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As Drogas são Todas Ilícitas

por: Roberto Lazaro Silveira

Não acredito que exista drogas lícitas, pois, o significado de ilícito não permite, observe: "Contrário à lei, à moral ou à consciência" – Dicionário Michaellis. Existem drogas proibídas e permitidas. Vejamos o cigarro, a grande maioria que fuma sabe que faz mal e ninguém em sã consciencia desejaria ser auto-maltratado. A pessoa não consegue parar de fumar devido á forte ação da nicotina que causa dependência física, a dependência emocional do cigarro dentre outros fatores, mas, sabe no fundo da consciência que não é lícito e sim permitido por lei.

As drogas não permitidas por lei são substâncias proibidas de serem produzidas, comercializadas e consumidas. Em alguns países, determinadas drogas são permitidas sendo que seu uso é considerado normal e integrante da cultura. Estas dorgas podem ser estimulantes, depressivas ou perturbadoras do sistema nervoso central, o que perceptivelmente altera em grande escala o organismo.

São drogas proibídas: maconha, cocaína, crack, ecstasy, LSD, heroína, morfina, skank, ópio dentre outras. Por serem proibidas, estas drogas entram no país ou são produzidas de forma ilegal através do tráfico e de laboratórios clandestinos que promovem a comercialização no mercado negro.

As drogas causam destruição da família, arritmia cardíaca, trombose, AVC, necrose cerebral, insuficiência renal e cardíaca, depressão, disforia, alterações nas funções motoras, perda de memória, disfunções no sistema reprodutor e respiratório, câncer, espinhas, convulsões, desidratação, náuseas e exaustão.

É importante esclarecer que a dependência das drogas é tratável através da psicoterapia e de medicamentos similares aos princípios ativos das drogas que causam dependência física juntamente com o tratamento psicoterápico da família em prol de melhorar o auxílio ao drogadicto a dependência poderá ser vencida a vida voltará ao normal – a pessoa retornará á viver livre da auto-destruição.

 

Timidez

por: Roberto Lazaro Silveira

A Timidez pode surgir como um desconforto e a inibição em situações de interação pessoal que interferem na realização dos objetivos pessoais e profissionais de quem a sofre.

Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. A timidez aflora geralmente, mas não exclusivamente, em situações de confronto com a autoridade, interação com algumas pessoas: contato com estranhos e ao falar diante de grupos – e até mesmo em ambiente familiar.

A timidez é um padrão de comportamento em que a pessoa não exprime (ou exprime pouco) seus pensamentos e sentimentos e não interage ativamente. Embora não comprometa de forma significativa a realização pessoal, constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida.

Deste ponto de vista, a timidez não pode ser considerada um transtorno mental. Aliás, quando em grau moderado, todos os seres humanos são, em algum momento de suas vidas, afetados pela timidez, que funciona como uma espécie de regulador social, inibidor dos excessos condenados pela sociedade como um todo, ou micro-sociedades.

A timidez funciona ainda como um mecanismo de defesa que permite à pessoa avaliar situações novas através de uma atitude de cautela e buscar a resposta adequada para a situação.

Timidez situacional: a inibição se manifesta em ocasiões específicas, e portanto o prejuízo é localizado. Por exemplo, a pessoa não experimenta dificuldades no amor, mas morre de medo de falar em público. A timidez situacional é a mais fácil de ser vencida, pois neste caso o indivíduo já possui mais habilidades sociais do que o tímido crônico, e grande parte do tratamento consistirá no aprimoramento das habilidades já existentes.

Timidez crônica: a pessoa experimenta dificuldades em praticamente todas as áreas do convívio social. Ela não consegue falar com estranhos, fazer amigos, paquerar, falar em público, enfim, o prejuízo é generalizado. Nesse caso é necessário um desenvolvimento completo dos recursos necessários para a interação com o mundo.

O tratamento para a timidez é a psicoterapia, durante o processo psicoterápico o paciente possivelmente tomará conhecimento das verdadeiras causas da sua timidez, ou seja, situações que foram vivenciadas e esquecidas apenas em parte e agora prejudicam a conquista de novos parceiros, falar em público, negociar de forma positiva e com maiores lucros, tocar um instrumento musical em público e muitas outras questões que exigem autoconfiança e autoestima.

