é uma representação do falo da terra, assim como a árvore, a pedra e a muralha. Enquanto recinto-mandala, a torre é um símbolo feminino, em contrapartida ao seu significado fálico. TOURO- Em sonhos, o ato de matar um touro simboliza a ascendência da consciência humana sobre as forcas emocionais animalescas, sendo que as touradas são um símbolo da superação ao impulso sexual, através do auto-controle e disciplina. Nos “mistérios mítricos”, a imolação do touro ocupava um papel de destaque, Nesses cultos, ele era chamado de “guardião do eixo da terra”, e sÔo eles que invertem o “eixo do círculo do céu”.Mitra, que era chamado de Jovem, possuia um séquito de deuses jovens com cabeca de touro, que eram um desdobramento dele mesmo, a divindade maior. O abate do touro significa um domínio sobre os instintos animais, mas também uma violação da lei.O animal representa o instinto e a proibição, e o homem sente-se mais homem, quando é capaz de sacrificar sua natureza animal. Os sonhos em que aparecem o ego onírico carregando um touro, tal qual Mitra o fez, tem o mesmo significado que a via-crucis de Cristo, é um símbolo de renascimento. Mitra carrega o touro vencido, numa representação do pai, do monstro, gigante e animal perigoso . O touro é um símbolo da fecundidade, e Júpiter coabitou com Deméter, a deusa da fecundidade, sob a forma de um touro. TRAVESSIA- Em sonhos, a travessia de um limite , de uma fronteira ou de um curso d`água, simboliza as mudanças de uma identidade de ego. Quando as imagens se apresentam como travessia da obscuridade, podem estar simbolizando uma prova iniciática. TREM- De um modo geral, simboliza as atividades compulsivas ou habituais. TRÊS- É um número sagrado que costuma estar simbolizando o princípio divino. TRIÂNGULO- A trindade simboliza um processo de desenvolvimento que se desenrola no tempo. É um processo dinâmico que implica em crescimento, desenvolvimento e movimento no tempo. O triângulo apresenta-se como dois opostos que unem-se no alto por um terceiro elemento. Parece-nos que a trindade pode ser indicada como símbolo da individuacão enquanto processo. Dois triângulos interpenetrados simbolizam a união da alma com Deus, a união de Shiva e Shakti. TRIGO- É um símbolo da morte e ressurreição pela sua ligação com Deméter. No culto da deusa, na Grécia, a espiga de trigo é conhecida como “sua filha”. TRINDADE – É considerada um símbolo da criação da consciência. O pai e o filho sÔo os opostos que se chocam, gerando um terceiro elemento que os concilia, o Espírito Santo. TROCA- Em sonhos, quando duas coisas são trocadas ou algo é trocado de um recipiente para outro, encontra-se simbolizado que houve uma troca na localização das forças. TRONO- O simbolismo do trono é de entronização ou de tornar-se uno com deus. UM- Simboliza o princípio, o começo. UMBIGO- O Paraíso era considerado como sendo o Umbigo da Terra porque trazia em si a idéia de Centro. Em alguns países é considerado sagrado, sendo que os japoneses possuem o hábito de preservar o cordão umbilical com muito cuidado e enterrá-lo junto ao morto. UNHA – De acordo com a teoria da magia contagiosa, quem estiver de posse de unhas humanas pode exercer influência sobre a pessoa em questão, uma vez que ela pode ser usada em sortilégios maléficos. A imagem de quebrar as unhas simboliza a penetração na mãe. UROBOROS- Símbolo da origem da vida, é a serpente que come a própria cauda. Simboliza ainda o útero e o paraíso, onde ainda não foi feito nenhum tipo de diferenciacão ou separatividade. URSO- Divindade cultual mais antiga do mundo que é considerada como sendo um símbolo do inconsciente, ligado à terra-mãe, e é uma representação simbólica de nossos instintos. Em Hokkaido no Japão, os caucasóides conhecidos como Aino, cultuavam o urso. VACA- Como símbolo materno encontra-se nas mais diversas formas e variações da Hátor-Ísis. É um símbolo de fertilidade e renovação. VALE- Simboliza um local que pressupõe transformações. VAMPIRO- Simboliza a ânsia dos conteúdos do inconsciente em penetrar na consciência tal qual a avidez do vampiro pelo sangue. Aos impulsos inconscientes, se lhe forem negado o acesso a consciência, eles drenam a energia do inconsciente, transformando o indivíduo num ser fatigado e apático. A vampirização é um símbolo do cansaço e da queda de energias como uma resultante da proximidade de pessoas que se encontram possuídas por complexos autônomos do inconsciente e que funcionam como sugadoras de energia. VARA- A vara de aveleira simboliza a sinceridade e a objetividade impessoal, enquanto que a vara mágica de formato fálico é um símbolo das forças criadoras do inconsciente. VASO- Pode estar simbolizando o ego individual capaz de transportar a consciência transpessoal. A imagem do vaso partido indica que o ego, o recipiente pode não suportar caso se deposite um excesso de conteúdos que até entÔo se encontravam inconscientes. VAU- É um símbolo de um momento na vida em que se tem que fazer uma travessia, um rito de passagem. VEGETAÇÃO- Simboliza o desenvolvimento e ciclo da vida. VELA- É o símbolo da luz resultante de uma atitude compreensiva, a clareza da mente que se abre para penetrar no inconsciente e o fertilizar. VELHA- Essa imagem em sonhos costuma ser um símbolo da sabedoria do eterno feminino. VELHICE- É símbolo de sabedoria como uma resultante da experiência adquirida ao longo da existência. VELHO- A imagem de um homem velho representa aquilo que foi denominado por Jung de arquétipo do “velho sábio” e que nada mais é do que uma personificação do eixo ego-si -mesmo. Quando em sonhos o animus aparece na imagem de um velho que mais tarde transforma-se em jovem, simboliza que o inconsciente da sonhadora está mandando a mensagem de que a sua imagem de animus ligada à figura do pai é transitória, pois atrás dela esconde-se um tipo de animus mais jovem. VENTO- É um dos símbolos do poder espiritual, donde deriva-se a palavra inspiração. Costuma-se descrever a aparição de fantasmas acompanhada de sopros ou correntes de vento. O vento tal qual o sol, é um símbolo de criação e fecundidade e podemos encontrar alguns mitos que retratam nascimentos pela ação do vento; dentre eles, o dos abutres egípcios e das éguas da Lusitânia. Nas sagas alemãs, o vento era um caçador de donzelas bastante ávido e no mito de Wotan diz-se que durante as tempestades ele perseguia a noiva do vento. Os centauros da mitologia grega, sÔo considerados como sendo os deuses do vento. VENTRE- É um símbolo feminino, que está relacionado à imagem da mãe, e é análogo à caverna, um local de transformações e de renascimento. VERMES- São um símbolo da putrefação (ver alquimia, putrefactio) A imagem de um verme venenoso, aparece como símbolo da libido destruidora. VÉU- é um símbolo que representa o apoio e o acolhimento do arquétipo da mãe. VIAGEM- Em sonhos, a imagem de viagem a terras desconhecidas é um símbolo do processo de individuação.. VIDRO- Em certos escritos alquímicos é comparado a uma substância miraculosa e é um símbolo da matéria espiritual. É um material que sem nos isolar intelectualmente das coisas, isola-nos do contato animal. VINHO- É considerado um símbolo do sangue de Cristo no simbolismo cristão da Missa. Na alquimia, é sinônimo da aqua permanens. Nos ritos de Dioniso compartilha com o sangue de Cristo da qualidade de reconciliação e comunhão. VIRGEM- Simboliza a mulher que é única em si mesma como decorrência de uma atitude psicológica. Significa a fé que a mulher deposita de que o ideal em que está empenhada não é passível de julgamento quer por qualquer lei humana, quer por seu próprio animus. É o símbolo da mulher capaz de sacrificar o relacionamento pessoal com um homem para obter uma relação mais profunda com sua alma. É uma entidade feminina independente, pertencente unicamente a si mesma, mas sem contudo, perder a sua feminilidade ou deixar-se contaminar por atitudes masculinas. É a própria inteireza e individuação da mulher. VISCO- É um parasita que simboliza o puer aeternus, antigamente era usado como um medicamento contra a infertilidade.(ver Balder) Para os druidas, quando o visco crescia numa árvore, era considerado um sinal de santidade da árvore. VÔMITO- (ver coagulatio) VOZ – O fenômeno da “VOZ” nítida e que dá conselhos ou direção definidas em sonhos, é geralmente , um símbolo do SELF, o âmago da personal.

