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Gagueira Infantil

por: Roberto Lazaro Silveira

A disfemia, conhecida popularmente como gagueira ou gaguez, é a mais comum desordem de fluência da fala, atingindo cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil e mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo.

Os sintomas mais evidentes da gagueira são a repetição de sílabas, os prolongamentos de sons e os bloqueios dos movimentos da fala, sobretudo na primeira sílaba, no momento em que o fluxo suave de movimentos da fala precisa ser iniciado.

Também usam-se os termos tartamudez, disfemismo ou disfluência. Além de gago, o indivíduo que apresenta disfemia recebe o nome de disfêmico, tartamudo, balbo (de balbuciar) ou tardíloquo. Tal desordem além de dificultar a comunicação da pessoa faz com essa se sinta diferente das outras, diminuindo seus diálogos dentro e fora de casa.

Na mairia dos casos inicia-se entre 2 e 5 anos de idade com uma gagueira normal, já que falam há pouco tempo e não se sentem seguros ao pronunciar frases montadas. Nessa fase é que a gagueira pode ser fixada (caso seja psicológica).

Normalmente, este distúrbio é transitório, apenas uma minoria das crianças que apresentam disfemia em tenra idade, cerca de 1% ou 2%, necessitará de tratamento especializado. Estes poucos casos que persistem por mais tempo do que o habitual podem estar associados a uma história familiar de gagueira, sugerindo uma predisposição hereditária.

Uma característica que pode estar relacionada com a tendência de a gagueira tornar-se um problema persistente é o surgimento de sintomas adicionais, como: fazer caretas, contrair os olhos ou bater o pé. Nestes casos em que a criança já tem plena consciência do problema e também percebe que sua fala pode ser julgada como fora do padrão normal, ela tende a adotar comportamentos de evitação, muitas vezes preferindo ficar em silêncio a interagir verbalmente.

Neste estágio, na falta de tratamento especializado, a maioria das crianças com gagueira começa a se retrair e ter sua auto-estima prejudicada. O bullying escolar é uma possível complicação à qual pais e professores devem estar muito atentos.

Não se sabe ao certo as causas para este distúrbio que pode ter ligações a fatores genéticos, psicológicos e neurológicos. A gagueira genética é provocada por uma disfunção de áreas cerebrais responsáveis pela fala ou por alterações estruturais nestas áreas.

A gagueira neurológica é mais rara, porém pode ser detectada facilmente, pois esta é a única forma de gagueira que não melhora ao cantar, ao interpretar ou ao mudar a tonalidade de voz. A gagueira classificada como psicológica deve ser tratada com um psicanalista que estudará o caso e aplicará o tratamento adequado. Já a gagueira genética e neurológica deve ser tratada com um fonoaudiólogo que deverá fazer uma avaliação e logo após iniciar terapias planejadas.

A gagueira psicológica é adquirida, ou seja, desenvolve quando a pessoa tem pais ansiosos, exigentes e agressivos, quando a pessoa passa por momentos traumáticos como acidentes, assalto, estupro, etc., problemas insuportáveis que geram conflitos interiores e outros que são liberados na hora de falar.

O tratamento da gagueira psicológica sendo a mais comum, consiste em tratar a família de forma em que todos estejam envolvidos no processo. Os pais devem procurar o psicoterapêuta para fazer um provável diagnóstico através de uma entrevista detalhada. Caso fique comprovado que a atitude dos pais em relação á criança contribui para a cagueira, os mesmo devem manter-se em terapia visando o autoconhecimento a fim de identificar quais suas ações agravam o quadro da criança.

Geralmente a criança torna-se disfêmica ou gaga em determinado momento de sua vida, ou seja, não nasce gaga, este momento pode ser em resposta a atitudes punitivas dos pais. Vejamos o seguinte caso clínico: Os pais de Joãozinho (5 anos) eram considerados ausentes, pois, trabalhavam em período integral saindo de casa de manhã e retornando somente á noite.

Por chegarem em casa estressados qualquer pergunta do menino, típica da idade onde aflora a curiosidade, era respondida de forma ríspida pelos pais que estavam cansados e cheios de problemas para resolver, haviam recebido do chefe grosserias e automaticamente por falta de autoconhecimento devolvia as mesmas para o filho.

Certo dia Joãozinho estava aguardando o pai junto com a mãe que estava de folga e quando o pai de Joãozinho chegou percebeu que o menino estava na janela do quarto e poderia cair e ferir-se, então o menino espera que o pai que estava o dia fora de casa, o pegasse no colo e desse algum carinho, no entanto, levou a maior bronca por estar na janela antes de qualquer outro gesto.

O pai agiu daquela forma porque não queria que o filho se machucasse, no entanto, colocou muita energia que estava reprimida em seu inconsciente devido ao estresse daquele dia, então “descontou” no Joãozinho que a partir daquele dia passou a gaguejar.

Os pais de Joãozinho me ligara após 6 meses do acontecimento, pois, o menino não parou de gaguejar e estava sendo vítima de colegas de escola que zombavam do menino, logo, não queria ir mais a escola. Em entrevista detectei os problemas.

O pai se comprometeu a entrar em terapia onde discutimos formas de descarregar as energias negativas, entre elas a redução da carga de trabalho e prática de exercícios físicos. Através do autoconhecimento adquirido pelo pai, o mesmo pode fornecer as informações para a mãe de Joãozinho e ambos comprometeram-se a negociar sua carga de trabalho de froma que pudessem passar algumas horas com Joãozinho de corpo e alma, ou seja, seria para ele mesmo toda a atenção e paciência necessária.

Após 4 meses de terapia e mudança de rotina o menino havia parado totalmente de gaguejar ao mesmo tempo em que melhorava seu desenpenho na escola. Observem que não foi necessário neste caso o auxílio do fonoaudiólogo nem mesmo a criança estar em terapia ou ser medicada com psicotrópicos o que poderia causar sequelas irreversíveis. Através da colaboração do pai e autoconhecimento proporcionado pela psicoterapia foi possível melhorar o dia a dia assim como a comunicação na família e curar a gagueira do menino de 5 anos de idade.

 

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