A psicoterapia proporcionará através do autoconhecimento um aumento da autoestima e consequentemente aumentará também a autoconfiança da pessoa para que ela possa em pouco tempo romper esta barreira e facilitar o seu dia-a-dia.

Observe este caso : Ana é uma pessoa tipo capa de revista, linda e atraente por unanimidade, no entanto, ao interessar-se por rapazez Ana não consegue manter um olhar que transmita este interesse e que teria muita chance de sucesso, neste caso, bastaria um olhar. Por outro lado, sem a iniciativa de Ana a maioria dos pretendentes sentem-se acuados e não tem suficiente autoestima para tomar iniciativa além de não encontrar sinais verdes oriundos de Ana que mesmo estando com muita vontade fica inibida.

O que Ana descobriu durante a psicoterapia que mudou sua vida: Ana durante algum tempo de psicoterapia demonstrou ao psicoterapêuta fatos onde seus irmãos sempre diziam que ela era feia. Seu pai era um militar aposentado do tipo linha dura e castrador além de ser dependente de alcool e quando bebia ficava muito machista e repressor. Ana era a filha caçula em meio á 8 irmãos mais velhos sendo 10 anos de diferença para o mais novo dos irmão de Ana. A mãe de Ana era uma mulher muito respeitada na sociedade, uma socialite que frequentava salões de beleza famosos, academias e “vivia arrumada”, parecia competir com a filha.

Em contra partida o psicoterapêuta pode demonstar para Ana ressaltando algumas passagens contadas por ela sobre momentos onde ela teve sua beleza reforçada por várias pessoas de seu convívio. Ana contava ao terapêuta que ela recebia convites para desfilar e fotografar, a maioria dos homens elogiava Ana. E até mesmo ela se achava bonita.

Estes aspéctos mesmo relatados por Ana não tomavam conta de sua consciência em momentos onde ela expressava a timidez, neste caso, a timidez era despertada pelas lembranças dos acontecimentos no lar, e devido á carga afetiva por ser pai e irmãos Ana ficava tímida e reagia de forma hostil ás cantadas, não conseguia aceitar os convites para ser modelo nem mesmo conseguia bons empregos.

Então Ana teve seu momento, o momento de enxergar-se ou de desembaçar o espelho que seus entes queridos faziam questão de embaçar para que a imagem de Ana não fosse revelada á ela, e deste maneira preservariam o machismo hereditário. Hoje ela é casada e possue três filhas, consegue ter um excelênte diálogo com suas filhas e com seu marido. Quanto aos irmãos e pai Ana vive um relacionamento de amizade e respeito, também entendeu na psicoterapia que eles foram moldados por uma época machista em uma sociedade machista da década de 50 e pode perdoar conscientemente.

A beleza é questão de gosto e como todos sabem gosto não se discute, pois, cada um tem o seu. Talvez você ache que não tem beleza alguma, no entando, a pessoa que você acharia linda pode não compartilhar do mesmo gosto que você tem e te achar uma pessoa linda também, pois, a beleza está nos olhos de quem olha e no caso das mulheres as mesmas costumam enxergar pelos ouvidos. Seja gentil e cordial e surpreenda-se.

No caso da mulheres, saibam que alguns cuidados com a aparência são necessários, no entanto, não precisa ter um padrão de beleza exigido pela mídia para ser bela, invista em você mesma, apresente ao mundo boas maneiras e bom humor.

Cuide-se frequentando o salão de beleza pelo menos uma vez por semana, fica atenta ao seu sorriso, ele é um ótimo sinal de simpatia, por isto tenha confiança ao sorrir, se necessário procure um dentista regularmente, faça clareamento que hoje está muito barato, troque as amalgamas por resina. Consulte um dermatologista se não estiver satisfeita com a pele…. Estas últimas recomendações servem para elas e para eles. Cuidar de si causa autoestima que espanta a timidez.

 

Mitologia e Arquétipos

por: Roberto Lazaro Silveira

Podemos vislumbrar nas obras de Jung que os personagens mitológicos são fontes de compreensão para o entendimento dos processos humanos.

Segundo o livro de memórias de Jung, desde 1909, o mesmo sentiu necessidade do estudo da mitologia para poder compreender a simbologia de uma psicose latente (JUNG, 1964 – 2006).