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Sonhar com

por: Roberto Lazaro Silveira

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ABELHA- Era um símbolo da realeza no Antigo Egito e dizia-se que esse inseto havia sido gerado a partir das lágrimas de Rá, o deus-sol egípcio. Sua imagem mais difundida é a de símbolo da alma. Os opostos bem/mal, também se encontram simbolizados nela. O mal encontra-se simbolizado pelo ferrão e o bem pelo mel. ABLUÇãO- A imagem da lavagem das mãos, normalmente aparece simbolizando a necessidade da extinção da culpa, como num ritual de purificação em que a pessoa tenta se libertar da própria sombra. É comum o hábito sistemático de lavagem das mãos em pessoas com dificuldades em lidar com os aspectos obscuros de sua personalidade; assim como os sonhos sobre esse tema apontariam para a dificuldade por parte do ego vígil em integrar esses aspectos inconscientes e sombrios de sua personalidade. ABISMO- Essa imagem nos leva pelo reino da Grande-Mãe ctônica, do arquétipo da mãe com todas as conotações que lhe são inerentes, do insondável e sem fundo, do mundo do inconsciente e da mãe terrível. O abismo costuma aparecer simbolizando os aspectos ainda informes da consciência, mas que contém em si infinitas possibilidades. Ele é o campo das forças desconhecidas do inconsciente, do potencial que jaz adormecido e que precisa de resgate. Quando essa imagem nos surge em sonhos, pode estar se referindo ao grande medo que sentimos frente a todos os poderes que desconhecemos e que se nos apresentam como incontroláveis uma vez que não os dominamos. ACASALAMENTO- Quando em sonhos aparece o acasalamento sexual de animais, o mais freqüente é que ocorra uma mudança ou substituição nas figuras acasaladas. Esse fato aponta para a transformação de um conflito instintivo dentro do indivíduo que teve o sonho. No entanto, os sonhos em que o ego onírico encontra-se mantendo contato sexual com pessoa desconhecida, apontam para a proximidade da conjunctio. ADAGA- É considerado um instrumento de imolação além de ser um símbolo fálico, ígneo e criador . AFOGAMENTO- É uma imagem de regressão ao útero materno, de perda dos limites estruturados pela consciência. É considerado como sendo um dos símbolos da operação alquímica denominada SOLUTIO, que costuma ser retratada pela imagem do afogamento do rei e da rainha. O velho rei, que é a prima matéria, precisa de regeneração e de transformação e é mostrado afogando-se no mar o que denota que as velhas atitudes, rígidas e estagnadas, precisam ser dissolvidas pela água, numa inundação pelo inconsciente. Para aqueles que possuem um ego forte, essa imagem é assustadora, pois traz em si a percepção de que é iminente a perda de todos os velhos limites, e de que a nossa identidade individual se dissolveu. AGRICULTURA- É considerada como sendo um símbolo da união dos quatro elementos: a terra, o fogo (calor), a água e o ar, necessários a germinação da semente. A agricultura possui ainda uma analogia com o ato sexual, sendo que o trabalho agrícola em inúmeras culturas é associado a ele. A terra é considerada como sendo o órgão sexual feminino onde o ser é gerado e a semente, ao sêmen gerador de uma nova vida. Portanto, através da atividade agrícola, o masculino e o feminino são integrados para que possam dar origem à vida, num ritual de fertilidade e reprodução. ÁGUA- Primordial, é considerada como sendo o ponto de partida para o surgimento da vida -toda a vida vem da água-, daí sua simbologia estar ligada à matrix -mãe -. É um símbolo do Gênese, do nascimento, e para os vedas é chamada de mâtrimâh, o que quer dizer: ” a mais materna. Nos mitos dos heróis ela está sempre associada ao seu nascimento ou renascimento: Mitra nasceu às margens de um rio, enquanto que Cristo “renasceu” no Rio Jordão. Ela sempre nos reporta à origem. Prahmanda, o Ovo do Mundo é tido como tendo sido chocado na água e dele advém toda a criação. Associada ao banho e ao batismo, nos textos da alquimia está relacionada a operação da Solutio. É um dos símbolos do inconsciente, sendo que o ato de entrar na água e dela sair, possui uma analogia com o ato de mergulhar no inconsciente, enquanto que ser lançado à água é similar a ser entregue ao seu próprio destino. Sonhos em que o ego onírico guarda a água suja em seu quarto, simbolizam aceitação por parte do ego vígil dos aspectos obscuros de sua personalidade, de sua sombra. Caso o sonhador se veja tomando um banho, essa imagem parece estar associada a penetração da compreensão sendo que a temperatura da água pode nos dizer sobre a quantidade de “calor” que acompanha este processo. Enquanto um dos quatro elementos, é um símbolo do sentimento. As emoções também se encontram representadas na água. As ondas do mar corresponderiam ao movimento dessa mesma emoção. AGUA-BENTA- É uma projeção da imago materna sobre a água, conferindo-lhe numinosidade. Pode ser considerada um símbolo da mãe e do divino. O que se pretende ao fazer uso da água-benta é passar por um processo de purificação de um mal psicológico ou moral. AGUACEIRO- É considerado um dos símbolos da operação alquímica da Solutio. ÁGUIA- Animal solar, é visto como sendo um psicopompo, um mediador entre os reinos divino e o espiritual. Na heráldica, é o pássaro dos reis e dos líderes. A águia é considerada como sendo o rei dos pássaros e tem a ver tanto com o desejo de poder, como com a elevação espiritual, com os altos vôos do pensamento e da fantasia. Na Mitologia grega, está associada à Zeus, o deus maior do Olimpo; na mitologia germânica à Wotan, o deus maior do Válhalla; no mito cristão, ela é um símbolo de São João e para Jung, um símbolo do pai. Tal como a Fênix, pode ser considerada como um símbolo de Regeneração espiritual. A acuidade de seu olhar que lhe permite fitar o sol diretamente, a faz ser considerada um símbolo da clarividência. AGRESSIVIDADE- Em condições normais, é um símbolo da sombra, do lado desconhecido da personalidade e que deseja reconhecimento. Quando o indivíduo possui um ego vígil passivo é comum os sonhos em que aparece como sendo uma figura agressiva, como uma necessidade de compensação para a sua passividade. ALAMBIQUE- representação simbólica do útero, é análogo a recipiente, ao vaso alquímico. Na alquimia essa imagem sugere realmente o útero, a mãe, e costuma ser mencionada como se realmente o fosse. O trabalho alquímico seria então correlato a gestação de uma nova vida. O alambique é ainda uma imagem que nos evoca a contenção, o ser capaz de manter os afetos, os conflitos e todas as gamas de emoção sem transbordarem ou espalharem, até o ponto em que possam ser transformados. É uma imagem das capacidades contidas no inconsciente. ÁLAMO- árvore funerária, é um símbolo que nos reporta ao tema da dor e do sacrifício. Os álamos pretos costumam ser consagrados à deusa da morte de forma que eles podem ser considerados como um símbolo da morte. Hércules usou uma coroa feita com seus ramos ao descer ao inferno. Leuce, que foi amada por plutão, foi transformada em álamo pelo deus e colocada à entrada do sub-mundo para que esse pudesse conservar junto a si a sua amada. ALARANJADO- Essa cor, a mistura do vermelho, cor que evoca a paixão com o amarelo, a cor de tudo o que é espiritual, é um símbolo do equilíbrio entre o espírito e a sexualidade; sendo que a pedra alaranjada, o jacinto, é símbolo da fidelidade. ALEIJADO- O aleijão nos mitos era visto como sendo um ser de sabedoria ctônica e sua deformidade aparecia como sinal de iniciação. A sua imagem encontra-se vinculada a dos heróis e a das pessoas que possuem um destino incomum, a exemplo dos cabiros, os filhos de Hefesto. Essa característica parece ser o resultado de uma necessidade de sobrepujar a deformidade física. Os ferreiros, assim como os carpinteiros nos mitos, quase sempre aparecem retratados na imagem de aleijões. ALFAIATE- Seu simbolismo está ligado ao poder arquetípico de transformação do homem, dando-lhe uma nova atitude, uma força ligada à inteligência e à habilidade de lograr os outros. O alfaiate é aquele capaz de criar uma nova persona ou máscara para o indivíduo em sociedade. ALGA- Simboliza todas as formas de proteção. ALHO- Símbolo da proteção contra os poderes maléficos. É comum o uso do alho para afugentar cobras, vampiros e bruxas, tudo por causa do seu odor. ALIANÇA- É um símbolo dos compromissos e dos acordos que se possa fazer. Seja esse compromisso encarado como algo agradável ou como sendo um fardo, esse tipo de anel é considerado sempre como um símbolo de União. ALTAR- É o local reservado para a prática de sacrifícios e orações aos deuses . Espaço sagrado, que significa um temenos, um local reservado para o culto de nosso deus interior, nosso SELF; neste lugar, é o ego quem manda e nossas velhas atitudes são sacrificadas. AMANTE- Figura que em sonhos geralmente retrata a imagem de nossa contraparte sexual. O amante é aquele que se torna o receptáculo da projeção de nossos anseios, afetos e desejos mais profundos. Normalmente a figura do amante em sonhos simboliza o animus/anima, que nesse papel costuma ser uma energia positiva, posto que nos permite entrar em contato com aquilo que só conhecemos num nível inconsciente. Ele pode iluminar com a luz da consciência uma dimensão de nós mesmos da qual não temos pleno conhecimento. O animus/anima como amante aparece como um restaurador da metade de nós mesmos perdida, ele é o parceiro da alma, que nos liberta do pai, da mãe e da família pessoal. AMARELO- Está associado ao ouro, à luz do sol ; é um símbolo da eternidade, da criação, da transfiguração e da meta a ser alcançada na busca espiritual. É a cor da maturidade que emerge do negro. Na alquimia encontra-se ligado a rubedo. É considerada a cor da terra fértil e da harmonia entre os princípios masculino e feminino. No islã, o amarelo ouro é a cor dos homens sábios e na China é a cor do imperador. âmbar- Essa pedra é considerada como sendo um símbolo da atração solar e da energia espiritual. Desde a antigüidade ela costuma ser empregada na confecção de amuletos, ornamentos e estátuas. Sua cor deriva do amarelo e do negro, relacionando-se a integração da luz e da sombra. AMEIXA- A sua flor é considerada como sendo um símbolo da imortalidade. É uma fruta que se encontra associada ao órgão sexual feminino e a sua aparição em sonhos pode refletir que esses sonhos encontram-se carregados de conteúdos eróticos. AMÊNDOA- Essa fruta é composta de uma casca que ao ser quebrada se reduz ao caroço, a sua parte que possui valor alimentício. É um símbolo daquilo que é essencial, do espiritual do valor que é encoberto pela aparência. Para os hebreus é um símbolo de vida nova, e o termo hebraico que designa luz, significa também amêndoa ou amendoeira. AMETISTA- Simboliza a humildade. ANCIÃO- Essa imagem é um símbolo da sabedoria conquistada através da experiência, da vida e do tempo. Sugere aquele que já não possui mais o que aprender posto que já passou por toda a gama de situações humanas. A imagem de um ancião sugere o arquétipo do Velho Sábio, uma manifestação do SELF. ÂNCORA- É um símbolo de estabilidade, firmeza e de tranqüilidade, assim como em seu sentido negativo, pode estar associada as amarras, ao atraso na evolução e a cristalização. ANDORINHA- Ave migratória que parte no inverno mas que tem assegurado o seu retorno no verão. É um símbolo do eterno retorno, das situações cíclicas que desde o início sabemos o final, posto que são repetitivas. ANDRÓGINO- É um símbolo da totalidade, do alfa e do ômega. No início, a uroboros, quando ainda não existe a diferenciação dos opostos, e o final, o produto da conjunctio, do hierosgamos, da integração dos opostos que haviam-se diferenciado no curso da existência. Na alquimia, esta imagem era representativa de Mercúrio. ANEL- Seu significado vai depender da postura psicológica do ego envolvido com o símbolo. Em seu aspecto positivo, é um símbolo de união; enquanto que em seu aspecto negativo, representa a escravidão, posto que tanto une como isola. Sua forma em círculo, pressupõe o infinito, aquilo que não tem início nem fim. O sentimento que se possa ter em relação a ele é que vai apontá-lo como símbolo de um grilhão ou de uma União significativa. A imagem do anel poderia fazer uma referência ao fato de se estar ligado à alguém ou à alguma coisa que não se deveria estar. Pode-se mesmo estar escravizado por algum fator negativo, envolvido num estado de fascinação que escraviza por força de algum complexo emocional inconsciente. De qualquer forma, quando um homem oferece um anel à uma mulher, simbolicamente, ele está declarando, mesmo que de forma inconsciente, que deseja ligar-se à ela não como um caso de amor superficial, mas como uma conexão via SELF, uma aliança, quando pode estar então simbolizando a conjunctio, a união dos opostos. ANÊMONA- É considerada como sendo a flor de Adonis uma vez que o sangue que jorrou de sua ferida ao ser morto, transformou-se na flor. É um símbolo do efêmero, do que possui vida curta, como o deus ao qual nos mitos encontra-se vinculada. ANIMAL- Simboliza os poderes do inconsciente e o nosso lado ligado aos instintos. Por vezes o animal aparece simbolizando o processo de individuação, que em sua origem, constitui-se num instinto natural do ser humano . A espécie de instinto que está se manifestando através dessa imagem é o que está associado ao animal específico, isto quando o animal é retratado sem misturas, o leão como uma representação do instinto do leão; o urso como uma representação do instinto do urso, determinando o impulso instintivo dele em sua forma pura, composta de seu lado positivo e do negativo. No caso em que a libido é retratada numa mistura de seres, o seu conteúdo é simbólico e o inconsciente tenta dessa forma descrever conteúdos psíquicos que não correspondem à impulsos instintivos naturais ou ainda, que a consciência ainda não se encontra receptiva à esses conteúdos. Os animais são aspectos obscuros, perigosos e instintivos de nosso inconsciente e se a anima/animus aparece como um animal, é porque ela/ele ainda não é aceito pelo ego vígil em sua totalidade de aspectos. A aparição de uma outra pessoa que não o ego onírico retratado num animal, simboliza que o complexo do ego foi sobrepujado por um outro complexo. A libido quando aparece em imagem teriomorfa simboliza que é a impulsividade “animal” que se encontra em estado reprimido. No caso de surgimento em sonhos de animais prestimosos dispostos a falar, pode estar sendo indicado que o inconsciente deseja ajudar o ego em sua tarefa e esses sonhos são sinais prognósticos bastante positivos que podem estar se referindo a imago dos pais. Parece ainda, que os animais mágicos aparecem via de regra, como uma simbolização do pai. Os animais bravios têm aspectos sexuais e simbolizam conflitos eróticos, mas a imagem em sonhos em que o ego onírico encontra-se acariciando o animal que o ego vígil teme, nos fala de forma simbólica sobre a repressão cultural do incesto. Quando o ego onírico encontra-se sacrificando um animal, isso simboliza que é uma parte do ego vígil que vai ser sacrificada, a sua instintividade. ANJO- Simboliza uma mensagem positiva de poder dos conteúdos espirituais, mais especificamente, os poderes curativos do inconsciente. São considerados como sendo mensageiros entre o plano divino e o terrestre, fazendo portanto o papel de psicopompo, eles fazem parte daquilo que poderia ser chamado de exército de Deus. ANSIEDADE- Sonhos em que o ego onírico encontra-se ansioso em decorrência da própria imagem que é apresentada aos outros, simbolizam o medo de não estar a altura de um determinado papel social, uma inadaptação a sua persona. Esses sonhos denotam uma estrutura de ego fraca, que é minada pela insegurança do indivíduo. ANTIMONIO- A sua cor é o cinza e simboliza o estado de ser quase perfeito. Foi usado na antigüidade como medicamento. ARADO- A imagem em sonhos de arar a terra, aponta para simbolismos sexuais, sendo o arado um símbolo do falo. Na Antigüidade, era comum se usar os campos cultivados como “leito nupcial” para que a terra se tornasse fértil, o que demonstra a analogia entre o ato sexual humano e o ato de arar a terra. Nos cultos da Mãe-Terra, considerava-se o cultivo da terra como a fecundação da mãe, uma vez que como decorrência da proibição do incesto a imago materna foi desviada para a Terra e a mãe, à partir desse ato de regressão da libido, satisfaz o desejo do filho através do fornecimento de seus frutos. ARANHA- Em razão de sua rede de raios tecida habilmente e de seu posicionamento central, é considerada na índia símbolo da Ordem Cósmica, assim como a tecelã (maya) do mundo sensível. É a Criadora Cósmica e a senhora do destino; podendo ser ainda um símbolo do narcisismo, pois contém em seu símbolo a obsessão por seu centro. ARAR- O ato de arar simboliza a cópula. Através desse simbolismo, a libido é transferida para a terra. ARCA- Simboliza o seio materno e é um símbolo do feminino, além de poder ser associada ao vaso alquímico, ao recipiente da transmutação dos metais na alquimia. É comum que se encontre nos mitos dos heróis, uma viagem em que são trancados numa arca e entregues ao próprio destino, passando posteriormente por um processo que corresponde a um renascimento. ARCO E FLECHA- O arco pode ser ainda um símbolo da tensão causada pelos desejos humanos. É considerado ainda um símbolo do destino. A imagem do arco e da flecha quando parece em sonhos pode estar simbolizando a necessidade de que o ego vígil olhe para dentro de si mesmo como uma seta que aponte para a busca da meta de sua vida. O alvo certamente é interior. ARCO-ÍRIS- É um símbolo do sentimento ou da ligação de Eros. Representa a ponte entre o humano e o divino. Para os hebreus é a aliança de Deus com seu povo; para os chineses, a ponte de União entre o céu e a terra; para os gregos, é a representação de Íris, a mensageira dos deuses. Em todos os povos possui uma simbólica relacionada à imagem da ponte capaz de ligar o mundo sensível ao supra sensível. Essa imagem em sonhos, simboliza a proximidade de felizes acontecimentos, resultantes da própria renovação cíclica da vida, ou da União do inconsciente com o consciente, a fusão dos opostos na psique. Os budistas o consideravam como sendo símbolo do nascimento de uma divindade. AREIA- Pode ser considerado um símbolo do útero, assim como a imagem de andar na areia pode estar expressando o regresso ao útero materno. ARMA- Tem um significado fálico. Os sonhos em que aparecem armas podem estar simbolizando conflitos internos, de natureza erótica. ARMINHO- É considerado um animal símbolo da pureza. ARQUEIRO- Simboliza o desejo de posse. ARROZ- É considerado o alimento da vida e da imortalidade. No Oriente, é um símbolo da abundância e no Ocidente, simboliza a felicidade e a fertilidade. ÁRVORE- No nível arquetípico, aponta para o tema da Arvore do Mundo ou Axis-Mundo, que é um pilar genético de toda a criação; está plantada no meio do Jardim , no centro do Éden. É freqüentemente um símbolo de centralização da psique individual, do SELF e que pode ser visto como o sustentáculo do mundo. Os sonhos em que se está no alto de uma árvore sugerem uma situação difícil, refletindo rituais de iniciação xamanísticos que por vezes eram descritos como se desenrolando nela. Em toda a história religiosa sempre desempenhou um papel importante. Entre os celtas, o culto do carvalho pelos druidas é bastante conhecido; em Uppsala, a velha capital religiosa da Suécia, havia um bosque sagrado onde todas as árvores eram consideradas divinas; os eslavos cultuavam árvores e bosques sendo que esse culto ocupava uma posição de destaque entre os cultos druidas e lituanos. Divindades femininas freqüentemente eram veneradas como árvores, daí por vezes, o culto das árvores e florestas sagradas. Para o primitivo, o mundo em geral é dotado de alma, assim, as árvores e plantas também a possuíam. Na Coréia, acredita-se que as almas daqueles que morrem de peste ou à beira da estrada, assim como as mulheres que morrem de parto instalam-se nas árvores; enquanto que na China, é costume se plantar árvores sobre a sepultura para fortalecer a alma do morto. Ela encontra ainda na sua simbologia a ligação com a Grande-Mãe que tanto é a doadora da vida como da morte, onde é um símbolo tanto da União com a mãe, que abraça e guarda o filho, como do próprio filho, que através dessa ligação com a mãe, recebe como castigo sua castração e morte. Possui ainda um caráter bissexual, uma vez que além de representar a mãe, também é um símbolo do falo. A vida humana, o desenvolvimento e o processo de transformação da consciência as vezes são simbolizadas pela árvore, que tem um significado mítico de guardiã do tesouro. O que é necessário que se atente é que a árvore não é a mãe, mas uma simbólica do arquétipo materno e a imagem da árvore envolta pela serpente é um símbolo da mãe protegida pelo medo do incesto. Existem vários mitos descrevendo os homens nascendo da árvore e a presença de uma fenda, já é suficiente para relacioná-la à mãe, pois a fenda eqüivale ao útero. Os Xamãs enterram seus mortos em troncos e o sepultamento em árvores tem o simbolismo de ser encerrado na mãe para poder “renascer.” Para os maoris, ela tinha uma relação com o próprio destino dos homens sendo que após o nascimento, quando havia a queda do umbigo , os maoris o enterravam num local considerado sagrado e nesse mesmo local era plantada uma árvore que ficava sendo à partir de então, um “tohu oranga”, ou signo da vida para a criança. ASA- Simboliza a liberação de uma carga, a leveza, a espontaneidade, a elevação ao sublime. ASCENÇÃO- Essa imagem é símbolo da renovação do consciente à partir da regressão ao inconsciente. É a própria renovação da Luz, que enfrentando a escuridão pode voltar a brilhar com maior intensidade. É um símbolo da elevação da alma para o céu. ASNO- Simboliza a perseverança, a estupidez, a melancolia e a sexualidade. É um dos animais de Dioniso assim como de Saturno e possui qualidades saturninas. Ser transformado em asno implica ser dominado por essas qualidades, ter caído sob o impulso de um complexo específico que impõe tal comportamento. O filósofo Lúcio foi transformado num asno, o animal em permanente cio e odiado por ísis que mais tarde é desencantado e iniciado nos mistérios da deusa da lua egípcia. O baú- berço de Dioniso era puxado por um asno. ASSALTANTE OU ASSASSINO- Tem uma conotação sexual e pode simbolizar um conflito erótico. ATANOR- Para os alquimistas, era onde se operavam as transmutações alquímicas, um tipo de recipiente onde se processavam as transformações. AURORA- Simboliza as promessas e possibilidades de luz e de completude; ela é a própria personificação da esperança que embora possa esmorecer sempre volta a vida. AUTOMÓVEL- Os meios de transporte assim como as viagens, são imagens que parecem indicar a estrutura do ego ou o modo como o ego se movimenta através das várias atividades da vida. Em sonhos, as imagens em que o ego onírico não está na direção do volante, simbolizam que o ego vígil pode estar possuído por um complexo do inconsciente, pois o motorista e sua personalidade seria a simbólica de um dos componentes da pique do ego vígil. Se na estrutura do sonho, o carro para por falta de combustível, pode estar simbolizando que o ego vígil não usa sua força na totalidade assim como se o ego onírico sente-se inadequado dentro do automóvel pode ser um símbolo de que o ego vígil adotou uma postura errada na vida. A carroceria do automóvel simboliza regra geral, a persona do ego vígil. AVALANCHE- As pessoas ameaçadas por uma raiva patológica costumam sonhar com um deslizamento de terra ou com uma avalanche o que simboliza que o inconsciente utiliza essa imagem hábil para predizer não um desabamento exterior, mas interior. De qualquer forma, a imagem de uma avalanche pressupõe uma inadaptação do indivíduo frente a determinadas circunstâncias da vida. AVELEIRA- Símbolo da constância e da paciência, é uma árvore da fertilidade, por vezes associada à prática da magia. AVENTAL- É um símbolo de proteção além de simbolizar o trabalho. AVIãO- Sonhos de aviões em choque costumam referir-se à operação alquímica da coagulatio. A imagem de para-quedistas ou super-homens que descem do avião parecem mostrar que algo até então inconsciente, está descendo do infinito e vai saltar no âmbito da compreensão humana e são representacões antecipadas de uma nova percepção do SELF. A sobrecarga do avião pode estar indicando valores do ego vígil que devem ser abandonados assim com os sonhos em que o avião está em queda simbolizam um contato brutal com a realidade concreta. AZEITE- É um símbolo de força espiritual e luz, e é dotado de poderes especiais uma vez que costuma ser utilizado para unção. O dito de que o azeite e o vinagre não se misturam falam-no simbolicamente de suas qualidades especiais, uma vez que o vinagre é símbolo da baixa qualidade. AZEVICHE- Embora negro, é um símbolo de proteção contra o mal. AZUL- É a cor do princípio masculino, o Yang e pode simbolizar um desapego aos valores do mundo, assim como um excesso de passividade, é a cor do céu. BAÇO – Órgão do corpo humano, que possui a simbólica de versatilidade. BALANÇA- É um símbolo da justiça, que é associado a deusa Têmis, filha de Urano com Gaia. É considerada o símbolo do sígno zodiacal de Libra. Existe ainda uma associação entre a balança e a morte, pois no Egito a alma dos mortos era pesada por Thot numa balança, em cujos pratos era colocado uma pluma e o coração do falecido. Se o prato em que estava o coração fosse mais pesado do o que continha a pluma, o morto era considerado como sendo culpado por seus pecados. BALDE- Equivale a recipiente. BALEIA- Simboliza a escuridão abissal e misteriosa, o inconsciente, o local para onde o herói precisa retornar para que seja possível o seu renascimento. No mito do herói, a baleia é um símbolo da Grande -Mãe devoradora em cujo ventre o deus-herói se transforma, e sendo que nesse confronto com a Grande-Mãe, temos o simbolismo de que é o ego do homem que precisava ser transformado. A luta do herói conta a baleia ou qualquer outro monstro marinho se constitui num símbolo da luta pela libertação da consciência do eu das ligações com o inconsciente e a sua salvação se constitui dessa maneira num símbolo da vitória do consciente sobre o inconsciente. A saída do ventre da baleia significa um renascer ou uma ressurreição, tanto que o símbolo da baleia é comum a vários ritos de iniciação. A entrada em seu ventre é análoga a descida ao sub-mundo e a passagem pelo inferno. BAMBUS- Em decorrência de sua flexibilidade, simbolizam a sabedoria feminina, vegetativa e desarticulada. É considerado como sendo um símbolo do inconsciente e das suas profundezas. BANANEIRA- É considerado um símbolo de bom augúrio, além de simbolizar a fragilidade, pela flexibilidade e pouca consistência de seu caule. BANHEIRA- O banho na banheira possui uma simbólica diversa da do banho no mar, uma vez que a banheira é um recipiente feito pelo homem no qual o ser humano pode entrar e que possui ainda dimensões definidas ao contrário do mar. A imagem da banheira portanto, simboliza o inconsciente mas de uma forma específica que o vincula à imagem do recipiente na alquimia. BANHEIRO- Essa imagem está relacionada a “eliminação” ou a dificuldade em “se soltar”, ela nos remete também a imagem das fezes, a prima matéria na alquimia. Os sonhos com banheiro são bastante comuns, principalmente quando se procura uma privada para que se possa defecar e ela não é encontrada, está ocupada ou não possui água corrente. Isso simboliza que algo está por vir, o início de um processo, e as fezes apareceriam como o potencial para esse processo. BANHO- É o símbolo de uma transformação no ego, através do inconsciente, uma vez que essa imagem está vinculada à do batismo. É um símbolo de purificação, renovação e renascimento tanto que o batismo cristão também é entendido como uma limpeza e separação do pecado e expulsão dos maus espíritos. Existe nele uma idéia de renovação porquanto a pessoa que foi batizada foi renovada em Cristo e livrou-se de uma forma simbólica de todos os pecados pagãos anteriores, como uma espécie de renascimento pela água. É através desse banho que o SELF pode “renascer”. Nos ritos batismais dos Mistérios dos Êleusis, os participantes dirigiam-se primeiro para o mar a fim de tomar um banho ritual. O banho de uma forma geral é interpretado como uma forma de livrarmo-nos de nossa sombra, pois o contato com a água, nos traz de volta ao inconsciente para que possamos nos purificar e renascer. O banho é por conseguinte, uma técnica bem conhecida de redenção, onde se pode fazer o exorcismo através da água. A sujeira que anteriormente cobria o corpo costuma ser encarada simbolicamente como sendo as influências psicológicas do ambiente que contaminaram a personalidade original. Em muitos sonhos o processo analítico é comparado a um banho e a análise é frequentemente equiparada a uma lavagem. O banho, o aguaceiro, o chuvisco, a natação, a imersão na água, são equivalentes simbólicas da operação alquímica denominada Solutio e essas são as suas imagens que costumam aparecer em sonhos. Quando o SELF avizinha- se da consciência ocorre o processo de afogamento que é a agonia de ver-se aprisionado dentro dos limites da consciência e essas imagens que estão associadas ao simbolismo do batismo implicam numa verdadeira seqüência de morte e renascimento. BARBA- É um símbolo de virilidade e sabedoria, uma vez que só os homens a possuem e num determinado período cultural, os sábios deixavam suas barbas crescerem. Na Antiguidade, as imagens de animais com barba simbolizavam que se tratava de um animal cerimonial e simbólico posto que a barba era considerada sagrada nessas imagens. BARBEIRO- Pode simbolizar um sacerdote iniciador. Ele sempre vai nos remeter aos ritos de iniciação, uma vez que está relacionado ao corte de cabelos, à tonsura. BARCA- Pode aparecer simbolizando o transporte da alma e realmente por vezes tem o simbolismo de carregador de almas, um rito de passagem para o outro mundo. O barco lunar hindu carrega as almas para a nova encarnação, e possui uma associação com o ciclo lunar e com as deusas da lua, que detém o poder da vida, da morte e do renascimento, através da qual é conferida ao indivíduo a imortalidade. Nos mitos , o barco solar acompanha o sol até o além, é o meio transporte para o inconsciente. Algumas vezes, a barca aparece simbolizando a Igreja, num vínculo com a mãe, com o feminino, posto que sua imagem corresponde a imagem de uma das fases da lua. BASILISCO- Dizem que as folhas desse vegetal possuem poderes mágicos. O animal desse nome era um réptil capaz de matar através de seu olhar, tanto que é considerado como sendo um símbolo da morte, o que o associa ao simbolismo de Medusa. BASTÃO- Simboliza poder, julgamento e comando e é ainda associado a caminho, como um princípio de direção do inconsciente. O bastão do Bispo é um símbolo da autoridade da doutrina que mostra o caminho e que fornece as decisões. BATIDAS NA PORTA- A imagem em sonhos de batidas persistentes na porta simbolizam conteúdos que foram deixados de fora da vida do ego vígil e que desejam ser ouvidos, solicitando sua participação na consciência. BATISMO- A BENEDICTIO FONTIS, o batismo na Igreja, representa a purificação do ser humano e sua transformação num novo ser espiritual. Psicologicamente, a sujeira ou pecado lavados pelo batismo podem ser compreendidos como inconsciência, as qualidades de sombra das quais não temos consciência e portanto não nos damos conta. A imersão na água tem uma conotação de regressão ao útero, a reintegração no mundo indiferenciado da préexistencia para que em contato com a água possa ser levado a um estado de regeneração. A imagem do Dilúvio pode ser associada em termos psicológicos, com a imagem do batismo. No que se refere ao batismo de sangue, assim como ao encontro com o fogo o que está simbolizado é o estado de provação de ter que suportar um afeto intenso, assim, o batismo de sangue equivale ao batismo de fogo e certos mitos falam do batismo de fogo como capaz de promover a imortalidade, a queima das partes mortais simboliza a destruição do carnal ou da luxúria. A Túnica de Nesso ilustra a associação que costuma ser feita simbolicamente entre sangue e fogo. A morte de Cristo na cruz é uma simbólica que se assemelha à do batismo, posto que a crucificação corresponde à uma regressão à mãe, ao inconsciente, que possibilita ao herói o seu renascimento. BERÇO- É uma imagem que costuma simbolizar o seio materno ou o útero, embora por vezes apareça simbolizando uma viagem. BÉTULA- É o nome de uma árvore que na Rússia simboliza a donzela, e que também muitas vezes aparece como símbolo da lua ou do sol. BIBLIOTECA- Imagem que representa um acumulo de conhecimentos herdado não apenas pelo indivíduo mas também pelo coletivo, e que é um símbolo do depósito do esforço individual de toda uma vida no tesouro coletivo transpessoal. BICICLETA- Meio de transporte onde o próprio ego é o responsável não apenas pela direção, pelo rumo tomado, como pelo equilíbrio para que posa prosseguir em movimento até a sua meta. É um meio de locomoção solitário e individual, o que faz dela, um símbolo da autonomia e do equilíbrio. Essa imagem nos reporta ao processo de individuação. O seu movimento em forma de energia circular em torno de um centro, se assemelha ao movimento da psique em direção ao SELF, e que na alquimia costuma ser denominado de circulatio. BIOMBO- Essa imagem em sonhos simboliza de um modo geral que o problema que está sendo apresentado, ainda se mostra de uma forma velada. BOCA- É considerada um símbolo da fôrça criadora, muito embora ela tanto tenha o poder de destruir como o de criar através do uso da palavra. Existe uma associação entre fala, boca e fogo, daí que se pode dizer em relação as palavras proferidas, que elas são inflamadas, pois a fala assim como o uso do fogo, é um derivativo do uso da energia psíquica. BODE- No Oriente, os demônios aparecem em imagens com a pata fendida do bode. É considerado um símbolo de THOR, além de ser considerado um símbolo da fecundidade e da libido. O bode é a montaria de Agni, o deus regente do fogo para os vedas, daí que ele é considerado como sendo um animal solar. O termo bode expiatório, simboliza o indivíduo sobre o qual recaem as projeções do mal que os outros gostariam de executar mas que não ousam. Então, ele é empurrado cada vez mais para que desempenhe esse papel. BOI- No Cristianismo, São Lucas tinha como símbolo o boi, é considerado como sendo um símbolo da bondade e da calma. Na China, o boi em argila é um símbolo do frio, além de ser um símbolo yin e os gregos o consideravam sagrado posto que era objeto de imolação. BOLHA- Essa imagem simboliza os sonhos e os pensamentos, em função de sua imaterialidade. BORBOLETA- Simboliza o ar, enquanto elemento da psique. É considerada um símbolo de transformação e de um novo começo. BOSQUE- É o símbolo de uma área inconsciente, um lugar escuro onde vivem os animais e os instintos. A imagem do bosque proibido por vezes aparece em substituição à imagem da árvore-tabu, adquirindo as propriedades desta. BRAÇO- Essa imagem simboliza poder e fôrça. BRANCO- Simboliza a luz do dia, a claridade e a ordem, podendo ser um símbolo positivo ou negativo, conforme a situação como se apresente. Pode ser considerada a cor da manifestação divina; um símbolo da consciência. BRONZE- Esse metal é considerado um símbolo da incorruptibilidade. BRUXAS- Por vezes elas se apresentam como representacões iniciais da anima. É no entanto uma figura arquetípica da Grande-Mãe. A bruxa é a deusa-mãe negligenciada, a Deusa da Terra, a Deusa-Mãe em seu aspecto destrutivo, era o poder de destruição e morte da deusa da lua, a face materna negativa e sombria. Na Idade Média, as mulheres histéricas eram tidas como bruxas e acabavam na fogueira, posto que elas personificam nossos próprios temores e incapacidades contra os quais temos que lutar. É um impulso instintivo profundo que se caracteriza pela preferência por um ninho confortável. BUFÃO- É um símbolo da consciência irônica e que mostra sempre o outro lado da realidade, as duas faces de uma mesma moeda. BURACO- É um símbolo do inconsciente, é feminino ; ele é o acesso aos conteúdos aos quais não se tem acesso de forma consciente, é associado à vagina e pressupõe a origem, a matriz. CABAÇA- É um símbolo do feminino que é análogo ao ventre materno e que se encontra associado a noção de recipiente, vaso, receptáculo. CABEÇA- No simbolismo alquímico é considerada como um dos símbolos do SELF. A imagem da cabeça coberta é um símbolo da invisibilidade ou da morte e o hábito das freiras de usarem véu tem essa conotação. CABEÇA PARA BAIXO- É um símbolo do vencido e representa as nossas derrotas anteriores. É o estado de suspensão entre os opostos, quando não existe integração nem meio termo. CABELOS- São considerados fonte de poder mágico ou de mana e por isso, o ato de cortar os cabelos e