Este fato levou-o a descobrir futuramente que os núcleos dos complexos são arquetípicos e desta forma imprescindíveis para a compreensão dos fenômenos psicológicos.

A teoria junguiana sobre os arquétipos inicia-se em 1912, quando relata a manifestação de imagens primordiais em pacientes e em sua auto-análise, cujas temáticas essenciais repetiam-se nos mitos de diversas culturas. Jung fora entusiasmado pelas idéias do historiador neoplatônico Friedrich Creuzer (1771-1858), como ele mesmo coloca: “O acaso me conduziu ao Simbolismo e Mitologia dos Povos Antigos, de Friedrich Creuzer, e esse livro me entusiasmou” (Jung, 1985, p.145).

É necessário ressaltar que esta teoria possui uma base biológica e empírica, logo, não se harmoniza ao espiritualismo de base mística, mas os pressupostos essenciais assemelham-se.

Muitos dos argumentos biológicos em Jung surgem como uma maneira de conferir aos seus conceitos uma roupagem mais aceitável ao empirismo dominante, não sendo premissas necessárias para as suas teorias.

Referências
JUNG, Carl Gustav. A prática da psicoterapia. Rio de Janeiro: Vozes, 1985.
______. Memória Sonhos e Reflexões. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.

 

Mitanálise e os Símbolos Atuais

por: Roberto Lazaro Silveira


O Chupa-cabra é uma suposta criatura responsável por ataques sistemáticos a animais rurais em regiões da América, como Porto Rico, Flórida, Nicarágua, Chile, México e Brasil. O nome da criatura deve-se à descoberta de várias cabras mortas em Porto Rico com marcas de dentadas no pescoço e o seu sangue alegadamente drenado.

Uma das primeiras notícias que se teve no Brasil sobre esse misterioso animal ocorreu em Junho de 1997. E provocou uma onda de pânico e terror na região de Campinas, interior de São Paulo. Moradores de dez cidades da região afirmavam que o animal apelidado de Chupa-cabra “arranca o cérebro, vísceras, olhos e coração das vítimas com precisão cirúrgica.”

Grande parte dos mitos oriundos do passado, assim como a moda, “se constroem e se renovam a cada dia no imaginário contemporâneo” (BARBOSA, 2001: 121).

Um vestido é sempre um vestido, no entanto aquelas armações de madeira, hoje antigas, para realçar as nádegas sairam de moda, mas o vestido não e no lugar delas entrou o silicone, entrou mesmo.

A mitanálise através de símbolos atuais revela um padrão primitivo de comportamento, que satisfaz aos anseios religiosos, aspirações morais, a pressões e a imperativos de ordem social, e mesmo a exigências práticas. Eliade (2007).

Articula Eliade (1990): “o símbolo revela certos aspectos da realidade – os mais profundos – que desafia qualquer outro meio de conhecimento” (p.8). Os sonhos elucidam questões vinculadas ao caráter individual do sujeito que o produz. O conhecimento extraído do mito se aproxima de um sentido mais profundo e constante da psique humana. Jung (1964).

Fonte:
BARBOSA, Wallace de Deus. “Mitopoiesis Contemporâneas: O Chupa-Cabras”. In: Poiesis: Estudos de Ciência da Arte. Niterói: UFF, ano III, 2001.
JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1964.
ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo: Perspectiva, 2007.
______. O poder do mito. São Paulo: Palas Atena, 1990.

 

Sombra

por: Roberto Lazaro Silveira

Gostaria de apresentar abaixo um texto para melhorar nossa concepção sobre a sombra. Trata-se de um trecho introdutório coletado no livro A Sombra e o Mal nos Contos de Fadas. Esta textualização é de autoria da Marie-Louise Von Franz e data de 1915 e foi coletada do referido livro em sua terceira edição publicada em 2002 pela editora Paulus, leia,

Geralmente, na psicologia junguiana, definimos sombra como a personificação de certos aspectos inconscientes da personalidade que poderiam ser acrescentados ao complexo do ego mas que, por várias razões, não o são.

Poderíamos portanto dizer que a sombra é a parte obscura, a parte não vivida e reprimida da estrutura do ego, mas isso é só parcialmente verdadeiro.