sacrificá- los significa frequentemente um renunciar e um renascer. O corte do cabelo ou da barba é frequentemente associado a um escalpo do ser humano, o que equivale a mudança de pele da serpente, um símbolo de transformação e desde a antiguidade o corte de cabelo (tonsura) estava ligado à consagração nos ritos de iniciação onde o sacrifício dos cabelos nos templos das deusas da lua, correspondia a uma evolução da prostituição sagrada, o seu simbolismo era de que entregando os cabelos, a mulher entregava o feminino à deusa. Anéis de cacho de cabelo guardados como lembrança, são tidos como amuletos que ligam uma pessoa a outra. Pela teoria da magia contagiosa, quem tiver de posse tanto de cabelos como de unhas humanas, pode exercer influência sobre a pessoa da qual os mesmos foram cortados. O cabelo é com freqüência associado à fôrça vital e ao próprio destino podendo ser considerado como uma imagem da relva, o cabelo da Terra. Na Rússia, somente às mulheres virgens era permitido que usassem uma trança grossa posto que após o casamento só poderiam usar duas tranças. A cabeleira encontra-se ainda relacionada à sensualidade e à provocação sexual. CABRITO- É um símbolo do renascimento com ascensão ao divino. A cabra é tanto o símbolo da iniciadora como da ama de leite, uma representação da mãe. CAÇA- A imagem de uma caçada pode estar simbolizando a agressão à mãe, a sua imago, uma vez que os animais fazem parte do reino da Grande-Mãe. Essa imagem pode ainda representar a busca pela vida espiritual. A vida dos jovens gregos ligada a caça possuia uma simbólica de iniciação, ligada à Artemis. CACHOEIRA- Simboliza o movimento contínuo sem alteração da forma, o próprio correr da vida sem que o núcleo da existência seja modificado. CACHORRO- Na antiguidade era tido como o guardião da vida eterna. Em várias culturas antigas a imagem do cão estava ligada à simbólica da morte, na Pérsia antiga, os cães alimentavam-se dos cadáveres dos mortos e na Rússia era costume levar um cão junto da cama do moribundo para que recebesse alimento de suas mãos, alimento esse que garantia que o cão servisse de guia da sua alma para o outro mundo. Hécate, a deusa do nascimento e que estava relacionada ainda à magia, a iniciação e a morte, recebia sacrifício de cães. Nos túmulos romanos era comum encontrar-se imagens de cachorros e Cérbero era o famoso cão do Hades, o mundo do post mortem que correspondia a uma espécie de purgatório. Na Grécia, o cachorro pertencia também a Esculápio, o responsável pelas curas, pela sua capacidade de se curar por meios próprios, ingerindo grama. No Egito, era considerado como sendo um símbolo de Anúbis, o deus com cabeça de chacal e que era um guia para o mundo inferior. Pela sua capacidade de adaptação ao homem, costuma ser um símbolo da fidelidade no relacionamento. CADÄVER- Em sonhos, o aparecimento de cadáveres de odor desagradável, que teve que ser exumado, pressupõe severas repressões. Simboliza o fato de que algo foi reprimido por tanto tempo, que se desintegrou e se decompôs na terra. A imagem de cadáveres também pode apontar para o fato de que determinados conteúdos do inconsciente estão tentando tornar-se conscientes e anseiam com desespero participar do mundo dos vivos. Essa imagem na alquimia, encontra-se ligada à putrefactio. CAIXA- É considerada como sendo um símbolo feminino, uma imagem do inconsciente, da mãe, da matriz. CAJADO- Assim como o bastão, é um símbolo de direção, de comando e de poder. No entanto, o cajado do pastor quando partido, indica que houve perda de uma atitude de inocência. CALCANHAR- Simboliza o apoio e o equilíbrio do ser humano, e um calcanhar desprotegido pode ser representativo de um ponto frágil, capaz de minar a base e o equilíbrio do ser humano, levando-o à derrota, tal como no mito deu-se com Aquiles, que foi morto em consequência da vulnerabilidade representada por essa parte de seu corpo. CALDEIRÃO- É um símbolo que pressupõe mudança, regeneração, iniciação e ressurreição. É o vaso que possui a simbólica de possuir poder para transformar o material em espiritual, o mortal no imortal. É o recipiente onde se cozinha o caldo da regeneração. No caldeirão das bruxas tanto eram cozidos o remédios como as poções venenosas, através de um movimento circular, típico do feminino, e que se encontra em conexão com as fases da lua. A imagem do caldeirão simboliza então, duas faces do arquétipo da mãe, o feminino positivo pela regeneração realizada através do caldeirão da alquimia e o feminino negativo, na magia negra do caldeirão das bruxas. CÁLICE- O cálice normalmente está relacionado com a imagem do Graal, que é a taça mística na qual segundo a tradição, Jesus Cristo bebeu na Última Ceia com seus discípulos e na qual disse: “Bebei dele todos, pois isso é o meu sangue, o sangue da Aliança(…)”. A história do Graal provém da tradição celta e é o recipiente feminino que contém a substância da alma essencial da qual o espírito emana. Nas culturas egípcia, indiana e hebraica existe uma analogia entre cálice e coração, pois o coração seria um cálice alquímico que elabora a vida. Segundo afirma a lenda, José de Arimatéia recolheu a água e o sangue que escorreram da ferida no flanco de Jesus aberta por um centurião, e depositou no Cálice Santo (GRAAl). Depois do desaparecimento físico de Cristo, o Santo Graal é levado para a Bretanha por José de Arimatéia e Nicodemus. Assim como a taça simboliza o recipiente, o útero capaz de conter as qualidades maternas da mulher. CAMA- É um símbolo de intimidade, daquilo que nos é pessoal, é o local onde dormimos e vivemos nossos sonhos, o local onde participamos da vida de nosso inconsciente. Está ainda relacionada à intimidade do amor e do sexo, sendo portanto, um local bastante pessoal. Se nos deparamos com um motivo de sonho em que alguém está debaixo da nossa cama, esse símbolo relaciona-se ao inconsciente pessoal. É o lugar escondido, onde os complexos reprimidos e os problemas vivem, minando aos poucos a direção consciente, e no final, até mesmo acabando com o descanso da pessoa. CAMPO- Simboliza todas as características opostas ao inferno, podendo portanto ser considerado um símbolo do Paraíso. Em função dessa sua simbólica, vários cemitérios costumam chamar-se “Campo Santo”. CANA- Simboliza a flexibilidade. CANDELABRO- Símbolo da luz espiritual, é uma derivação da árvore sagrada, um símbolo da cabala hebraica. CANHÃO- Simboliza a sexualidade e tem um simbolismo de falo, essa imagem em sonhos pode denotar a existência de conflitos eróticos na estrutura da psique do ego vígil. CAOLHO- Símbolo da clarividência através da concentração de poderes num só olho. CAPACETE- Simboliza a invisibilidade. CAPUZ- Símbolo da invisibilidade contudo, o barrete pontudo dos gnomos e dos cabiros é considerado como um símbolo do falo. CARACOL- Simboliza a regeneração periódica. CARNE- Simboliza a verdade nua e crua. É associada ainda com a vestimenta do esqueleto, já que ela é uma vestimenta adquirida pela alma durante a descida pelas esferas planetárias. CARNEIROS- O carneiro era visto pelo matriarcado como símbolo do poder tirânico masculino. É ainda um símbolo de Agni, o deus do fogo dos vedas, a sua montaria. A imagem em sonhos de numerosos rebanhos de carneiros, enfatiza a brandura, pela inocência que é característica desse animal. CARPINTEIRO- A imagem do carpinteiro aponta para o símbolo do criador, aquele que é capaz de criar e moldar através da madeira, que oriunda da árvore, tem uma ligação com o arquétipo da mãe. Ele cria à partir da mãe, sendo portanto, um símbolo do pai gerador. Taré, pai de Abraão foi um bom marceneiro; Tvashtar, pai de Agni, um ferreiro e carpinteiro; Hefesto, o pai de Hermes era carpinteiro, ferreiro e escultor; José, pai de Cristo, carpinteiro; Ciniras ,pai de Adônis, carpinteiro. CARREGAR- A imagem em sonhos em que o ego onírico está carregando alguma coisa, tem a ver com a via- crucis de Cristo, o carregamento do touro por Mitra, Sansão carregando os pilares de Gaza ou Hércules carregando as colunas até o lugar onde morreu. A cruz ou qualquer outra coisa que o ego onírico carregue, representa um aspecto ele mesmo ou seja, simboliza a totalidade do ego vígil, o seu SELF, a sua plenitude. CARRO- É considerado um símbolo da consciência, de como ela se manifesta pelos rumos da vida, similar a imagem do automóvel.. CARVALHO- É um dos símbolos de Zeus ou Júpiter mas dizia-se pertencer igualmente a Juno. Nas cidades latinas, sempre que se acendia o fogo sagrado, usava-se a lenha do carvalho, a árvore sagrada que era também considerada como sendo o símbolo da deusa Vesta e em seu templo pode-se ver ainda hoje um carvalho dito sagrado. O carvalho costuma ser considerado como sendo a imagem do Eixo do Mundo, do Freixe Yggdrasil da mitologia germânica, e o filósofo Pherecydes interpretava o mundo inteiro como sendo um imenso carvalho. CARVÃO- Simboliza uma energia que não é visível. No carvão encontramos a energia e o calor proveniente do fogo, mas que se encontra encoberta. CASA- Elas são um símbolo de nosso espaço psíquico pessoal, da nossa psique. A fachada da casa simboliza a persona, a máscara que o indivíduo usa em sociedade; o telhado simboliza a cabeça, a sede da consciência; o andar de baixo está relacionado ao inconsciente e aos instintos; a cozinha é o local onde se processam as transformações, o equivalente ao laboratório da alquimia. Elas aparecem então em sonhos como símbolos da própria psique uma vez que ela podem ser consideradas como sendo um “estado psíquico”. CASAMENTO- Simboliza de forma sutil a conjunctio. A união dos opostos na psique, do feminino com a masculino, o hierosgamos. Na antiguidade costumava-se celebrar casamentos ditos sagrados entre deuses e mortais com a finalidade de propiciar a fertilidade para a terra, animais e homens. Esses casamentos simbolizavam ainda, a união espiritual com Deus. Havia o hábito de se consagrar virgens, como consortes à imagens, com a mesma finalidade como símbolo da união com o divino. Nos templos das deusas da lua, as virgens que tinham sua iniciação no templo, entregando-se ao papel de hieródulas, de prostitutas sagradas, visavam representar a união divina da deusa, representada no ato por uma mortal, com o deus, o falo, representado no ato pelo homem que procurava o templo, união essa que garantiria a fertilidade e que a iniciava nos mistérios do sexo e da feminilidade. A cerimônia do casamento humano reproduz o hierosgamos, qual seja, esse casamento divino, a união do céu com a terra. A união sexual ou o casamento efetivamente só pode ocorrer entre dois seres depois que ambos tenham alcançado a autonomia do ego. A imagem desse tipo de união intrapsíquica quando aparece em sonhos, surge como sendo algo numinoso e que possui um efeito emocional inexprimível. CASTANHO-ESCURO- Simboliza a humildade e a pobreza. CASTELO- É um símbolo de transcendência pela sua localização quase sempre no alto e de difícil acesso. CASTRAÇÃO- É um símbolo da necessidade de aceitação pelo indivíduo de sacrificar seus desejos de menino desamparado em pról da sua masculinidade. É símbolo da necessidade de que desista das suas exigências em relação ao feminino, a mulher, esperando que ela satisfaça suas necessidades sexuais e emocionais como se fosse a sua mãe. A castração assim como a morte voluntária do indivíduo, resulta num renascimento como homem, e ela é o equivalente simbólico da perda do falo, da autocastração, tal como é representado no mito de Átis e de sua mãe Cibele. CATACUMBA, cripta- É um símbolo da mãe e que exprime a possibilidade da ressurreição. Os defuntos eram depositados nas catacumbas como numa oferta simbólica à mãe na esperança da possibilidade de que pudessem renascer. CATEDRAL- É uma imagem que costuma aparecer como um símbolo da estrutura religiosa estabelecida, da religião onde fomos tradicionalmente criados. CAVALGAR- O ato de cavalgar tem uma simbologia sexual segundo Freud e Jung, e isso se deve ao ritmo do ato de cavalgar. O Freixo Universal Yggdrasil é também chamado de”Corcel Assustador”, talvez devido a conotação sexual do simbolismo do cavalo. CAVALO- O cavalo é uma das formas simbólicas mais puras da natureza instintiva é a energia que apóia o ego consciente sem que esse perceba, a energia que gera o fluxo da vida e que dirige nossa atenção para as coisas, influenciando nossas ações através de uma motivação. O cavaleiro é o ego, enquanto que o cavalo é o símbolo da nossa energia instintiva e animal. Quando juntos representam o movimento harmônico da natureza. Na imagem do cavalo a libido instintiva à disposição do inconsciente por vezes se encontra bastante ligada ao tema da sexualidade. O cavalo simboliza o sentimento de se estar vivo posto que é o fluxo da vida que não criamos mas que nos carrega no exercício de nossa vida. Na mitologia ele é associado às deusas-mães, sendo que podemos encontrar associações entre a imagem do cavalo e o simbolismo da mãe que pode ser vista como sendo o cavalinho da criança e isso devido a primitivamente ela costumar carregar seu filho às costas. Sua imagem também encontra-se associada a da árvore dos mortos pois ele é um animal que a alma utiliza para cavalgar para o outro mundo, servindo de psicopompo entre o mundo dos vivos e o dos mortos. No mito de Odin, a sua mãe era o “Corcel Assustador”, o Freixo Universal Yggdrasil de onde ele surge em suspensão. Hécate as vezes é representada com cabeça de cavalo e tanto Deméter quanto Fílina para poderem escapar das perseguições de Crono e de Posseidon, transformaram-se em cavalos. Nos países europeus, o diabo tem uma pata equina que possui como origem Wotan, e em quase todos os mitos o diabo cavalga uma bruxa cavalo. Na Holanda, é costume se pendurar um casco de cavalo nas estrebarias com a finalidade de afastar os feitiços. É considerado também um símbolo do tempo e representa o vento pela sua velocidade. Se a imagem é de um cavalo branco, indica tratar-se de um impulso instintivo que naturalmente se dirige à consciência e se ele possuir asas pode ser considerado como sendo um símbolo de uma forma alada do princípio transcendente. Quando em sonhos o cavalo joga a sonhadora no chão, exprime um tema sexual ou aponta um conflito erótico, o que também costuma ser simbolizado pelo seu coice. Sendo o cavalo um símbolo da quantidade de energia a disposição do homem, quando as imagens giram sobre o seu sacrifício, podem estar apontando para uma fase de introversão pois o sacrifício de animais quando não é feito como simples oferenda, possui uma simbólica religiosa elevada, estabelecendo uma relação entre o herói e a divindade. O sacrifício surge então como a imolação do instinto, a união com o divino o seu abate ou sacrifício pode simbolizar a dissolução do instinto até então inconsciente. Quando se trata de um esquartejamento, o que está sendo simbolizado é que uma nova ordem está sendo criada pela conscientização e reflexão, além da existência de uma disposição interior para receber o arquétipo do SELF. CAVERNA- Na antiguidade sempre foi considerado como sendo um lugar sagrado, ligado ao útero da Mãe-Terra, da deusa da natureza, onde ocorrem as transformações e os renascimentos e que simboliza a profundidade da natureza interior. A caverna simboliza tanto o útero como o túmulo, a passagem ascendente para a vida e a descendente para a morte posto que é a morada das Moiras e Erínias que tecem o destino. Essa imagem se constitui ainda num símbolo da busca interior que nos leva pelo caminho da individuação. Assim como a gruta, simboliza a cavidade do coração que é considerado o centro do ser, bem como o interior do “Ovo do Mundo”. CEDRO- Essa árvore é considerada como sendo um símbolo da imortalidade. CEGO- Essa imagem é considerada como sendo um símbolo da visão interior, uma vez que o cego não tem como abstrair-se através das imagens exteriores. Símbolo da clarividência que possui apoio no mito vivido por Tirésias. CEGONHA- Simboliza a contemplação filosófica. Na mitologia grega, Antígona, a irmã de Príamo gabou-se a Hera da beleza de seus cabelos, o que fez com que a deusa invejosa os transformasse em serpentes. Zeus apiedando- se de Antígona, a transformou posteriormente em cegonha. CELEIRO- Essa imagem normalmente encontra-se associada ao mito de Deméter, a colheita e aos grãos. CENOURA – Como a maioria dos vegetais, tem um significado erótico e sexual, além de poder ser considerada como sendo um símbolo do falo. CENTRO- É o arquétipo do SELF que pode aparecer através da imagem da árvore, do Graal, de Jardim, da Mandala, do Paraíso, da Cidade, da Montanha, etc… CERVO- É um símbolo da auto-renovação e que simboliza um fator inconsciente que nos revela o caminho que nos levará ao rejuvenescimento. É um portador da luz que atrai a consciência levando-a por novos caminhos que propiciam novas descobertas. Pela sua profusão de galhos pode ser um símbolo da Árvore da Vida assim como da rapidez e abundância. O cervo era o animal de Artemis ou Diana. CESTA- É considerada como sendo um símbolo feminino que se encontra associada à mãe e ao seu acolhimento, assim como o berço. CETRO- É um símbolo da autoridade, análogo ao bastão e a vara. CÉU- É um dos componentes do primeiro par de opostos, Céu/Terra, como resultado da quebra do Ovo Cósmico. É considerado como sendo um dos símbolos da consciência e o céu estrelado simboliza o inconsciente coletivo sendo que quando as estrelas descem à terra, podemos ver nisso o simbolismo da proximidade da compreensão, pois indica que o conteúdo tende a tornar-se real na consciência do ser humano. CHÁ- Simboliza a essência do ser humano. CHAMA- Originária do fogo, é considerada como sendo um símbolo que pressupõe purificação e iluminação. CHAMINÉ – Simboliza a ligação com o reino do espírito, dando-nos uma idéia de centro. CHAPÉU – Por ser a peça de nosso vestuário que cobre a cabeça, em geral significa a própria cabeça. O chapéu recobre a personalidade, dando-lhe um significado. Essa imagem em sonhos pode estar simbolizando que o inconsciente com seus conteúdos está forçando o sonhador e pressionando para que os mesmos penetrem na consciência do ego vígil. CHAVE- É geralmente vista como sendo um símbolo fálico, muito embora possua uma analogia com os poderes iniciáticos. O iniciado é o possuidor da chave, o conhecedor dos segredos e o único capaz de ter a chave para que possa abrir as portas que dão acesso aos mistérios da iniciação. CHICOTE- É um símbolo de poder e tirania. CHIFRE- Pode ter uma conotação fálica, de potência viril, de fôrça e de iniciação no entanto, estão relacionados também a uma das fases da lua, tanto que as deusas da lua costumavam ser representadas portando pequenos chifres, e os animais com chifres eram associados à lua. CHUMBO- Simboliza o princípio de onde parte a evolução e a incorruptibidade. CHUVA- Simboliza as influências psíquicas e espirituais dos deuses sobre a terra. É um símbolo do poder fecundante do céu exercendo influências na terra e essa imagem encontra-se relacionada à operação alquímica da Solutio. CIDADE- É um símbolo feminino que encontra-se também associado ao arquétipo materno pois a cidade abriga em seu corpo os seus habitantes. As cidades fortificadas tem o simbolismo de donzelas enquanto que as colônias de filhos de uma mãe. Babilônia é uma representação de Mãe-Terrível e Tiro é considerada uma das culpadas pela queda de Israel. O mito de Simão e Helena retrata a necessidade de remissão da esposa divina, Israel. CIDRA- É um símbolo da fecundidade. CIGARRA- Simboliza a negligência. CINCO- É considerado um número de união, harmonia e equilíbrio. Soma do dois com o três que na China era considerado um número do centro. É o número da Terra e no hinduismo era Shiva; a conjunção do dois feminino, com o três masculino. CINTO- A imagem em que se aparece colocando um cinto simboliza o selar um pacto ou fechar um acordo. CIPRESTE- É sempre considerado uma árvore representativa da Grande-MÔe e que encontra-se associada a ela em seu aspecto de ser quem abriga a morte. CÍRCULO- Simboliza a alma e o Si-Mesmo, encontrando-se vinculado ao simbolismo da mandala e da eternidade posto que é o Alfa e o Þmega, o início e o fim da vida humana, é a uroboros e o símbolo da meta a ser alcançada, a conjunctio, a união dos opostos na psique. Os círculos mágicos costumam funcionar como um temenos, um território pertencente a Deus, um espaço delimitado, um lugar redondo, reservado para um propósito arquetípico e numinoso que é utilizado para concentrar o que está dentro e excluir o que está fora. É a imagem símbolo de uma realidade psíquica interior do homem. Para o Mestre Eckhart, Deus é “uma esfera espiritual infinita, cujo centro e circunferência estão em toda parte”. CIÚME- Quando o ego onírico vivencia o ciúme num sonho, isto simboliza a existência de um outro complexo atuando por trás da anima/animus e assim, ela/ele aparece em sonhos como tendo um outro amante. COBRA- Simboliza uma força inconsciente da natureza que não é boa nem má, seu estado ainda é indiferenciado e corresponde a base do instinto e da impulsividade natural. Pode ser considerada como um símbolo do falo e possui conotações sexuais simbolizando a existência de conflitos eróticos quando a imagem aparece em sonhos. A cobra frequentemente aparece na mitologia, no simbolismo da religião ou em cultos e ritos, onde podemos encontrar imagens da serpente do paraíso, a Mitgard germânica, da cobra da época de Moisés e das cabeças de serpentes das Górgonas malignas. Essa imagem está associada ainda a Grande-Mãe que geralmente é retratada como sendo uma mulher forte, de seios nus e com os braços estirados para fora, segurando uma cobra em cada mão. COELHO- Tanto para o negro como para o índio americano esse animal era visto como sendo a encarnação animal do herói. A festa da Páscoa possui um simbolismo que aproxima-se desta idéia, originalmente estava relacionada ao culto da lua e era nessa data que celebrava-se a ressurreição do herói da lua e que foi incorporada a liturgia cristã. Pelo fato de procriarem com bastante rapidez e de terem uma prole numerosa encontra-se vinculado à lua e assim como a Páscoa, é um símbolo de vida nova e de fecundidade da natureza feminina em conexão com a deusa. COFRE- Simboliza o inconsciente, o feminino, a mãe; é o que protege o Tesouro a que o herói tanto busca e que nada mais é do que ele mesmo, a sua plenitude, independência e individualidade. COGUMELO- Era considerado como sendo um filtro do amor, além de simbolizar a longevidade. COLAR- O colar como qualquer outro adorno que se use ao redor do pescoço possui uma simbólica de destino. Os ornamentos de pescoço onde vemos chapinhas ou arranjos de pedras preciosas, costumam aparecer simbolizando o tipo de destino da pessoa em questão. COLHER- Simboliza a bruxaria posto que a bruxa tem sempre algo a cozinhar e costuma levantar uma massa de emoções na intenção de cozê-las. COLUNA- É um símbolo da Árvore da Vida pois possui uma simbólica de Eixo ou Centro. Pode ainda simbolizar limites. COMBUSTÍVEL- É um tipo de energia que psicologicamente encontra-se associada a libido, que é a energia psíquica disponível para a vida. Os sonhos em aparecem imagens em que o automóvel está vazando combustível, simbolizam a perda da energia psicológica por parte do ego vígil como consequência de algum complexo inconsciente constelado e que encontra-se sugando a sua energia. COMETA- A imagem de um cometa em sonhos pode estar simbolizando tal qual uma estrela, a proximidade de um nascimento. COMIDA- O ato de comer alguma coisa tem o significado de incorporá-lo, de torná-lo corpo, e por conseguinte os sonhos em que algo é oferecido ao sonhador para ser comido indicam que um conteúdo inconsciente está pronto para ser assimilado pelo ego, e está associado a operação da alquimia denominada coagulatio. Num sonho sempre que alguém oferece algo de comer ao ego onírico parece-nos que mesmo não despertando o seu interesse a comida precisa ser ingerida e que esse alimento costuma ter qualidades estranhas ou miraculosas, o que indica que vem do nível arquetípico da psique. Por vezes encontramos nesses sonhos vestígios da necessidade de assimilação de uma relação com o Si-mesmo e existe sempre uma preocupação quanto ao fato da comida poder ser ou não digerida, o que indica que o que está sendo questionado é o quanto da realidade o ego pode suportar. A carne de Pélopes foi oferecida como ambrosia divina, enquanto a de Cristo é consumida na celebração eucarística da missa. COMPANHEIRO- A imagem do companheiro interior é um símbolo do SELF, e uma imagem de Deus. CONCEPÇãO- A concepção de forma sobrenatural simboliza que um conteúdo do inconsciente nasceu sem a participação do consciente que no caso seria uma representação do pai humano. O momento da tomada de consciência pode ser visto então como um símbolo do nascimento. CONCHA- É um símbolo feminino que é análogo ao útero e que evoca a idéia de fecundidade. CONE- Essa imagem encontra-se associada ao simbolismo de fertilidade e da concepção, uma vez que a representação mais primitiva da deusa da lua era a de um cone de pedra. No Chipre e em Biblos, a deusa Astarte inicialmente era representada por um cone branco ou por uma pirâmide. CONFLITO- Os sonhos em que o ego onírico vê-se envolvido em uma situação de conflito, estão frequentemente associados à diferenciação entre o ego consciente e o inconsciente. O conflito é uma criação espontânea do inconsciente que o estabelece com o intuito de edificar algo de mais vasto para a estrutura geral da psique do ego vígil. CONHECIDOS- As pessoas, os lugares ou os eventos que já são conhecidos tem grandes possibilidades de conterem um significado objetivo, mas também podem referir-se à realidades intrapsíquicas do ego onírico, especialmente se estiverem acompanhadas de um profundo tom emocional. COROA- É um símbolo de poder, análogo as penas,pois o simples ato de ser coroado já identifica o monarca com o sol que tradicionalmente é considerado um símbolo da realeza. No final da consagração dos Mistérios de Ísis, a coroa feita de ramos de palmeiras é colocada no iniciado que depois sobe num pedestal onde o adoram como sendo a própria representação de Osíris enquanto símbolo solar. A coroa também aparece nos textos alquímicos onde o hermafrodita é descrito coroado. A Coroa de louros de Prometeu equivale à Coroa de espinhos de Cristo e ambas são uma imagem da punição pelos pecados, sendo que nesse sentido ela representa o mesmo que o anel de noivado ou de casamento enquanto sujeição ao vínculo. CORUJA- Ave de Atenas que simboliza a sabedoria. É ainda, um conhecido símbolo da morte e do cemitério além de ser o pássaro do destino. COTOVIA- Essa ave é considerada como sendo um símbolo da união entre os reinos terrestre e celestial. COZINHA- Tem por vezes o caráter de laboratório alquímico, o lugar onde ocorrem as mais profundas transformações. Por ser considerada o centro da casa era onde ocorriam os cultos domésticos e era comum que os deuses fossem colocados sobre o forno e o fogão. Pela característica de transformação dos alimentos é associada ao estômago. Por vezes a cozinha aparece simbolizando a emoção, pois ela ilumina e aquece numa demonstração de que o fogo da paixão também é capaz de nos iluminar. CRÂNIO- A imagem do crânio não é meramente uma imagem da morte, ela aparece com frequência no simbolismo alquímico e é aquela parte do ser humano que não se desintegra como acontece com o corpo. É o CAPUT MORTUUM, a caveira que sobra depois que o fogo purificador consumiu toda a matéria inútil. Os alquimistas usavam o crânio como um recipiente onde cozinhavam a matéria-prima. CRATERA- É símbolo do recipiente. CRESCIMENTO- A imagem do crescimento rápido possui uma analogia com o mito do herói, uma vez que a sua infância e crescimento precoce decorrem do fato de que seu nascimento é similar à um renascimento. Ele é o nascido duas vezes. CRIANÇA- Mitologicamente ela pode representar o SELF. Simboliza o começo e a plenitude das possibilidades, o SELF em seu status nascendi. Quando o SELF surge na figura de uma criança, presume-se que ele esteja brotando espontaneamente no ser humano. A imagem da criança tem contudo um significado duplo, pois ela também pode representar a sombra infantil que por vezes precisa ser sacrificada para que o indivíduo saia da condição de PUER. Na imagem da criança enquanto representação do SELF, está implícito o elemento juventude posto que ela representa a capacidade do SELF de acertar pela ausência do senso crítico, é a espontaneidade autêntica que gera a capacidade de fazer a coisa certa, simbolizando a essência pré e pós consciente do homem. Quando em nossos sonhos nos deparamos com a imagem de uma criança deficiente, isso pode estar simbolizando que uma parte de nosso desenvolvimento encontra-se retardada. CRISÁLIDA- É um símbolo da vida em formação, o embrião espiritual pois é dela que sairá a borboleta, um importante símbolo espiritual. CRISTAL- É uma substância que representa o espírito ou a matéria espiritual em forma concreta. CROCODILO- Símbolo da abundância, que é considerado como sendo o senhor do mundo subterrâneo. No Egito, é um símbolo dos defuntos. CUPIM- Simboliza a destruição vagarosa e invisível, contudo, efetiva. CURA- É um símbolo de uma projeção do SELF sobre uma personalidade com poderes terapêuticos e que devido ao fascínio que a mesma exerce e a fé que ela evoca, através da mesma são curadas as doenças psicológicas ou psicosomáticas. CURANDEIRO- É sempre uma figura subjetiva que se encontra nos sonhos pois pode referir-se à capacidade do ego vígil de se auto-curar. DANÇA,RÍTMO- Possui um simbolismo ligado a sexualidade posto que o corpo dançante entra em transe ritual ligando o pessoal com o transpessoal e levando ao êxtase erótico. A imagem de atividades rítmicas realizadas com firmeza e energia pelo ego onírico, podem estar apontando para uma repressão sexual por parte do ego vígil pois a libido reprimida pode regredir para essas atividades que representam analogicamente o ato sexual. As danças rítmicas primitivas em que se aparece calcando o pé estão ligadas ao simbolismo da fertilidade e apontam para a reentrada simbólica no ventre materno. DECAPITAÇÃO- Nas palavras de Jung: ” cortar a cabeça é simbolicamente significativo como a separação entre a compreensão e o grande sofrimento e dor que a natureza inflige a alma.” A decapitação pode simbolizar uma renúncia ao desejo de entender para que possam surgir outras formas de compreensão e o seu propósito é produzir uma UNIO MENTALIS na superação do corpo, segundo o ponto de vista de Dorn. A cabeça torna-se dessa maneira o vaso redondo onde se processará a transformação, é um processo similar ao da criação, posto que pode ser considerada como a passagem do que ainda não é manifestado para o manifestado, do disforme para aquilo que passa a ter forma. DENTE- É considerado como sendo um símbolo da agressividade, uma vez que com os dentes mordemos e trituramos. Cádmus ao matar o dragão enterrou seus dentes e esses transformaram-se em guerreiros que lutaram entre si até a morte. DESASTRE- Os sonhos com desastre nos falam da potencialidade de uma importante mudança na estrutura da imagem do ego e quanto maior for o impacto do desastre, maior será a mudança. DESCIDA- A descida às profundezas é uma imagem que pode simbolizar uma viagem ao mundo do inconsciente. Se acaso houver nessa descida vestígios de civilização, é possível que ela aponte que determinados conteúdos que jazem no inconsciente do sonhador já foram conscientes e desejam retornar à consciência. A descida para o interior da terra simboliza a descida para o “ventre materno”, um mergulho no inconsciente para fins de renascimento. DESCONHECIDOS- As pessoas que aparecem em sonhos e que não são conhecidas na vida vígil do ego onírico provavelmente se constituem em partes inconscientes personificadas da própria psique do indivíduo que com elas sonhou. DESERTO- É um símbolo da alienação do homem e representa a noite escura da alma, a derrota do ego. Contudo é só a partir daí que podemos encontrar alguma manifestação de Deus pois a psique arquetípica tem maior potencial para servir de suporte quando o ego exaure seus recursos próprios e está consciente de que por si mesmo tornou-se incapaz. As imagens de deserto espelham desorientação, mas a partir delas o homem se torna capaz de entrar em sintonia com seu centro. É comum nos momentos de ruptura entre dois períodos distintos da existência que nos sintamos como que perdidos no deserto e sem orientação, mas é nessa solidão onde a dor de tão lancinante faz-se mais do que consciente que conseguimos nos redescobrir e entrar em contato com nossa totalidade. DESFILADEIRO- Quando essa imagem aparece em sonhos simboliza uma situação provisória que leva de uma antiga atitude mental para uma nova. É um símbolo da entrada para o local onde se pode vencer a morte. DESMEMBRAMENTO- Essa imagem fala-nos da quebra de uma atitude ou situação considerada ideal com o fito de se fazer uma adaptação mais realista a vida. O desmembramento pode ser entendido como um processo de transformação que divide um conteúdo inconsciente original para que seja assimilado conscientemente. DEZ- É considerado um número de totalidade que simboliza a conclusão e a fecundidade. DIAMANTE- É um símbolo alquímico que refere-se à Pedra Filosofal. É considerado como sendo um dos símbolos do SELF, algo cuja matéria é indestrutível, um símbolo da imortalidade. DILÚVIO- Símbolo de depuração e do renascimento. Deus envia um dilúvio quando o mundo degenera e isso tem profundo significado psicológico pois é como se a humanidade tivesse que ser reduzida por meio da operação alquímica da SOLUTIO à matéria-prima, ao caos inicial para que a partir daí então, possa transformar-se em algo melhor. O simbolismo do dilúvio tem analogia com o do batismo e nos diz que ao passarmos pela água da SOLUTIO, tornamo-nos inteiros pois podemos nos relacionar com o Si-mesmo. DINHEIRO- É um conhecido símbolo da libido, do valor, da riqueza, da identificação e propriedade do ego. DISCO-VOADOR- Simbolicamente denota que algo até então inconsciente está descendo do infinito e vai saltar no âmbito da compreensão humana. É uma imagem de antecipação de uma compreensão maior do SELF. DOCES- Assim como balas, bolos, etc… em geral, simbolizam uma tendência regressiva de busca infantil de prazeres, o que requer uma interpretação redutiva. DON JUAN- Essa imagem simboliza o homem que está sempre à procura de uma imagem interior de mulher sua (anima) nas outras mulheres para depois perceber que não é “ela” . DOZE- É considerado como um número símbolo da realização. Ele é a multiplicação do número que representa a trindade, o três, com o quatro, o número da totalidade da psique. DRAGÃO – O dragão alado é um dos símbolos de representação do princípio transcendente. No Antigo Testamento, o dragão assim como o Egito, eram chamados de Raab que era algo mau e pecaminoso, donde ele precisava ser sacrificado. Existe aí, uma clara analogia entre a imagem do dragão enquanto símbolo da Mãe- Terrível que precisa ser sacrificada pelo herói para que esse possa se livrar de suas garras. Ele precisa ser derrotado enquanto imagem materna negativa que exprime a resistência contra o incesto e o medo dele. O dragão também costuma aparecer nos mitos como uma representação de Tiamat ou de Leviatã, monstros aquáticos e que personificam o mar. Na saga grega Tifão aparece como um dragão, assassino de Hórus, e ainda símbolo da Mãe- Terrível. Na arte cristã, era considerado um símbolo do pecado e do paganismo. Na China, é o símbolo do imperador, o alvo do herói, o desafio da vida e do inconsciente, era um símbolo de sua civilização e os chineses acreditavam que o Dragão Celestial era o pai de sua primeira dinastia de imperadores divinos. Na alquimia, simbolizava Mercúrio. DUPLICAÇÃO- Os motivos duplos de um modo geral, referem-se à algo que está chegando ao limiar da consciência. Se nos deparamos com motivos duplos em sonhos, podemos saber que algum conteúdo está subindo do inconsciente e acercando-se do limiar da consciência e aí, dividiu-se em dois. DUPLO- A imagem do duplo é uma representação da sombra, do aspecto obscuro e renegado de nossa personalidade que jaz no inconsciente. É a parte perdida de nós mesmos e que precisa ser redimida. Os povos primitivos acreditavam que os homens viviam dissociados na terra e que cada ser possuia um duplo, como uma personalidade maior, e que esse vivia pelo mundo ou então que seguiria a pessoa. O duplo só aparecia então em determinados momentos e se acaso o indivíduo visse seu duplo diretamente, esse seria um sintoma determinante de sua morte. A duplicação das imagens em sonhos, simboliza que algum conteúdo até então inconsciente, está chegando ao limiar da consciência e aí então, dividiu-se em dois. Uma parte está sendo assimilada pela consciência, enquanto que a outra ainda permanece abaixo. É significativo o fato de que a consciência até esse momento ainda não sabe do que se trata, ainda está num processo de reconhecimento.