Jung criticava seus alunos quando estes se apegavam aos seus conceitos de maneira literal, fazendo deles um sistema, e quando o citavam sem saber exata-mente do que falavam. Numa discussão acabou por dizer: “Isto não tem sentido, a sombra é simplesmente todo o inconsciente”.

Acrescentou que tínhamos esquecido como essas coisas haviam sido descobertas e vividas pelo indivíduo e que sempre é preciso pensar na condição atual do paciente. Se vocês tentarem explicar alguns processos não aparentes e inconscientes a alguém, que não conhece nada de psicologia e inicia uma análise, isto é a sombra para ele. Assim numa primeira etapa de abordagem do inconsciente, a sombra é simplesmente um nome “mitológico”, aquilo que me diz respeito mas que não posso conhecer diretamente.

Então posso afirmar ao leitor que a princesa pode estar na sombra e a bruxa na luz, ambas na sombra ou na luz, a bruxa na luz e a princesa na sombra. Reiterando que a sombra não está preenchida somente por aspectos sombrios ou mórbidos.

Pense no caso de uma jovem que se acha pouco atraente, no entando, a maioria das pessoas que a conhecem ou passam por ela pensam o contrário. Neste caso o conceito de normalidade – pelo menos no aspecto estatístico – indica que esta qualidade – ser atraente para mairia das pessoas é uma qualidade – está na sombra para a jovem. Desta forma através da psicoterapia a mesma poderá conhecer este aspecto, aumentar sua autoestima e ser mais autoconfiante (Roberto Lazaro Silveira, 2010).

Somente quando começamos a penetrar a esfera da sombra da personalidade, investigando seus diferentes aspectos, é que surge nos sonhos, depois de um certo tempo, uma personificação do inconsciente, do mesmo sexo que o sonhador. Mas depois o paciente descobrirá que ainda existe, nessa área desconhecida, um outro tipo de reação chamada anima (ou ânimus) representando sentimentos, estados de espírito, ideias etc. Por razoes práticas, Jung não achou necessário se estender além destas três etapas.

Muitas pessoas permanecem num impasse quando o problema não é apenas questão de teoria, mas de prática. Integrar a anima ou o ânimus é uma obra de arte e ninguém pode se vangloriar de tê-lo conseguido. Por isso, quando falamos de sombra devemos ter bem explícita a situação pessoal do indivíduo em questão, inclusive seu nível específico de consciência e percepção interior. Assim, numa primeira fase, podemos dizer que a sombra é tudo aquilo que faz parte da pessoa mas que ela desconhece.

Geralmente, quando investigamos a sombra, descobrimos que consiste em parte de elementos pessoais e em parte de elementos coletivos. Praticamente, nesse primeiro contato, a sombra é apenas um conglomerado de aspectos em que não conseguimos definir o que é pessoal e o que é coletivo. Exemplificando, digamos que uma pessoa tem pais de diferentes temperamentos, dos quais herdou algumas características que, por assim dizer, não se misturam bem quimicamente.

Por exemplo, uma vez tive uma ana-lisanda que herdou do pai um temperamento inflamável e brutal, e da mãe uma grande suscetibilidade. Como poderia ela ser as duas pessoas ao mesmo tempo? Se alguém a contrariasse ela se defrontava com duas reações opostas. Existem possibilidades opostas numa criança que não se harmonizam entre si. Geralmente, no decorrer de seu desenvolvimento, uma escolha é feita, de modo que um lado fica mais ou menos consolidado. Sempre escolhendo uma qualidade e preferindo uma determinada atividade em detrimento de outra, através da educação e dos hábitos, estas acabam se tornando uma “segunda natureza”; as outras qualidades continuam a existir, só que debaixo do pano.

A sombra se constrói a partir dessas qualidades reprimidas, não aceitas ou não admitidas porque incompatíveis com as que foram escolhidas. É relativamente fácil reconhecer esses elementos e é isto que chamamos “tornar a sombra consciente”, através de uma certa dose de insight, com a ajuda de sonhos e assim por diante — e é normalmente nesse ponto que a análise é interrompida.

Mas isto não significa o término de um trabalho, pois daí vem um problema muito mais difícil, diante do qual a maioria das pessoas encontra grande dificuldade: elas sabem o que é a sua sombra mas não conseguem expressá-la ou integrá-la em suas vidas. Naturalmente a mudança não agrada às pessoas de seu meio, pois isto significa que elas também têm que se readaptar. Uma família ficaria simplesmente furiosa se um membro até então doce e cordato de repente se tornasse agressivo, dizendo Não às suas ordens. Isso conduz a muitas críticas e o ego da pessoa em ques- tão também se ressente da situação. A integração da sombra poderá não dar certo e o problema chegará então a um impasse.