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DIVINDADE

por: Roberto Lazaro Silveira

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ – Facilitando: “Bereshit bara Elohim et hashamayim ve’et ha’arets.” Bereshit 1:1 – De graça: “No princípio criou Deuses os céus e a terra”. Gênesis 1:1. – Explicadinho: a Divindade é a Tri unidade, sendo unidade de ser: há no Ser Divino apenas uma unidade indivisível, Deus é um na sua natureza constitucional.

A palavra hebraica que significa um no sentido absoluto é yacheed (Gn.22:2). Isto é uma palavra numérica símples que não é empregada para expressar a unidade da Divindade. A unidade é expressada nas palavras de Jesus: “Eu e o pai somos um” (Jo.10:30). Jesus está falando da unidade da essência não da unidade de propósito. (Jo.17:11,21-23 1Jo.5:7).

Há três pessoas no ser Divino: o Pai o Filho e o Espírito Santo. A palavra em hebraico que siginifica um é echad que se refere a uma unidade composta. Esta palavra é expressada para designar a unidade da Divindade. (Dt.6:4; Gn.2:24; e Zc.14:9). Elohim: Este nome está no plural e não concorda com o verbo no singular quando designativo de Deus. (Gn.1:26;3:22;11:6,7;20:13;48:15; Is.6:8).

Há distinção de Pessoas na Divindade: Algumas passagens mostram uma das Pessoas divinas se referindo à outra (Gn.19:24; Os.1:17; Zc.3:1,2; IITm.1:18; Sl.110:1; Hb.1:9).

 

Don Juanismo

por: Roberto Lazaro Silveira

A síndrome de Don Juanismo ou compulsão por sedução é um transtorno caracterizado por necessidade compulsiva por sedução, envolvimento sexual fácil mas fracasso no envolvimento emocional, sendo assim, determinada por relacionamentos íntimos pouco duradouros ou até mesmo inexistentes.

Os indivíduos que têm esta síndrome são excessivamente sedutores e, em geral, têm como alvo pessoas “difíceis” ou “proibidas” de serem alcançadas.

As outras pessoas facilmente se apaixonam por eles, entretanto, o indivíduo com a síndrome logo se apercebe de que o parceiro ou o relacionamento não há mais graça e, por fim, acaba por abandonar a pessoa.

Esses indivíduos não se apegam aos seus parceiros, pois possuem apenas uma atração fugaz em que quando o outro é conquistado, este mesmo vira enjoativo, sem graça e a atração desaparece.

A expressão “don juanismo” aparece por conta do mítico Don Juan, jovem conquistador e sedutor que após conquistar inúmeras mulheres, abandonava-as.

Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina.

Posteriormente Don Juan aparece em José Zorrilla com a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787.

Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.

Segundo Jung, o mito Don Juan apresenta de forma pura o comportamento do ser humano que emite ações reconhecíveis independentemente da época em que se passa, pois, é um veículo para a expressão do inconsciente coletivo.

Trata-se de um padrão (arquétipo) de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada , inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma mulher.

Para o donjuan só interessa o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a presa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc).

Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: “Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença …”.

Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes desses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.

Existe também o Don Juanismo feminino. Observe,

João 4:17 ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido;

João 4:18 porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

João 4:19 Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.

Jesus Cristo como um grande psicólogo conhecedor dos padrões de comportamentos humanos ou arquétipos, não demorou para diagnosticar tal transtorno quando a mulher disse não ter marido; Jesus respondeu que ela estava certa em dizer a frase e completa que cinco maridos ja tiveste (quer dizer de forma ironica porque nunca teve um marido) e este que agora tens não é teu marido (pois ela era insaciável).

Jesus disse a Samaritana que lhe daria água viva e nunca mais ela teria sede (a saciedade através da relação com Deus). Esta cura ocorre em virtude do fortalecimento do vínculo paterno, pois, Deus nunca erra ou mente nem mesmo desampara seus filhos, não abandona jamais por ser eterno e mesmo depois que morrermos estaremos com ele caso nossa vida aqui na terra seja em obediencia e devoção a Ele através de seu Filho Jesus, observe,

João 4:13 Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede;
João 4:14 aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.

Fontes:
Wikipedia
Bíblia Sagrada
Ballone GJ – Síndrome de Don Juan e “Ficar com”

 

Psicanalista e Psicanálise

por: Roberto Lazaro Silveira

Psicanalistas são os profissionais psicólogos, terapêutas holísticos, médicos psiquiátras e os indivíduos com formação em Psicanálise?

Freud diante do fracasso dos métodos médicos afiliou-se á psicologia para adquirir meios de tratar a causa de determinados sintomas que não conseguiam ser explicados em laboratório através das técnicas positivistas da medicina ocidental.

Para compreender tais fenômenos Freud analisava o passado da pessoa como forma de compreender o presente, mais precisamente, como o psiquismo em determinado momento da vida da pessoa, gerou o transtorno psicossomático que perduraria até ser descoberto e conscientizado pelo paciente.

A Psicanálise sempre existiu por traduzir um comportamento arquetípico humano – Jesus Cristo por exemplo era um notável psicanalista.

Freud ganhou notoriedade na época, pois, os psiquiatras eram subjulgados pelos outros médicos e com isto buscavam cada vez mais relacionar os transtornos psicossomáticos com alguma causa puramente física do tipo faz-se uma lobotomia e pronto – “um quebra gelo no lobo frontal”.

Para serem aceitos como médicos os psiquiatras precisavam de doentes com explicações físicas. Freud quebrou este paradigma e tornou-se psicoterapêuta e obrigatoriamente psicanalista.

O magnífico gênio Sigmund para nomear sua astúcia decidiu que as técnicas delimitadas por ele seriam chamadas de psicanálise talvez uma homenagem á psicanálise arquetípica notada em Jesus Cristo, Sócrates, Platão…. No entanto, não tratava-se para ele de um homônimo, ele estava convencido de que havia criado a psicanálise….

Um fato interessante foi que Freud quebrou a barreira, no entanto, quando Jung seu aluno denominado príncipe herdeiro decidiu ir além foi repreendido pelo próprio austríaco.

Freud disse para Jung que poderia até haver inovações, no entanto, não caberiam na psicanálise, ou seja, Freud utilizou a psicanálise para resolver as incompetências do modelo médico ocidental diante da alternância psicossomática, disse ter inventado a mesma enquanto na verdade somente organizou um brilhante método de trabalhar com a psicanálise e quando Jung tentou dar ênfase no inconsciente coletivo, comprovado pelo próprio Freud ao perceber o complexo de Édipo (arquétipo de Édipo – Inconsciente Coletivo) foi repreendido por Freud que disse a Jung que não era psicanálise tais idéias.

 

Conto de Fadas e Psicanálise

por: Roberto Lazaro Silveira

Gostaria de compartilhar com vocês esta importante leitura para aqueles que buscam o conhecimento sobre arquétipos e necessitam conhecer um pouco de psicanálise do Freud. O texto abaixo foi retirado do livro Repressão sexual: essa nossa (des)conhecida, da autora Marilena Chauí, que foi impresso pela editora Brasiliense no ano de 1984, o trecho apresentado foi selecionado a partir da página 32 até a página 45. Boa leitura!

Poderíamos considerar que numa sociedade como a nossa, que dessacralizou a realidade e eliminou quase todos os ritos, os contos funcionam como espécie de “rito de passagem” antecipado. Isto é, não só auxiliam a criança a lidar com o presente, mas ainda a preparam para o que está por vir, a futura separação de seu mundo familiar e a entrada no universo dos adultos.

Do ponto de vista da repressão sexual, os contos são interessantes porque são ambíguos. Por um lado, possuem um aspecto lúdico e liberador ao deixarem vir á tona desejos, fantasias, manifestações da sexualidade infantil, oferecendo à criança recursos para lidar com eles no imaginário; por outro lado, possuem um aspecto pedagógico que reforça os padrões da repressão sexual vigente, uma vez que orientam a criança para desejos apresentados como permitidos ou lícitos, narram as punições a que estão sujeitos os transgressores e prescrevem o momento em que a sexualidade genital deve ser aceita, qual sua forma correta ou normal.

Reforçam, dessa maneira, inúmeros estereótipos da feminilidade e da masculinidade, ainda que, se tomarmos os contos em conjunto, os embaralhem bastante. Se a psicanálise estiver certa ao diferenciar fases da sexualidade infantil, podemos observar que a repressão atua nos contos seguindo essas fases: as crianças são punidas se muito gulosas (fase oral), se perdulárias ou avarentas (fase anal), se muito curiosas (fase fálica ou genital).

Em certo sentido, os contos operam com a divisão estabelecida por Freud, entre o princípio do prazer (excesso de gula, de avareza ou desperdício, de curiosidade) e o princípio de realidade (aprender a protelar o prazer, a discriminar os afetos e condutas, a moderar os impulsos). Para facilitar a exposição, vamos dividir os contos em dois grandes “tipos”: aqueles que asseguram à criança o retorno à casa e ao amor dos familiares, depois de aventuras em que se perdeu tanto por desobediência quanto por necessidade, e aqueles que lhe asseguram ser chegada a hora da partida, que isso é bom, desejável e definitivo.

Nos contos que designamos aqui como contos de retorno, a sexualidade aparece nas formas indiretas ou disfarçadas da genitalidade, que são apresentadas como ameaçadoras, precisando ser evitadas porque a criança ainda não está preparada para elas. Isto não significa que a criança seja assexuada, pelo contrário, mas que a sexualidade permitida ainda é oral ou anal. Em contrapartida, nos contos que aqui designamos como contos de partida, a sexualidade genital terá prioridade sobre as outras, com as quais vem misturada, e pode ser aceita depois que as personagens passarem por várias provas que atestem sua maturidade.

No Chapeuzinho Vermelho (que, na canção infantil, é dito “Chapeuzinho cor de fogo”, o fogo sendo um dos símbolos e uma das metáforas mais usados em nossa cultura para referir-se ao sexo), o lobo é mau, prepara-se para comer a menina ingênua que, muito novinha, o confunde com a vovó, precisando ser salva pelo caçador que, com um fuzil (na canção: “com tiro certo”), mata o animal agressor e a reconduz à casa da mamãe.

Há duas figuras masculinas antagônicas: o sedutor animalesco e perverso, que usa a boca (tanto para seduzir como para comer) e o salvador humano e bom, que usa o fuzil (tanto para caçar quanto para salvar). Há três figuras femininas: a mãe (ausente) que previne a filha dos perigos da floresta; a vovó (velha e doente) que nada pode fazer, e a menina (incauta) que se surpreende com o tamanho dos órgãos do lobo e, fascinada, cai em sua goela.

A sexualidade do lobo aparece não só como animalesca e destrutiva, mas também “infantilizada” ou oral, visto que pretende digerir a menina (o que poderia sugerir, de nossa parte, uma pequena reflexão sobre a gíria sexual brasileira no uso do verbo comer). O comer também aparece num outro conto de retorno, João e Maria. A curiosidade de João, depois acrescida pela gula diante da casa de confeitos, arrasta os irmãozinhos para a armadilha da bruxa (que é, na simbologia e mitologia da Europa medieval uma das figuras mais sexualizadas, possuída pelo demônio (o sexo), ou tendo feito um pacto com ele).

A astúcia salva as crianças quando João exibe o rabinho mole e fino de um camundongo no lugar do dedo grosso e duro (o pênis adulto), evitando a queda do menino no caldeirão fervente (outro símbolo europeu para o sexo feminino, tanto a vagina quanto o útero). Há tempo para que o pai surja e os reconduza à casa, depois de matar a bruxa. (A imagem do caldeirão fervente também aparece em O Casamento de Dona Baratinha, o noivo nele caindo, vítima da gula, não podendo consumar o casamento.)

Nos contos de partida, a adolescência é atravessada submetida a provações e provas até ser ultrapassada rumo ao amor e à vida nova. Nesses contos, a adolescência é um período de feitiço, encantamento, sortilégio que tanto podem ser castigos merecidos quanto imerecidos, mas que servem de refúgio ou de proteção para a passagem da infância à idade adulta. É um período de espera: Gata Borralheira na cozinha, Branca de Neve semimorta no caixão de vidro, Bela Adormecida em sono profundo, Pele-de-Burro sob o disfarce repelente. Heróis e heroínas se escondem, se disfarçam, adoecem, adormecem, são metamorfoseados (como os príncipes nos Três Cisnes, a princesa em A Moura Torta, o príncipe em A Bela e a Fera, etc.).

Em geral, as meninas adormecem ou viram animaizinhos frágeis (pomba, corça) e os meninos adoecem, viram animais repugnantes (freqüentemente, sapos, o sapo sendo um dos companheiros simbólicos principais das bruxas) ou viram pássaros (o pássaro sendo considerado um símbolo para o órgão sexual masculino). A expressão, muito usada antigamente, “esperar pelo príncipe encantado” ou “pela princesa encantada” não queria dizer apenas a espera por alguém muito bom e belo, mas também a necessidade de aguardar os que estão enfeitiçados porque ainda não chegou a hora do desencantamento.

Gata Borralheira vai ao baile (primeiros jogos amorosos, como a dança dos insetos), mas não pode ficar até o fim (a relação sexual) sob pena de perder os encantamentos antes da hora. Deve retornar à casa, deixando o príncipe doente (de desejo), e com o par de sapatinhos momentaneamente desfeito, ficando com um deles, que conserva escondido sob as roupas. Borralheira e o príncipe devem aguardar que os emissários do rei-pai a encontrem, calce os sapatos, completando o par. Sapatos que são presente de uma mulher boa e poderosa (fada) e que pertencem apenas à heroína, de nada adiantando os truques das filhas da madrasta (cortar artelhos, calcanhar) para deles se apossarem.

As filhas da madrasta querem sangrar antes da hora e sobretudo querem sangrar com o que não lhes pertence, de direito (relação sexual ilícita, repressivamente punida pelo conto). Branca de Neve, cujo corpo não foi violentado pelo fiel servidor (não lhe arrancou o coração, a virgindade, substituindo-o pelo de uma corça) será vítima da gula e da sedução da madrasta-bruxa, permanecendo imóvel num caixão de cristal (seus órgãos sexuais) com a maçã atravessada na garganta, sem poder engoli-la.

Além da simbologia religiosa em torno da tentação pelo fruto proibido (o sexo), o vermelho trazido pela bruxa liga-se também à simbologia medieval onde as bruxas fabricam filtros de amor usando esperma e sangue menstrual, bruxaria que indica não só a puberdade de Branca, mas também a necessidade de expeli-la para poder reviver. Despertará por um descuido dos anões vigilantes – a casinha na floresta, os pequenos seres trabalhadores que penetram em túneis escuros no fundo da terra (que na simbologia sexual é imagem da mãe fértil), um “Mestre”, um a ter sono permanente, outro a espirrar, outro não podendo falar, não foram proteção suficiente, a morte aparente tendo sido necessária para reter Branca. (Seria interessante observar a necrofilia do belo príncipe, pois pretende levar a morta em sua companhia.)