É um ato de grande coragem enfrentar e aceitar uma qualidade que não nos é agradável, que se escolheu esconder por muitos anos. Mas se a pessoa decidir não aceitá-la, acabará sendo apanhada pelas costas. Uma parte do problema é enxergar e admitir a existência da sombra, constatar que alguma coisa acon- teceu, que algo irrompeu; mas o grande problema ético surge quando se decide expressar a sombra consciente-mente. Isso requer grande cuidado e reflexão, para que não se produza uma reação perturbadora.

Gostaria de lhes dar um exemplo disso. Pessoas do tipo sentimento estão sempre prontas a serem cruéis e mesquinhas ao julgar seus amigos. Por um lado se sentem bem com as pessoas mas, por dentro e por trás, são capazes de ter pensamentos e julgamentos extremamente negativos a seu respeito. Outro dia eu estava num hotel com uma pessoa do tipo sentimento. Eu sou do tipo pensamento e acontece que estava com uma tremenda pressa quando a avistei, de modo que apenas a cumprimentei rapidamente.

Daí ela achou que eu a odiava, que estava furiosa com ela e que não queria passar o dia em sua companhia, que eu era uma pessoa fria e insociável etc. De repente o tipo sentimento passou a ter pensamentos negativos, com toda uma explicação para o fato de eu tê-la cumprimentado apressadamente. No estágio inicial a sombra é todo o inconsciente — um acúmulo de emoções, julgamentos e assim por diante.

Vocês poderiam achar que minha amiga foi envolvida pelo pensamento negativo do ânimus — mas o que aconteceu realmente foi uma explosão de pensamentos negativos (neste caso a função inferior), emoção brutal (sombra) e alguns julgamentos destrutivos (neste caso o ânimus). Se estudarem essas explosões negativas, vocês poderão distinguir entre a figura que chamamos de sombra e a faculdade de julgamento que na mulher chamamos de ânimus. Depois de um certo tempo as pessoas descobrem essas qualidades negativas em si mesmas e conseguem não apenas vê-las mas expressá-las, o que significa abdicar de certas idealizações e padrões.

Isso acarreta sérias considerações e uma boa dose de reflexão, caso a pessoa em questão não queira ter uma ação destrutiva sobre as coisas que a cercam. Então, visto que podemos descobrir nos sonhos elementos que parecem não ser pessoais, dizemos que a sombra consiste em parte de material pessoal e em parte de material impessoal e coletivo.

Referência
VON FRANZ, Marie-Louise. A Sombra e o Mal nos Contos de Fada. São Paulo: Paulus 2002. 3ª Ed.

 

Anima e Animus

por: Roberto Lazaro Silveira

Para auxiliar na compreenssão destes arquétipos explorados pela psicologia arquetípica vale a pena uma leitura no seguinte trecho do evangélio apócrifo de Tomé, veja,

“Quando você fizer de dois um, quando você fizer o interior como o exterior, quando você fizer um do alto e do baixo, quando você fizer do masculino e do feminino um único, a fim de que o masculino não seja apenas um macho e o feminino apenas uma fêmea, então você terá olhos nos seus olhos, você terá mãos nas suas mãos, você terá pés nos seus pés e você entrará no reino do espírito.”

A chave para entrar no reino do espírito, então, está na integração do masculino com o feminino. Após esta introdução vale a pena observar uma pequena fração do conceito de anima e animus para Jung:

“O arquétipo da anima (termo em latim para alma),constitui o lado feminino no homem, e o arquétipo do animus(termo em latim para mente ou espírito), constitui o lado masculino na psique da mulher. Ambos os sexos possuem aspectos do sexo oposto, não só biologicamente, através dos hormônios e genes, como também, psicologicamente através de sentimentos e atitudes.”

Sendo a persona a face externa da psique, a face interna, a formar o equilíbrio são os arquétipos da anima e animus. O homem traz consigo, como herança, a imagem de mulher. Não a imagem de uma ou de outra mulher especificamente, mas sim uma imagem arquetípica, ou seja, formada ao longo da existência humana e sedimentada através das experiências masculinas com o sexo oposto.

Cada mulher, por sua vez, desenvolveu seu complexo de animus através das experiências com o homem durante toda a evolução da humanidade.

Quando observamos algum distúrbio de comportamento promovidos pela anima quando em estado inconsciente pode fazer com que o homem, numa possessão extrema, tenha comportamento tipicamente feminino, como alterações repentinas de humor, falta de controle emocional e até conversões e ataques do tipo histérico, sim é possível.

Em seu aspecto positivo a anima, quando reconhecida e integrada à consciência, servirá como guia e despertará, no homem o desejo de união e de vínculo com o feminino e com a vida. A anima será a “mensageira do inconsciente” tal como o deus Hermes da mitologia Grega.

A valorização social do comportamento viril no homem, desde criança, e o desencorajamento do comportamento mais agressivo nas mulheres, poderá provocar uma anima ou animus subdesenvolvidos e potencialmente carregados de energia, atuando no inconsciente como fonte de energia psiquica podendo ser sublimada como no caso das artes por exemplo ou então tornar-se destrutiva.

Um animus atuando totalmente inconsciente poderá se manifestar de maneira também negativa, provocando alterações no comportamento e sentimentos da mulher. Segundo Jung: “em sua primeira forma inconsciente o animus é uma instância que engendra opiniões espontâneas, não premeditadas; exerce influência dominante sobre a vida emocional da mulher.”

O animus e a anima devidamente reconhecidos e integrados ao ego, contribuirão para a maturidade do psiquismo através da individuação. Jung salienta que o trabalho de integração da anima é tarefa difícil. Diz ele: “Se o confronto com a sombra é obra do aprendiz, o confronto com a anima é obra-prima.”

A relação com a anima é outro teste de coragem, uma prova de fogo para as forças espirituais e morais do homem. Jamais devemos esquecer que, em se tratando da anima, estamos lidando com realidades psíquicas, as quais até então nunca foram apropriadas pelo homem, uma vez que se mantinham foram de seu âmbito psíquico, sob a forma de projeções.”

Anima e animus são responsáveis pelas qualidades das relações com pessoas do sexo oposto. Enquanto inconscientes, o contato com estes arquétipos são feitos em forma de projeções.

O homem, quando se apaixona por uma mulher, está projetando a imagem da mulher que ele tem internalizada. É fato que a pessoa que recebe a projeção é portadora, como dizia Jung, de um “recipiente” que a aceita perfeitamente, como a união entre antígeno e anticorpo ou chave e fechadura – ocupam o mesmo arquétipo por sinal.

O ato de apaixonar-se e decepcionar-se, nada mais é do que projeção e retirada da projeção do objeto externo. Geralmente o que se ouve é que a pessoa amada deixou de ser aquela por quem ele se apaixonou, quando na verdade ela nunca foi, só serviu como suporte da projeção de seus próprios conteúdos internos.

Para o homem a figura materna, geralmente a mãe biológica, é o primeiro objeto a receber a projeção da anima, ainda quando menino, o que se dá inconscientemente.

Depois, com o crescimento e sua saída do ninho, o filho vai, aos poucos, retirando esta projeção e lançando-a a outras mulheres que continua sendo um processo inconsciente.

A qualidade, do relacionamento mãe-filho, será essencial e determinará a qualidade dos próximos relacionamentos, com outras mulheres quando inconscientemente sombria e projetada.

Ressalta Jung: “Para o filho, a anima oculta-se no poder dominador da mãe e a ligação sentimental com ela dura às vezes a vida inteira, prejudicando gravemente o destino do homem ou, inversamente, animando a sua coragem para os atos mais arrojados.”

Projeção para Jung é um processo inconsciente automático, através do qual um conteúdo inconsciente para o sujeito é transferido para um objeto, fazendo com que este conteúdo pareça pertencer ao objeto.

A projeção cessa no momento em que se torna consciente, isto é, ao ser constatado que o conteúdo pertence ao sujeito.

Miniaturas disponíveis para montagem do cenário.

Projeta-se o que está na sombra, ou seja, é a sombra projetada, quando entramos em contato com o complexo constelado no núcleo do arquétipo chamado sombra nosso eixo ego-self caminha rumo a individuação.