Bela Adormecida será vítima da curiosidade que a faz tocar num objeto proibido – o fuso, onde se fere (fluxo menstrual), mas sem ter culpa, visto que fora mantida na ignorância da maldição que sobre ela pesava. Sangrando antes da hora, adormece, devendo aguardar que um príncipe valente, enfrentando e vencendo provas, graças à espada mágica (também símbolo do órgão viril), venha salvá-la com um beijo. Em sua forma genital, o sexo aqui aparece de duas maneiras: prematuro e ferida mortal, no fuso; oportuno e vivificante, na espada.

De modo geral, heróis e heroínas são órfãos de pais (os heróis) ou de mãe (as heroínas), vítimas do ciúme de madrastas, padrastos ou irmãos e irmãs mais velhos. Essa armação tem uma finalidade. Graças a ela, preservam-se as imagens de pais, mães e irmãos bons (pai morto na guerra, mãe morta no parto, irmãos menores desamparados), enquanto a criança pode lidar livremente com as imagens más.

Há um desdobramento de cada membro da família em duas personagens, o que permite à criança realizar na fantasia a elaboração de uma experiência cotidiana e real, isto é, a da divisão de uma mesma pessoa em “boa” e “má”, e dos sentimentos de amor e ódio que também experimenta. Lutar contra padrastos, madrastas e seus filhos é mais fácil do que lutar com pai, mãe e irmãos.

Freqüentemente, os contos se estruturam de modo mais complexo. Em A Bela Adormecida, por exemplo, há várias figuras femininas superpostas: a mãe ausente; a fada má que maldiz a criança; a fada boa que substitui a morte pelo sono e promete um salvador; a velha fiandeira, desobediente, que conservou o fuso proibido; a menina curiosa e desprevenida que, andando por lugares desconhecidos e subindo por uma escada (símbolo da relação sexual) se fere e adormece, à espera da espada e do beijo.

A fada má pune o rei que a excluiu de um festa dedicada à fertilidade (o nascimento da princesa), a punição consistindo em decretar a morte da menina quando esta apresentar os sinais da fertilidade (maldição que simboliza o medo das meninas diante da menstruação e da alteração de seus corpos). A morte da menina decorre da curiosidade que a faz antecipar com um objeto errado (masturbação) a sexualidade.

A fada boa está encarregada de contrabalançar o equívoco (e o descuido masculino, que não suprimiu todos os fusos) colocando a menina na tranqüilidade sonolenta da espera e entregando a espada ao príncipe (que, portanto, recebe o objeto mágico de uma mulher, pois todos nascem de mulheres). O beijo final contrabalança o medo que a espada poderia provocar, pois é instrumento de guerra e morte (o beijo simboliza, em muitas culturas, não só amor e amizade, mas também um pacto ou uma aliança).

Na maioria dos contos, o pai é indiretamente responsável pela maldição ou pelas desventuras da filha. Mas em A Bela e a Fera o pai é diretamente responsável ao arrancar de um jardim que não lhe pertence, uma rosa branca, despertando a Fera. Há no roubo da flor a simbolização do desejo e do medo inconsciente das meninas de serem raptadas ou violentadas.

A figura masculina se divide: há o pai-bom e o homem-fera, divisão que obriga Bela a viver com o segundo para salvar o primeiro. Contudo, desejando rever o pai doente, Bela deixa que Fera, abandonada, também adoeça (de desejo). A imaturidade de Bela, seu medo da Fera, seu desejo de permanecer junto ao pai só são superados quando, pela piedade e pela sedução, retorna ao castelo da Fera, dedica-se a ela e, ao fazê-lo, quebra o encanto, surgindo o belo príncipe com quem viverá.

O conto se desenvolve como processo de amadurecimento da heroína e de constituição da imagem masculina através de seus desejos. Do pai à fera, da fera ao príncipe. Em Pele-de-Burro, o desejo incestuoso do pai é a mola do conto.

A primeira tentativa da filha para evitar o incesto fracassa: pede vestido feitos de Natureza (sol, mar e lua), mas a Natureza não é contrária ao incesto, o rei podendo perfeitamente conseguir os vestidos.

A princesa deve, então, fugir. Mas seu disfarce indica os efeitos do desejo incestuoso do rei: cobre-se numa pele de burro, animalizando-se. Num outro reino (que não o da Natureza), a princesa irá aos bailes da corte, mas, como a Gata Borralheira, não pode ficar até o fim para não correr o risco de ser descoberta.

Porém, o príncipe apaixonado ficará doente e o remédio virá no bolo feito pela princesa. Bolo que possui o mesmo sentido e o mesmo efeito que a espada mágica, porém com a marca do feminino: é no interior do bolo que se encontra o remédio salvador, o anel. Embora os contos reforcem estereótipos de feminilidade e masculinidade e preconceitos sobre homem e mulher, são ambíguos e ricos e por isso não são sexistas: a salvação pode ser trazida tanto pelo herói quanto pela heroína. As fadas, aliás, possuem um objeto mágico supremo, talismã dos talismãs: a vara de condão, sendo seres excepcionais porque reúnem atributos femininos e masculinos, sonho e fantasia de todas as crianças (e não só delas, evidentemente).

Em Os Três Cisnes, é a menina quem quebra o encantamento dos irmãos, tudo dependendo de sua força de vontade (ficar em absoluto silêncio durante sete anos) ou moderar o princípio de prazer, e de sua coragem e destreza para acertar as setas, no momento exato, nos corações dos três cisnes, matando-os para que vivam os irmãos. Ela é portadora de um objeto viril – o arco e flecha -, sabendo usá-lo.

Sua destreza é ímpar: deve usar, e usa, o arco tendo os olhos vendados (….. a venda nos olhos é símbolo medieval para a morte. Este conto, portanto, realiza uma verdadeira crítica da relação sexo-morte, pois morte dos cisnes é nascimento de sua virilidade, por obra de uma mulher. E o incesto, aqui, é óbvio). Além de não serem sexistas e de contornarem o incesto, os contos não condenam o sexo com animais: é o amor e o afeto pelos animais que permitirá desencantá-los.

Alguns psicanalistas consideram que as primeiras manifestações da sexualidade estão liadas ao que denominam escolha de objeto e objeto parcial. A mãe (ou quem faz o papel de mãe para a criança) seria o primeiro objeto escolhido e seus seios seriam o primeiro objeto parcial. Por outro lado, como a mãe não está permanentemente presente, acarinhando e alimentando a criança, esta desenvolve fantasias sobre o objeto parcial: ausente ou faltando, torna-se um mau objeto; presente e satisfatório, torna-se um bom objeto.

A criança desenvolve também fantasias de agressão e de ternura com relação a esses objetos, sobretudo a da perseguição, no caso do mau objeto. Assim, nos contos, frutas, plantas, flores e alimentos venenosos ou ardilosos seriam objetos parciais maus ou persecutórios, mas contrabalançados por bolos, filtros, poções, jóias que trazem saúde e quebram feitiços, sendo objetos parciais bons, com os quais a criança e os contos realizam a reparação do objeto escolhido, amado e odiado.

O objeto parcial persecutório mais perfeito, porém, é aquele que não é devorado pela criança, mas que ameaça devorá-la. Nos contos: os dragões, os lobos, os ogros, as tempestades, as florestas sombrias, os castelos cheios de armadilhas. E para contrabalançar tamanha perseguição e reparar o objeto amado, nos contos de retorno, adultos salvam as crianças da perseguição e, nos contos de partida, a sexualidade amadurecida e vencedora das fantasias persecutórias mais antigas aparece no próprio herói ou na heroína cujos objetos mágicos (oferecidos por um bom adulto) lhes permitem, sozinhos, vencer a perseguição. Nesse mesmo contexto, compreende-se que a fada tenha a vara e a princesa dos Três Cisnes, o arco.

É colocado em mãos femininas algo que poderia ser fonte de temor para as meninas. São raros os casos, nos contos de retorno, em que a criança consegue voltar à casa sozinha, sem auxílio de algum adulto, mesmo porque a finalidade do conto é mostrar o despreparo da criança para sair pelo mundo. A grande exceção é o Pequeno Polegar, criança em tudo excepcional.

Como seu nome indica, Pequeno Polegar é uma anomalia (e talvez por isso o entusiasmo das crianças por ele), o tamanho compensado pela inteligência fora do comum. As botas de sete léguas, que com astúcia consegue, além de serem capacidade mágica para vencer o espaço e o tempo (a pouca idade), são também meio de assegurar à criança que seus órgãos sexuais pequenos não exigem renúncia dos desejos, mas imaginação para satisfazê-los. É interessante observar que, se nos Três Cisnes a menina empunha o arco, aqui o menino entra num enorme e protetor “recipiente’: as botas. E se sai muito bem.

O Pequeno Polegar é um dos contos onde melhor aparecem tanto o medo que a criança tem da rejeição (ser morta pelos pais) quanto a necessidade de reparação, isto é, de recompor a bondade dos pais depois da fantasia de sua imensa maldade. Por isso mesmo as proezas maiores são feitas. Polegar substitui para si próprio e para os irmãozinhos o pai e a mãe por pais ideais: as botas acolhedoras e salvadoras do menino que não abandona os irmãos, os protege contra os perigos da floresta e contra o gigante, os traz de volta à casa com fortuna, garantindo a sobrevivência da família. Não há príncipes nem princesas, tudo depende da inteligência e imaginação da criança pobre e minúscula.

Há nos contos contínua intervenção de bons adultos, mas que não intervêm de modo casual ou arbitrário e sim de acordo com várias regras, entre as quais se destaca a escolha dos mais fracos (o caçula, o órfão, a vítima) e dos que têm senso de justiça, além da coragem. O uso dos talismãs também está submetido as regras, os transgressores sendo punidos (perda da potência do objeto mágico, retorno do objeto contra o usuário) ou protelada a chegada à meta (a seqüência de provas recomeçando ou tornando-se mais árdua).

Heróis e heroínas precisam demonstrar que são dignos do talismã (seja por suas qualidades anteriores à recepção do objeto, seja pelo uso que dele faz, seja pela obediência às regras de seu emprego). Em resumo: as condutas estão reguladas por normas e valores, a finalidade do conto sendo persuadir a criança de que tais normas são boas e verdadeiras e que o sofrimento decorre apenas de sua desobediência. É o compromisso do conto, situado entre o lúdico e a repressão.

Na maioria dos contos, o talismã é dom de um adulto para uma criança, mesmo que esta não o saiba. Há, porém, uma formidável exceção: João e o Pé de Feijão. Obtido numa sabida transação (que os adultos não entendem e castigam) o grãozinho de feijão, bom sêmen, plantado em boa terra, cresce durante uma única noite. Gigantesco caule, sobe, sobe, eleva-se até `s nuvens, rijo e duro, o menino podendo nele trepar.

Como era inevitável, João penetra no castelo do gigante malvado (figura masculina ameaçadora) que possui um segredo precioso, uma galinha que bota ovos de ouro (imagem feminina da fertilidade, guardada em segredo, fonte de riqueza: os que nascem). Dela se apodera João, fugindo pelo caule, perseguido pelo gigante e, para salvar-se, o menino corta o belo pé de feijão.

O conto procura lidar com um elemento repressivo complicado. Obtida a galinha chocadeira de riquezas por um furto (justo, pois o gigante é mau e a família, pobre), esse ato tem clara significação incestuosa e pode ser um risco para a vida da família e do menino, pois o gigante se põe a descer pela árvore, a mesma por onde o menino trepara. É preciso cortar o pé de feijão depois que o essencial foi conseguido, isto é, a fertilidade. O sexo cresce livremente – é como um elemento da natureza, um vegetal -, mas essa liberdade deve encontrar um limite e ser freada, cortada. O menino que subiu é o gigante mau que desce. E vem com fúria assassina.

Os contos de fadas, tais como os conhecemos, são resultado de muitas reelaborações na sociedade européia, fixados nos séculos XVIII e XIX, carregando as concepções desses séculos sobre a sexualidade (e sobre outras coisas também). Ora, é interessante observar que, no século XIV, ao lado desses contos, surge, na Inglaterra, um outro tipo de estória, em certos aspecto semelhante ao maravilhoso dos contos, mas com uma diferença fundamental: o mundo adulto não é apresentado com divisões e ambigüidades, bom e mau, difícil e desejável, mas como mau e indesejável.

Estamos pensando em Peter Pan e em Alice – o menino que recusou crescer, ficando na Terra do Nunca, e a menina cujo autor não desejou que ela crescesse, fazendo-a conhecer a luta mortal e absurda com a Rainha do Baralho num tabuleiro de xadrez. Muitos comentadores, de formação psicanalítica, afirmam que o medo de Peter Pan o faz preferir a imaturidade sexual, o homossexualismo e a masturbação (o pó de pirlimpimpim e o vôo), e que as “perversões” de Lewis Carrol (o autor de Alice) o fazia sentir atração sexual pelas meninas, não desejando que ficassem adultas.

Não pretendemos refutar nem concordar com esse comentadores. Gostaríamos apenas de lembrar que essas estórias foram imaginadas num período conhecido como o da “moral vitoriana”, quando a Inglaterra, passando pela Segunda revolução industrial, mantinha o controle capitalista sobre o mundo. A sociedade desse período é narrada e descrita por inúmeros autores como uma das sociedades mais repressivas da sexualidade. Assim sendo, podíamos considerar a recusa do mundo adulto por Peter Pan e por Alice, em vez de “anormal”, talvez muito saudável e lúcida.

A Terra do Nunca, apesar do Capitão Gancho, é perfeita, mas o País das Maravilhas é feito de ameaças e de frustrações. Num romance da escritora inglesa Virgínia Woolf, Orlando (estória de um homem-mulher que vive em dois períodos diferentes da história da Inglaterra), a romancista descreve o momento em que, adormecendo como rapaz no século XVII, a personagem desperta como mulher, em pleno século XIX: vê por toda parte casais com trajes cinza e negro, o céu é tenebroso e opressivo e a moça despertada sente uma dor inexplicável no dedo anular esquerdo (isto é, onde se coloca a aliança de casamento).

Eis a versão repressiva de Eros e Psique: dois seres, enclausurados num cubículo e em suas vestes, sem corpo e sem rosto, enlaçados pelas convenções. Encontro sem contato (as bocas não se beijam, beijam trapos) e sem intimidade, pois, no cubículo fechado e sob os panos que cobrem seus corpos e rostos, se descobre a presença da sociedade inteira, vigiando e controlando o pobre par.

Será Freud o primeiro a captar que Eros e Psique não são dois entes separados perpetuamente buscando um ao outro, mas que são um só e mesmo ser: Eros (o desejo) habita Psique (a alma). Como no poema de Fernando Pessoa, em que o príncipe destemido busca a princesa encantada para descobrir que ele era ela. Desejo de indivisão e de fusão perpétua (impossível), o laço que enlaça em terno e fundo abraço, é a sexualidade humana, perpetuamente reprimida.

 

Ego

por: Roberto Lazaro Silveira

Para Freud o ego é uma das três estruturas do modelo triádico do aparelho psíquico – id, ego, superego. O ego desenvolve-se a partir do id com o objetivo de permitir que seus impulsos sejam eficientes, ou seja, levando em conta o mundo externo: é o chamado princípio da realidade.

É esse princípio que introduz a razão, o planejamento e a espera no comportamento humano. A satisfação das pulsões é retardada até o momento em que a realidade permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas.

A principal função do ego para Freud é buscar uma harmonização inicialmente entre os desejos do id e a realidade e, posteriormente, entre esses e as exigências do superego.

Para Carl Gustav Jung, o ego sendo um arquétipo apresenta-se em forma de um complexo; o “complexo do ego”. Diz ele sobre o ego: “É um dado complexo formado primeiramente por uma percepção geral de nosso corpo e existência e, a seguir, pelos registros de nossa memória”. Durante nosso amadurecimento ou processo de individuação o ego estabece um eixo em parceria com outro arquétipo o Self – sí mesmo.

Inicialmente o Ego está fundido com o Self, mas deve se diferenciar dele. Jung descreve uma interdependência dos dois: o Self, que possui uma visão mais holista, é supremo. A função do Ego, porém, é confrontar ou satisfazer, conforme o caso, às exigências dessa supremacia. O confronto entre o Ego e o Self foi identificado por Jung como característico da segunda metade da vida.