Observe abaixo o cenário de um Jogo de Areia que demonstra aspectos da anima:

“Observamos acima um homem se deparando com os diversos aspectos de sua anima. Da esquerda para a direita temos na imagem da sereia a simbolização da anima sensual, mas que não pode se relacionar pois é metade peixe, na figura de Iemanjá vemos a anima espiritual, em Cinderela a representação da anima pura e, na dançarina temos a possibilidade da integração dos três aspectos anteriores” (fonte: http://jogodeareia.com.br/psicologia-analitica/anima-e-animus/).

Compare com o seguinte cenário abaixo revelando aspectos de possessão pelo animus:

“No cenário acima a paciente demonstra ter como único valor em sua vida o trabalho e apresenta grande dificuldade em se relacionar afetivamente. No quadrante inferior esquerdo vemos figuras caricatas de mulheres executivas com características masculinizadas, no quadrante inferior direito um guerreiro, no superior direito um homem primitivo, no centro vemos simbolizadas a possibilidade de transformação e cura do animus, representada pelas figuras do xamã, padre, cozinheiro e do médico. E por fim sinalizando um bom prognóstico, no quadrante superior esquerdo surge a figura feminina elaborada com um bebê de colo” (fonte: http://jogodeareia.com.br/psicologia-analitica/anima-e-animus/).

Para melhor entendimento do texto acima leia sobre: Persona, Sombra, complexos e arquétipos, eixo ego-self, individuação, jogo de areia, deus Hermes e Mitologia Grega em breve disponíveis neste site.

 

A pureza da água e a pureza do fogo

por: Roberto Lazaro Silveira

A água quando pura e acrescida de alguns gravetos sujos ela se torna impura. O fogo quando ocorre o mesmo, transforma a sujeira em luz. Por isto devemos transformar nossa pureza da água em pureza do fogo.

Se nossa meditação é de água, qualquer barulho no ambiente impedirá a mesma, no entando, se nossa meditação é de fogo, tranformará o barulho em combustível que irá aprofundar nossa meditação.

Referência
LELOUP, Jean-Yves. Caminhos da Realização. Petrópolis: Vozes, 2007.

 

Nise da Silveira

por: Roberto Lazaro Silveira

 

Entrevista – Face a Face com Jung

por: Roberto Lazaro Silveira

 

James Hillman ao vivo na Mythic Journeys

por: Roberto Lazaro Silveira

James Hillman discute sobre mitologia e o mundo ao nosso redor em um evento da Mythic Journeys Conferences. Para maiores informações, acesse o site: www.mythicimagination.org

 

Trecho de entrevista com Jung – Legendado

por: Roberto Lazaro Silveira

 

Leitura Mítica

por: Roberto Lazaro Silveira

Vamos ler uma das histórias sobre um mito amazônico chamado Cobra Norato.

COBRA NORATO

Andrade (2003): Uma bela moça indígena chamada Zelina estava na roça trabalhando e quando foi para a beira do rio beber água, sentiu uma forte dor de barriga e começou a passar mal e de joelhos na beira do rio deu à luz a um casal de gêmeos filhos do Cobra Grande, pois, a moça desobedeceu ás ordens do pajé de não se aproximar das águas após o entardecer para não engravidar-se do mesmo. O velho pajé curador da tribo, como punição, mandou que lançasse os irmãos ao rio e lá os gêmeos fossem criados como cobras, sendo um macho e uma fêmea, o macho foi chamado de Norato e a fêmea Maria Caninana, o tempo foi passando e as duas cobras foram crescendo, Norato era de boa índole e Maria Caninana era uma cobra má, pois, vivia derrubando as embarcações, quando visitavam sua mãe Zelina, a mesma só tinha olhos e gostava das reinações de sua filha. Norato que era bom moço, encantado em uma cobra, nunca aprovou as maldades de sua irmã Maria Caninana e certo dia matou sua irmã, pois já não agüentava ver suas maldades, algumas noites ele deixava a sua pele e casca de cobra à beira do rio e pedia a sua mãe que o desencantasse, mas ela não tinha coragem e antes que o dia amanhecesse, antes do galo cantar tinha que voltar para o rio e voltar a ser cobra. Para quebrar o encanto de Norato era preciso que alguém de tamanha coragem colocasse uma gota de leite em sua boca e um corte na cauda para sair o sangue que desencantaria o moço tão belo de uma cobra tão feia. Norato era visto nos bailes onde dançava muito, mas antes de clarear o dia desaparecia e ninguém tinha coragem de desencantar o belo rapaz, pois ninguém queria se arriscar, cansado de tanto andar e não encontrar resolveu ir para a cidade de Óbidos e lá encontrou um corajoso soldado que levou o leite na boca da cobra e com o sabre cortou-lhe a cauda para o sangue jorrar e Norato transformou-se em um elegante e belo rapaz, agora Honorato – do latim homem honrado – deixando as águas do rio para levar uma vida igual do homem da cidade, sem transformar-se novamente em peixe. Honorato arranjou emprego como piloto de barco porque conhecia muito bem o leito dos rios da região. Ele gostava muito de conversar com as pessoas, no entanto, sentia muita saudade dos tempos de quando era cobra também (p.32).

Este mito é de origem amazônica e para saborear esse gostinho nacional, é preciso, entretanto, aproximar-se das lendas brasileiras bem como das dificuldades de estilo comumente encontradas nos contos populares. O leitor há que se acostumar com este articular especial, eivado de expressões inesperadas, marcado por soluções lingüísticas particulares, enfim, carregado de exigências dirigidas a um leitor-cúmplice, ou seja, um leitor que aceite desafios, que sonhe com suas origens. Observe os dez mandamentos para se ler mito de Joseph Campbell (1993), veja,

  1. Leia mitos com um olhar de mistério: maravilhe-se com o significado, maravilhe-se com a origem.
  2. Leia mitos no tempo presente: a Eternidade é agora.
  3. Leia mitos no plural: os Deuses e Deusas de todas as mitologias vivem dentro de nós.
  4. Todo mito interessante atrai, repele, ou ambos. Todos esses sentimentos são seus para explorar.
  5. Olhe, ouça e sinta a forma; é para isso que os mitos existem.
  6. O sagrado existe também no profano.
  7. Mitos podem ser gerados em qualquer lugar, a qualquer tempo, por qualquer coisa: o Buda vive também no chip de computador.
  8. Conheça sua tribo! Os mitos nunca surgem no vácuo; eles são o tecido de ligação do corpo social sinergisticamente relacionando mitos pessoais (sonhos) e rituais (mitos públicos).
  9. Os mitos significam: a Terra é nossa casa e a humanidade é nossa família.
  10. A imaginação desperta. Os mitos são para a vida. (p.34)

 

Logo, a psicologia não pode ser eficaz como ciência positiva, pois, desta maneira seria incapaz de viver os mitos, de viajar no tempo e maravilhar-se com as origens. Por isto a psicologia como estudo da Psiquê – que significa alma e arremete ao mito da Psiquê* – reverencia a ciência negativa adotada por Freud pela sua incapacidade de compreender fenômenos sem uma causa que poderia ser comprovada em laboratório, assim, deixando de explicar, e aderindo-se a psicologia, divulgou a mesma e apresentou seus estudos sobre consciente e inconsciente, mitos e arquétipos que posteriormente seriam melhor compreendidos e complementados por Jung.

*Uma das narrações sobre o mito da Psiquê encontra-se no livro O Asno de Ouro de Apuleio, que a cita como uma bela mortal por quem Eros, o deus do amor, se apaixonou. Tão bela que despertou a fúria de Afrodite, deusa da beleza e do amor, mãe de Eros – pois os homens deixavam de frequentar seus templos para adorar uma simples mortal.

A deusa mandou seu filho atingir Psiquê com suas flechas, fazendo-a se apaixonar pelo ser mais monstruoso existente. Mas, ao contrário do esperado, Eros acaba se apaixonando pela moça – acredita-se que tenha sido espetado acidentalmente por uma de suas próprias setas. A trama continua e atualiza-se vestindo as roupagens impostas pelo momento sócio-histórico, pois, trata-se de arquétipos que surgem de forma genuína nos sonhos, mitos e contos de fadas. Vamos viver os mitos?

Referências:
ANDRADE, Paulo de Tarso. Conhecendo nosso Folclore. São Paulo: Kanga, 2003.
CAMPBELL, Joseph. Myths to Live By. London-UK: Penguin, 1993.