Diferentemente de Freud, Jung entendeu que o inconsciente não é estático e rígido formado pelos conteúdos que são reprimidos pelo ego. Ao contrário, o inconsciente é dinâmico, produz conteúdos, reagrupa os já existentes e trabalha numa relação compensatória e complementar com o consciente.  No inconsciente encontram-se, em movimento, conteúdos pessoais, adquiridos durante a vida e mais as produções do próprio inconsciente. Jung classificou o inconsciente em Inconsciente Pessoal (ou Individual) e Inconsciente Coletivo. 

O  Inconsciente Pessoal ou Individual é aquela camada mais superficial de conteúdos, cujo marco divisório com o consciente não é tão rígido.  É uma camada de conteúdos que se acha contígua ao consciente.  Estes conteúdos subjazem no inconsciente por não possuírem carga energética suficiente para emergir na consciência. 

Correspondem àqueles aspectos que em algum momento do desenvolvimento da personalidade não foram compatíveis com as tendências da consciência e foram, portanto reprimidas.  Também estão, no inconsciente pessoal, percepções subliminares, ou seja, aquelas que foram captadas pelos nossos sentidos de forma subliminar, que nem nos demos conta de termos contato com o fato em si. 

Conteúdos da memória que não necessitam estar presentes constantemente na consciência estão presentes no inconsciente pessoal. Todos estes conteúdos formam no Inconsciente Pessoal um grande banco de dados que poderão surgir na consciência a qualquer momento. Outros importantes conteúdos estão no inconsciente pessoal; são os complexos. 

O Complexo de Ego então, para Jung encontra-se no inconsciente pessoal, o núcleo deste complexo assim como de todos os demais é arquetípico, ou seja, surge do inconsciente coletivo. Para Jung existem tantos arquétipos quantas as situações típicas da vida.

O Ego também é visto por Jung como resultante do choque entre as limitações físicas e corporais da criança e a realidade ambiente. A frustração ajuda a formar ‘ilhotas’ de consciência que se juntam ao Ego. O Ego, assevera Jung, adquire sua plena existência durante o terceiro ou quarto ano. Psicanalistas e psicólogos analíticos hoje concordam em que ao menos um elemento de organização perceptiva está presente desde o nascimento, e em que, antes do final do primeiro ano de vida, uma estrutura de Ego relativamente sofisticada já se encontra atuando. “Ego é ‘alguém’ que começa a dar início a sua jornada heróica em busca da totalidade do Self, em busca da meta do Processo de Individuação. Isto é tornar-se Indivíduo.”

A individuação leva, pois, a uma valorização natural das normas coletivas; mas se a orientação vital for exclusivamente coletiva, a norma é supérflua, acabando-se a própria moralidade. Quanto maior a regulamentação coletiva do homem, maior sua imoralidade individual. A individuação coincide com o desenvolvimento da consciência que sai de um estado primitivo de identidade(v). Significa um alargamento da esfera da consciência e da vida psicológica consciente.”

Jung lembra que o mérito da observação de que os arquétipos existem não pertence a ele e sim a PLATÃO, com seu pensamento “de que a idéia é preexistente e supra-ordenada aos fenômenos em geral.”

Outros pensadores como ADOLF Bastian, evidenciam a ocorrência de certas “idéias primordiais…” Hermam USENER que reconhece “a pré-formação inconsciente na figura de um pensamento inconsciente.” Salomão em seu livro bíblico Eclesiastes afirma que não há nada de novo debaixo do sol.

A contribuição de Jung se dá, entretanto, nas provas obtidas por ele, que os arquétipos existem e aparecem sem influência de captação externa. De acordo com Jung esta constatação “significa nada menos do que a presença, em cada psique, de disposições vivas inconscientes, e, nem por isso menos ativas, de formas ou idéias em sentido platônico que instintivamente pré-formam e influenciam seu pensar, sentir e agir.”

Alguns arquétipos foram amplamente enfatizados por Jung, pois permeiam o desenvolvimento da personalidade e invariavelmente estão bem próximo de nós, no nosso dia-a-dia e são mobilizados, pela psique, tão logo surja uma situação típica. Alguns arquétipos: Anima, Animus, Ego, Velho Sábio, Self, Persona, Grande Mãe.

Acredito que o ego então possue a função de intermediador ou negociador entre o Self e os demais arquétipos, o resultado destas negociações quendo bem sucedidas resultam em nosso amadurecimento ou nossa individuação. Caso ocorra um impasse entre as constelações arquetípicas, ou seja, um complexo exige muita energia psiquica, o eixo ego self irá moderar mobilizando um arquétipo oposto para gerar equilíbrio – Luta entre Anjos e Demônios.

Por exemplo podemos citar o caso do complexo que se dá em torno da persona. Este complexo poderá mobilizar energia suficiente para o eixo Ego-Self convocar a Anima no caso do Homem, esta quando em estado inconsciente pode fazer com que o homem, numa possessão extrema, tenha comportamento tipicamente feminino, como alterações repentinas de humor, falta de controle emocional.

Quem nunca viu o chefe irritado tando um ataque destes! Na verdade o seu psiquismo está contrabalanceando a persona que o mesmo utiliza para "manter o respeito" no trabalho. Em seu aspecto positivo a anima, quando reconhecida e integrada à consciência, servirá como guia e despertará, no homem o desejo de união e de vínculo com o feminino e com a vida.  A anima será a “mensageira do inconsciente” tal como o deus Hermes da mitologia Grega.

O arquétipo da Sombra poderá também neste caso ocupar um espaço nesta constelação formada por Ego-Sel e Persona desencadeando seu complexo para atingir a homeostase psiquica atuando frente ao mesmo gênero da pessoa.

A sombra apresenta-se como um poderoso arquétipo, já que é a fonte de tudo o que existe de melhor e de pior no ser humano. Como todo e qualquer elemento psíquico, a sombra possui aspectos positivos e negativos para o desenvolvimento da personalidade. Vejamos um líder militar que para exercer suas funções tem que formar uma persona que não permite demostrar "fraquezas" – Então a Persona a ser constituída necessitará que o Eixo Ego-Self deposite na Sombra as características boas Obs: Sombra é o aspecto desconhecido não apenas o que é sombrio, muitas vezes as virtudes de um homem estão na sombra.

Um erro comum é exemplificar a Sombra através da história do Dr. Jack and Ms. Ride – Isto é um caso de dupla personalidade meus caros leitores. O Dr. Jack possue sua sombra e o Ms. Ride também possue uma, ou seja, o Ride não é nem nunca foi a Sombra do Jack. Acredito que em casos como estes de dupla personalidade, o ego é suprimido porque não conseguiu interagir-se com o Self de forma a equilibrar as constelações arquetípicas através de mecanismos como Persona x Sombra x Anima ou Animus. O processo de individuação é particionado, gera-se uma nova persona assim como uma nova constelação arquetípica.

Cada personalidade funciona como uma unidade totalmente distinta, integrada com seus conteúdos, padrões de comportamentos e relacionamentos sociais. A transição de uma personalidade para outra ocorre de forma repentina e inesperada, fazendo com que o indivíduo e as pessoas que convivem com ele percebam a diferença de postura, de trato e de atitudes pela mudança brusca destas funções.

O contato com a sombra é um grande passo em direção á individuação. A sombra, quando trabalha em harmonia com o ego, deixa a vida mais produtiva e criativa. Jung mergulhava em seu próprio inconsciente e trazia à luz, aspectos que o ajudavam a entender o seu mundo e de seus pacientes.  Muitas vezes observou, nos sonhos e fantasias dos pacientes e nas suas próprias fantasias, que os temas eram recorrentes, cujas diferenças ficavam a cargo das experiências individuais de cada um, mas o cerne do tema era o mesmo. 

Referências:
JUNG, C.G., Memórias, Sonhos e Reflexões. 22ª ed. Rio de Janeiro. N. Fronteira. 2002;
JUNG, C.G., O Eu e o Inconsciente. 13ª ed. Petrópolis. Vozes. 2000;
JUNG, C.G., Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 3ª ed. Petrópolis. Vozes. 2003;
JUNG, C.G., Psicologia do Inconsciente. 15ª ed. Petrópolis. Vozes. 2004;
JUNG, C.G., Tipos Psicológicos. Petrópolis. Vozes. 1991.

 

Personalidade

por: Roberto Lazaro Silveira

O termo personalidade é muito descutido e popular. De acordo com a literatura psicológica alemã persönlichkeit costuma ser usado de maneira ampla, incluindo temas como inteligência; o conceito anglófono de personality costuma ser aplicado de maneira mais restrita, referindo-se mais aos aspectos sociais e emocionais do conceito alemão.

Personalidade deriva do latim – persona – que significava máscara, ou seja aquilo que queremos parecer aos outros. Para os estudos psicológicos a personalidade pode ser vista como uma organização dos vários sistemas físicos, fisiológicos, psíquicos e morais que se interligam, determinando o modo como o indivíduo se ajusta ao ambiente em que vive.

Persona, no uso coloquial, é um papel social ou personagem vivido por um ator. É uma palavra italiana derivada do Latin para um tipo de máscara feita para resoar com a voz do ator – per sonare sigifica “soar através de” – permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores, bem como para dar ao ator a aparência que o papel exigia.

A palavra latina derivada da palavra etrusca “phersu”, com o mesmo significado, e seu significado no último período Romano alterado para indicar um “personagem” de uma performance teatral. Na psicologia analítica de Jung, é dado o nome de persona à função psíquica relacional voltada ao mundo externo, na busca de adaptação social.

Personalidade é uma organização interna e dinâmica dos sistemas psicofísicos que criam os padrões de comportar-se, de pensar e de sentir característicos de uma pessoa. No senso comum quanto mais autêntica esta organização se apresenta para diferenciar o indivíduo mais forte a personalidade.

Jung propos dois agrupamentos de traços que compreendem em si todas as características pessoais, a Introversão e a Extroversão. A extroversão consiste na tendência de focalizar o interêsse no mundo exterior, vivendo mais no presente, dando mais valor às pessoas e ao êxito social, sendo mais práticas. A Introversão consiste em concentrar interesse nos pensamentos e idéias próprias, visualizando mais o futuro, sendo mais intuitiva.

Um transtorno de personalidade ocorre quando em alguma etapa da vida do indivíduo surgem acontecimentos contrários ao processo de individuação, ou seja, prejudicam a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando a ele próprio, ou mais comumente aos que lhe estão próximos, sofrimento e incomodação.

As pessoas acometidas por transtornos de personalidade ás vezes não procuram por, uma vez que os traços de caráter pouco geram sofrimento para si mesmos, mas perturbam suas relações com outras pessoas, fazendo com que amigos e familiares aconselhem o tratamento. Geralmente aparecem no início da idade adulta podendo ser agravados durante o envelhecimento.

A pessoa faz o mal para seus familiares e amigos sem saber – a personalidade dele é assim mesmo dizem como forma de conformar-se – no entando, para evitar o sofrimento de seus entes queridos cabe ao cidadão a busca pelo autoconhecimento proporcionada pela psicoterapia. Desta maneira a ajuda de um psicoterapêuta poderá ser útil á você e toda sua família.

Dentre os vários transtornos de personalidade podemos citar:

Paranóide: Indivíduos desconfiados, que se sentem enganados pelos outros, com dúvidas a respeito da lealdade dos outros, interpretando ações ou observações dos outros como ameaçadoras. São rancorosos e percebem ataques a seu caráter ou reputação, muitas vezes ciumentos e com desconfianças infundadas sobre a fidelidade dos seus parceiros e amigos.

Esquizóide: Indivíduos distanciados das relações sociais, que não desejam ou não gostam de relacionamentos íntimos, realizando atividades solitárias, de preferência. Pouco ou nenhum interesse em relações sexuais com outra pessoa, e pouco ou nenhum prazer em suas atividades. Não têm amigos íntimos ou confidentes, não se importam com elogios ou críticas, sendo frios emocionalmente e distantes.

Dependente: Indivíduos que têm necessidade de serem cuidados, submissos, sempre com medo de separações. Têm dificuldades para tomar decisões, necessitam que os outros assumam a responsabilidade de seus atos, não discordam, não iniciam projetos. Sentem-se muito mal quando sozinhos, evitando isso a todo custo.

Esquizotípica: Indivíduos excêntricos e estranhos, que têm crenças bizarras, com experiências de ilusões e pensamento e discurso extravagante. Falta de amigos e muita ansiedade no convívio social.

Borderline: Indivíduos instáveis em suas emoções e muito impulsivos, com esforços incríveis para evitar abandono (até tentativas de suicídio). Têm rompantes de raiva inadequada. As pessoas a sua volta são consideradas ótimas, mas frente a recusas tornam-se péssimas rapidamente, sendo desconsideradas as qualidades anteriormente valorizadas. Costumam apresentar uma hiper reatividade afetiva, em que as situações boas são ótimas ou excelentes, e as ruins ou desfavoráveis são péssimas ou catastróficas.

Narcisista: Indivíduos que se julgam grandiosos, com necessidade de admiração e que desprezam os outros, acreditando serem especiais e explorando os outros em suas relações sociais, tornando-se arrogantes. Gostam de falar de si mesmos, ressaltando sempre suas qualidades e por vezes contando vantagens de situações. Não se importam com o sofrimento que causam nas outras pessoas e muitas vezes precisam rebaixar e humilhar os outros para que se sintam melhor.

Histriônica: Indivíduos facilmente emocionáveis, sempre em busca de atenção, sentindo-se mal quando não são o centro das atenções. São sedutores, com mudanças rápidas das emoções. Tentam impressionar aos outros, fazendo uso de dramatizações, e tendem a interpretar os relacionamentos como mais íntimos do que realmente são.

Anti-social: Indivíduos que desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com normas. Mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros. São irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma vez tentando levar vantagens. Podem estabelecer relacionamentos afetivos superficiais, mas não são capazes de manter vínculos mais profundos e duradouros.

Obsessivo-Compulsiva: Indivíduos preocupados com organização, perfeccionismo e controle, sempre atento a detalhes, listas, regras, ordem e horários. Dedicação excessiva ao trabalho, dão pouca importância ao lazer. Teimosos, não jogam nada fora (“pão-duro”) e não conseguem deixar tarefas para outras pessoas.

Esquiva: Indivíduos tímidos (exageradamente), muito sensíveis a críticas, evitando atividades sociais ou relacionamentos com outros, reservados e preocupados com críticas e rejeição. Geralmente não se envolvem em novas atividades, vendo a si mesmos como inadequados ou sem atrativos e capacidades.

 

Catarse

por: Roberto Lazaro Silveira

catarse

terapia holistica

psicologia simbólica

Para Jung existem quatro momentos na psicoterapia. O primeiro deles corresponde à catarse, análogo á confissão, prática ancestral associada a rituais de iniciação. Este exercício deve propiciar à pessoa demolir suas defesas internas ao compartilhar com alguém o que está sobrecarregando seu self. Assim, ao concretizar este mecanismo catártico, ela ingressa em uma nova fase de amadurecimento, é como se enxergasse o inimigo e agora pudesse focar sua mira. A catarse é um arquétipo, pois, desencadeia um complexo reconhecível independentemente do período histórico.

De acordo com Aristóteles, na “Poética”, catarse é o sentimento de terror e piedade que a tragédia – gênero poético – deve provocar nos expectadores, quando o herói, ou seja, o herói trágico, passa da ventura para a desventura por ter cometido algum “ato falho”. A catarse, então, seria a purificação dessas emoções.

A catarse é um símbolo, logo, possue uma amplitude que abrange variados âmbitos e acepções mas que sempre traduz a idéia de purificação, limpeza, libertação, superação feliz, consciente, no ato, de alguma forma de opressão, estranha à essência do ser, que influindo na expressão da sua verdade interior, corrompe e faz sofrer. Reconhecido o sofrimento ele terá começo meio e fim – “O choro pode durar uma noite; pela manhã, porém, vem o cântico de júbilo” (Salmos. 30: 5b).

Sigmund Freud utilizou-se deste conceito como um fundamento para sua teoria. Enquanto a poesia dramática inspira-se em moldes religiosos ancestrais, o modelo seguido pela psicanálise é o da simbolização poética. Freud descreve como estados catárticos o que Breuer induzia nos pacientes através da hipnose. Um meio de contornar as censuras estabelecidas pelo superego, e propiciar aos enfermos da mente a possibilidade de reviver seus traumas e, assim, superá-los. Com o tempo, porém, Freud substituiu este método pelo da associação livre de idéias, a ‘cura pela palavra’.